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      InícioGrande ChinaA adaptação do marxismo à realidade chinesa é a solução para o...

      A adaptação do marxismo à realidade chinesa é a solução para o PCC superar todos os desafios de governança

      O secretário-geral do Partido Comunista da China e Presidente da República Popular, Xi Jinping, realizou neste domingo o seu discurso no 20.º Congresso do Partido Comunista da China com inúmeros pontos que podem ser destacados por analistas de várias áreas e especialidades. Na verdade, ficou claro no seu discurso a centralidade do exercício da governança por um Partido Comunista num país com as dimensões da China.

      O discurso é muito enfático neste sentido. Em primeiro lugar, grande parte do discurso destacou as grandes conquistas do povo chinês nos últimos dez anos, a começar pela erradicação da pobreza extrema, passando pela crescente capacidade do país em explorar com mais profundidade o espaço sideral com grandes descobertas sobre a Lua e o planeta Marte e o impressionante dado acerca de a China se ter tornado o maior parceiro comercial de mais de 140 países.

      Mas ao colocar esses feitos aos delegados do Congresso, Xi Jinping enfatizou a necessidade diária de se procurar adaptar o marxismo à realidade chinesa. Para muitos, esse tipo de discurso pode passar despercebido ao longo do tempo. Pensamos diferente. A China está diante de desafios cada vez maiores, tanto a nível interno como a nível externo. Quanto mais longe vai surgindo a experiência chinesa, maior o desafio que se coloca a um partido marxista de como exercer o poder político. Os países capitalistas fazem-no de forma simples: entregando o poder do Estado às classes dominantes, que por sua vez transformam o seu poder económico em controlo sobre as massas populares, incluindo a violência policial.

      Xi Jinping procurou salientar que esse desafio de adaptação do marxismo à realidade chinesa é a única solução de manutenção de poder no sentido de procurar soluções populares para problemas onde o capitalismo se aplica com soluções simples, voltadas a atender as exigências de uma minoria de ricos que controla o Estado. É a adaptação do marxismo à realidade chinesa que permitiu que a China, por exemplo, não apenas construísse um grande sistema empresarial público, como o núcleo da economia do país, como também, de forma criativa, construiu as condições institucionais para que a grande propriedade pública produzisse não apenas bens e serviços, como também um grande desenvolvimento tecnológico (5G, ‘Big Data’, Inteligência Artificial) que possibilitou à China não só duplicar a renda per capita nos últimos dez anos, como também a vencer a pandemia.

      “Colocar o povo em primeiro lugar” é um princípio básico para a procura de soluções marxistas a problemas comuns ao capitalismo e ao socialismo. Marx, em inúmeras passagens de “O Capital” e dos “Manuscritos Económico-Filosóficos”, deixa claro as possibilidades que a inovação tecnológica pode abrir à humanidade. Sob o capitalismo, essas possibilidades ficam restritas a pequenos grupos detentores dos meios de produção. No socialismo existe o contrário, a tecnologia está ao serviço do povo. O desafio da governança chinesa passa por construir um duro caminho de assegurar que toda a evolução na base material da economia chinesa esteja ao serviço das necessidades do país.

      É nesse aspecto que a adaptação do marxismo à realidade chinesa passa, conforme pontuou Xi Jinping, pelo permanente aprimoramento e criação de instituições que aprofundem a democracia socialista com características chinesas. É uma tarefa árdua num mundo cada vez mais hostil à experiência chinesa. Essa democracia socialista em construção, como solução marxista às questões de participação popular numa sociedade milenar como a chinesa, passou recentemente por uma campanha de combate à corrupção que atingiu todas as esferas do Estado e do Partido Comunista. É o desafio da consolidação da relação de confiança entre o Partido Comunista e o povo que vai dar o sustento para que a China enfrente com sucesso os seus desafios.

      Construir um sistema de governo e de governança usando o marxismo como base teórica e ideológica fundamental é algo de importância central. O final da União Soviética deve-se muito ao facto da perda de vitalidade da teoria marxista e o seu abandono por parte dos líderes da então União Soviética. Daí as soluções encontradas para os problemas soviéticos não terem sido capazes de atender as exigências do povo. A ênfase de Xi Jinping a esta questão que relaciona o desenvolvimento do marxismo adaptado à realidade chinesa é a grande chave para compreender tanto os sucessos chineses nos últimos dez anos, como o futuro da Reforma Chinesa.

      CRI- China Radio Internacional

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau