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      Macau deve ter um plano e estar preparado para a reabertura das fronteiras, defende Ron Lam

      Com a evolução da resposta à pandemia a nível global, o deputado Ron Lam considera que a mudança na política para Macau abrir a fronteira não deve estar longe. O deputado, porém, está preocupado com o facto de a sociedade ter falta de preparação e considera que as autoridades devem ponderar já a eventual reabertura para enfrentar um inevitável surto epidémico, nomeadamente reforçar a capacidade do sistema médico.

       

      Não há fim para a epidemia e, portanto, a abertura da fronteira vai certamente acontecer, sendo apenas uma questão do tempo. Mas Macau não está preparado e o Governo deve equipar-se já para se ligar novamente ao mundo exterior e enfrentar um surto inevitável, defendeu o deputado Ron Lam, dirigindo críticas à “avaliação dinâmica” das medidas antiepidémicas do Executivo.

      “De acordo com o ambiente global, o interior da China pode mudar a sua política de prevenção epidémica no futuro e reestabelecer a circulação internacional. Macau vai ter de seguir igualmente essa política. Contudo, obviamente, Macau não tem preparação para isso, e as autoridades devem pensar no assunto, por exemplo, as instalações de tratamento de doenças, sistema médico e até instalações para cremação”, apontou Ron Lam, em declarações ao PONTO FINAL.

      O deputado entende que o facto de Macau estar a seguir a política antiepidémica da China “é uma escolha única”, uma vez que, além da questão do turismo e da economia, o funcionamento social do território está altamente ligado à circulação transfronteiriça com o Continente. “Sobretudo a mão-de-obra. Caso adoptarmos uma outra política como em Hong Kong, os trabalhadores não-residentes oriundos do interior China não vão trabalhar em Macau e as PME vão queixar-se sobre isso”, frisou.

      Salientando que a Covid-19 nunca vai parar como o SARS, que surgiu há dez anos, Ron Lam acredita que a coexistência com o vírus é uma questão de tempo, quer para a China Continental quer para o território, mas prevê que, com as condições sociais actuais, a situação local pode ser muito mais caótica do que em Hong Kong, dado que Macau tem estado fechado ao longo da pandemia.

      A variante Ómicron passou na região vizinha o seu quinto surto da Covid-19 desde o início deste ano e registou nove mil casos de óbitos entre os idosos. “A nossa população corresponde a 10% em relação a Hong Kong. Supondo que, conforme a percentagem de infecção e mortalidade, morrem 900 idosos em Macau, teremos capacidade para lidar com a situação, quando até não temos lugar para tratar dos corpos?”, questionou. O deputado recordou neste caso que o Governo estabeleceu “o plano de resposta de emergência para a situação epidémica da Covid-19 em grande escala”, em que se propõe criar instalações de cremação para eventuais óbitos resultantes da pandemia, mas ainda não foi anunciado qualquer avanço ou calendarização para a construção.

      É “inevitável” haver um surto comunitário quando abrirem as fronteiras, considera Ron Lam, ressalvando que conviver com o vírus não implica não fazer nada, mas sim lidar com a pandemia de formas diferentes. Acrescentou que o mais importante é ter um sistema médico bem-preparado para esse processo, de forma a diminuir os impactos sociais e económicos.

      O deputado apresentou ontem o balanço dos trabalhos da última sessão legislativa em que criticou a falta da orientação clara e de consideração global por parte do Governo na implementação das medidas durante o último surto, o que levou à organização confusa dos trabalhos de combate à pandemia.

      Por outro lado, em relação ao problema crónico da comunicação insuficiente entre o Executivo e o órgão legislativo, Ron Lam insta o Governo a reforçar a cooperação e a troca de opinião e informação com os membros da Assembleia Legislativa, mesmo fora das reuniões plenárias e de comissões, fazendo com que as políticas e os projectos de lei sejam baseados mais na opinião pública e lançados suavemente.

      “É de destacar também que a apresentação de interpelações e pedidos de informação fazem parte dos poderes estatutários concedidos aos deputados pelo Regimento da Assembleia Legislativa para fiscalizar o Governo”, asseverou Ron Lam, criticando a morosidade e recusa de alguns departamentos governamentais nas respostas à solicitação de informações do deputado.

      De acordo com o balanço de trabalhos, o deputado recebeu na última sessão legislativa 1.178 pedidos de ajuda de residentes e 87% deles foram já processados. Os casos encaminhados envolveram principalmente problemas sociais e económicos provocados pela pandemia, dificuldades operacionais para os comerciantes, bem como disputas na compra de imoveis.