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      Arguido do caso Suncity admite prática de apostas paralelas com clientes apresentados por Alvin Chau  

      O 5.º arguido do caso relacionado com o grupo Suncity, Cheong Chi Kin, confessou ontem em julgamento que era o responsável pela exploração do jogo paralelo referida no processo. O antigo colaborador da promotora de jogo referiu ter criado pelo menos duas empresas para actividades ilícitas, admitindo, porém, que o negócio ilegal não tinha relação à Suncity.

       

      Depois de Alvin Chau e o antigo funcionário informático da empresa, Celestino Ali, terem apontado o dedo nas sessões de julgamento anteriores a Cheong Chi Kin acusando-o de ser o protagonista do esquema de jogo paralelo, o 5.º arguido do caso relativo ao grupo Suncity admitiu ontem ter operado as apostas paralelas em pelo menos duas empresas suas, onde havia dezenas de funcionários responsáveis por procurar e entrar em contacto com clientes, bem como acompanhar as contas do jogo ilícito.

      Cheong Chi Kin referiu ontem em julgamento que as suas actividades de jogo paralelo “não têm nada a ver com o grupo Suncity”, e que trabalhava como colaborador da promotora de jogo nas salas VIP da empresa de ‘junkets’, acrescentando ainda que a relação que tinha com Alvin Chau era apenas de amizade.

      Perante as acusações do Ministério Público (MP) acerca da sua alegada ligação com o antigo líder da Suncity na exploração ilícita de jogo, Cheong Chi Kin confessou ter pedido ajuda a Alvin Chau em 2013 na introdução de uma fonte de clientes.

      “Alvin Chau tinha conhecimento dos meus negócios privados, mas ele não faz isso, portanto disse-me para esperar que ele me apresentasse clientes das suas salas VIP que quisessem jogar assim, e o senhor Chau aceitou”, disse, em resposta às perguntas das autoridades. “Não é um problema de aceitar ou não, porque havia muitas pessoas a praticar jogo paralelo em Macau”, prosseguiu. Recordou ainda que no passado ocorreram situações em que a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) e seguranças de casino expulsavam gente por haver até 30 pessoas numa suite da sala VIP, onde alegadamente se praticavam apostas paralelas.

      Cheong Chi Kin revelou ainda que os 6.º e 7.º arguidos, Chau Chun Hee e Lou Seak Fong, eram membros das empresas que criou e estavam relacionados com as apostas paralelas.

      Na audiência de ontem, o MP mostrou várias instâncias de escutas e registos de comunicação entre Cheong Chi Kin e outras pessoas, em que um membro da equipa escreveu nos detalhes de conta que o “Irmão Wa informa para começar o jogo paralelo a partir de 1 de Fevereiro”. Ao ser questionado se o “irmão Wa” seria Alvin Chau, Ckeok Wa, Cheong Chi Kin disse que não sabia, e que a tabela era feita por parte da contabilidade.

      As autoridades exibiram ainda mensagens trocadas entre Cheong Chi Kin e Alvin Chau, onde Cheong Chi Kin apelidava o ex-chefe da Suncity de “patrão”, notificando-o, enquanto subordinado, das situações operacionais do jogo paralelo, nomeadamente as alegadas partilhas de lucros das apostas paralelas, levantamento de dinheiro e informações de clientes jogadores.

      Nesse sentido, o réu salientou que “muitas pessoas em Macau também chamam o senhor Chau de ‘patrão’”, e “estava apenas a pedir o seu aconselhamento, uma vez que Chau sabia o estado financeiro dos clientes”.

      Cheong Chi Kin pediu também no julgamento para não falar sobre os detalhes de uma das suas empresas. “Esta sociedade existe há muito tempo, houve diferentes sócios em diferentes períodos, não quero envolver tanta gente pelo que opto por não responder”, assinalou.

      Voltando a negar a relação do jogo paralelo ao grupo Suncity, Cheong Chi Kin assumiu ter pedido a Celestino Ali, amigo e também chefe do departamento informático da empresa de ‘junkets’, para tratar o sistema operativo Opsman semelhante ao da Suncity para registar os dados do jogo paralelo. Declarou que pagou mais de 100 mil patacas para a criação do sistema.

      Celestino Ali está acusado de eliminar “conteúdos sensíveis” e alertou os funcionários para “terem cautela”, de forma a ocultar os jogos ilegais da DICJ durante os exames anuais. Explicou ainda na sessão que não tinha competência técnica para apagar as informações no sistema, cujo acto “só podia ser realizado pelas empresas responsáveis em Hong Kong e na China”.

      Por outro lado, num esclarecimento no início da audiência ontem no Tribunal Judicial de Base, Alvin Chau realçou que não conhecia o sistema operacional com conteúdo ilícito, indicando que todos os sistemas da Suncity, quer antigos, quer novos, “eram incompatíveis com os dados do jogo paralelo”. O antigo líder da empresa de ‘junkets’ afirmou ainda não ter pedido a Celestino Ali para fornecer o sistema a Cheong Chi Kin, e que nunca tinha estado presente em encontros entre os dois.