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      Início Grande China Empresas europeias forçadas a reduzir e isolar operações na China

      Empresas europeias forçadas a reduzir e isolar operações na China

      As empresas europeias estão a ser forçadas a “reduzir, localizar e isolar” as operações na China, à medida que o país perde atractividade como destino de investimento, advertiu ontem a Câmara de Comércio da União Europeia.

       

      A avaliação sobre a China é de longe a mais pessimista desde a fundação da entidade, em 2000, lê-se no relatório, que cita a campanha regulatória lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, sobre o sector privado, e a aplicação de medidas de confinamento e bloqueios altamente restritivos, no âmbito da política de ‘zero casos’ de covid-19.

      “A ideologia está a sobrepor-se à economia”, disse Jörg Wuttke, presidente da câmara de comércio. “A previsibilidade está a ser abalada por mudanças políticas frequentes e erráticas, principalmente quando se trata do combate à pandemia. A política de ‘zero casos’ é um fardo real para a economia”, acrescentou.

      A organização alertou que o “envolvimento das empresas europeias [na China] não pode mais ser dado como certo”, acrescentando que a China está a perder rapidamente o “fascínio como destino de investimento” e que a China e a União Europeia se estão a “afastar cada vez mais”.

      O alerta foi emitido numa altura em que a UE reavalia a relação económica e política com a China. Bruxelas e Pequim chegaram a um impasse na aprovação de um acordo comercial, após a imposição de sanções, devido à detenção em massa de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur, na região chinesa de Xinjiang. O representante da UE, Josep Borrell, descreveu a cimeira anual, realizada em Abril, como um “diálogo de surdos”.

      Bruxelas está a preparar uma série de ferramentas de retaliação contra parceiros comerciais que bloqueiam o acesso de empresas europeias aos seus mercados. Estas medidas devem visar sobretudo a China, que é acusada de usar frequentemente coerção económica, visando avançar com objectivos geopolíticos. “As discussões antes concentravam-se, sobretudo, em oportunidades de investimento (…), agora estão focadas na resiliência das cadeias de fornecimento, nos desafios para os negócios e na gestão dos riscos de danos reputacionais”, afirmou a câmara europeia.

      A política de ‘zero casos’ de covid-19 tornou quase impossível visitar a China e levou a um êxodo de funcionários estrangeiros. Desde o início da pandemia do novo coronavírus, nenhuma nova empresa da UE entrou no mercado chinês, segundo a câmara de comércio. Wuttke observou que a sua última viagem para fora da China foi em fevereiro de 2020, mas disse que espera visitar a Alemanha, de onde é nativo, no final do ano. “Já está na hora”, disse ele. “Não vejo os meus filhos [mais velhos] há dois anos e meio”, explicou.

      Na primeira metade deste ano, o isolamento de Xangai, a “capital” financeira do país, e de importantes cidades industriais como Changchun e Cantão, tiveram forte impacto nos setores serviços, manufatureiro e logístico. “A China não é o destino de fornecimento estável que costumava ser”, disse Wuttke. “Foi uma pedra sólida, [mas] o bloqueio de Xangai [em Abril e Maio] foi um choque para as nossas empresas e para a economia global”, frisou.

      O receio de que surjam mais interrupções nas cadeias de fornecimento e, em menor grau, a perspetiva de que a China invada Taiwan, levaram as empresas a diversificar fornecedores e a redirecionar investimentos. As empresas estão a avaliar como trazer a produção para casa ou para países aliados.

      A invasão russa da Ucrânia e as sanções subsequentes também suscitaram preocupação entre as empresas da UE, que temem que os seus investimentos na China sofram, caso Pequim invada Taiwan. Num inquérito realizado pela câmara europeia, em abril, um terço dos entrevistados disse que a guerra na Ucrânia tornou a China um destino de investimento menos atraente. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau