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      Testemunha do caso Suncity foi acusada de falso depoimento e constituída arguida

      O Ministério Público ordenou a detenção em flagrante delito e constituiu arguida uma testemunha durante a audiência de ontem do processo relativo ao grupo Suncity, acusando-a de ter prestado falso depoimento no julgamento. A testemunha, antiga funcionária do grupo liderado por Alvin Chau, afirmou ontem ao tribunal que a empresa não operava o jogo paralelo, e que não tinha exigido aos subordinados que promovessem essa actividade. Na mesma sessão, a juíza do processo revelou ter recebido uma carta da Associação dos Advogados de Macau queixando-se da falta de espaço na sala de audiências.

       

      Uma testemunha do caso Suncity foi detida em flagrante delito por suspeitas de falsidade de testemunho durante a sessão de ontem de audiência do processo. A testemunha Jessie Lai, que era funcionária de Alvin Chau e exercia umcargo de chefia no departamento do desenvolvimento de mercado, foi informada da detenção apenas após alguns minutos do seu depoimento.

      O processo relativo à Suncity voltou ontem ao julgamento no Tribunal Judicial de Base, continuando a proceder-se à inquirição das testemunhas. Jessie Lai, a quarta testemunha de ontem, começou por ser questionada pelo Ministério Público (MP) sobre os negócios da Suncity, grupo que a funcionária servia há oito anos e meio, e referiu que “a empresa não estava a explorar o jogo paralelo e, quanto às apostas telefónicas, apenas existiram antes de 2019”.

      A testemunha disse ainda que não tinha obrigado os seus subordinados a promover as actividades descritas como ilegais neste caso. Mostrando-se duvidoso relativamente a estedepoimento, o procurador do MP, Lai U Hou, lembrou a testemunha de que tinha prestado juramento no tribunal e advertiu-a a ser honesta.

      O MP voltou depois a pedir a explicação de Jessie Lai sobre uma tabela de KPI (Key Performance Indicator) da Suncity, emque se verifica a avaliação do trabalho a ser composta pelovolume de negócio da “operação”, referindo-se alegadamente ao jogo paralelo e apostas telefónicas.

      Nessa altura, Jessie Lai respondeu que os elementos de KPI variavam de mês a mês, enfatizando que o grupo de junketstinha como foco de negócio o volume de troca de fichas (‘Rolling Chip Turnover’), tendo repetido também os relatos anteriores em relação ao tipo de negócio da Suncity.

      O procurador solicitou assim ao tribunal que detivesse atestemunha por ter prestado falso depoimento. “Tenho provas que conseguem provar que prestou um depoimento falso. Já não precisa de dizer mais nada”, frisou o MP à testemunha.Segundo o MP, a testemunha, após ser constituída arguida, seria notificada para prestar depoimento junto à Polícia Judiciária, mas a ocorrência deverá ser tratada separadamente do caso da Suncity.

      Um alerta semelhante foi dirigido igualmente a uma outra testemunha, também antiga funcionária do grupo Suncity, após ter garantido ao MP que o jogo paralelo não fazia parte das actividades da empresa. Apesar de dizer ao tribunal que tinha visto apostas paralelas decorridas nas salas VIP da Suncity, a testemunha Ng Ka San salientou que, “para os jogadores que tinham interesse em apostar com valores elevados, iremos encaminhá-los para o departamento de operações, mas este departamento não existe na nossa estrutura social [da Suncity]”, adiantou.

      No que diz respeito às matérias de formação de funcionários da Suncity com temas de jogo paralelo, apresentadas pelo MP, a testemunha explicou que foi uma aprendizagem geral da indústria local. Por ser funcionária da linha de frente, a receber clientes, temos de saber tudo deste sector”, sublinhou.

      O advogado Leong Hong Man, novo defensor do antigo líder da Suncity Alvin Chau, assinalou, durante a inquirição da testemunha, a desnecessidade da operação das apostas paralelas para a empresa gerar lucros, pelo facto de o valor Rolling Chip Turnover da Suncity ter atingido 150 mil milhões de patacas antes da pandemia.

      MAIS COOPERAÇÃO COM O TRIBUNAL

      Na sessão de julgamento realizada ontem, a juíza Lou Ieng Ha, que preside a audiência do processo relativo à Suncity, solicitou aos advogados a darem “mais cooperação ao tribunal” e salientou que “para a advocacia, além de conhecer o direito, também têm de ser razoáveis”, revelando que o Conselho dos Magistrados Judiciais tinha recebido uma carta apresentada pela Associação dos Advogados de Macau (AAM) acerca da organização e condições do julgamento.

      De acordo com a juíza, o presidente da AAM, Jorge Neto Valente, manifestou preocupações na sua carta sobre os problemas do espaço limitado no tribunal, o que fez com que os advogados não pudessem trazer assistentes.

      “Nós também prestamos atenção a essa questão já antes do arranque do julgamento, arranjamos as cadeiras mais confortáveis (…), mas as vossas reacções são diferentes doque pensava”, frisou, acrescentando:Parece que a nossa boa-fé resultou apenas em vozes opostas”.

      A juíza pediu assim aos advogados que sejam mais cooperativos com os trabalhos do tribunal e, para a questão de falta de espaço para colocar os códigos na mesa, Lou Ieng Ha disse que “não esperava que ainda houvesse quem trouxesse o código em papel”, apelando aos juristas a integrarem a digitalização nos trabalhos.

      Entretanto, o advogado Álvaro Rodrigues interveio paraesclarecer que não houve qualquer queixa apresentada por parte dos advogados defensores à AAM sobre a organização da audiência deste caso.