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      InícioOpiniãoO Japão e o Shinkansen

      O Japão e o Shinkansen

      Desde pequeno que adoro comboios. Com 4 ou 5 anos ia passar férias a casa do meu Tio-Avô, em Ovar. Recordo-me bem dele, ar austero, meio calvo, Almerindo Costa de sua graça, ilustre Chefe da Estação da CP em Ovar. A ele lhe devo esta paixão.

      Verões inteiros divididos entre banhos gelados na Praia do Furadouro e ver passar os comboios na sua casa de função, para cima e para baixo. E via-se de tudo. Desde automotoras, regionais, o famoso “foguete” (para os meus leitores mais novos, uma espécie de Pai do Alfa Pendular), até ao comboio correio que ligava o país e distribuía correspondência.

      Lembrei-me do Tio Almerindo, esta semana. Que diria ele do Shinkansen.

      Das muitas proezas tecnológicas que a cultura popular atribui ao Japão, uma detém especial destaque no imaginário comum: Shinkansen, o mítico “comboio-bala”. Sinónimo de velocidade, progresso e tecnologia, o gémeo ferroviário do avião Concorde foi desenvolvido no pós-guerra japonês e inaugurado em 1964, coincidindo com os Jogos Olímpicos de Tóquio para lançar uma nova imagem do Japão. As seguintes iterações do Shinkansen aumentaram a velocidade, o conforto e a impecável pontualidade que faz a inveja do mundo.

      Tive, finalmente, a oportunidade de experienciar a viagem a 300 km/h numa deslocação a Hiroshima. O meu fascínio não se alterou, mesmo se da Praia do Furadouro ao arquipélago nipónico as diferenças sejam maiores que as décadas que as separam. Quase tão grandes como o contraste entre as próprias locomotivas, carruagens ou a estação de Ovar onde laborava o meu querido Tio Almerindo e aquelas que vejo hoje.

      A tecnologia nestes comboios é pioneira; a gestão dos mesmos, ímpar. Portugal e o Japão em muito diferem e não necessitamos de um sistema tão complexo; mas a capacidade de aliarem o desenvolvimento nacional de tecnologias de ponta ao serviço de uma rede de transportes única merece a devida consideração por quem aspira a uma ferrovia portuguesa que sirva melhor todo o país. E por quem, como eu, tem uma paixão por estas “balas”.

       

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras

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      Redacção do Ponto Final Macau