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      Casa da Literatura de Macau destaca poetas portugueses Camões e Pessanha  

      Abriu ao público na zona do Tap Seac no passado sábado, mas para ela ainda estão reservadas inúmeras novidades num futuro próximo. A Casa de Literatura de Macau revela manuscritos originais de autores ligados à cidade, incluindo diversos autores portugueses. A presidente do Instituto Cultural considera que o projecto é, acima de tudo, “um espaço para a promoção da literatura”.

      A Casa da Literatura de Macau foi inaugurada no passado sábado na zona do Tap Seac. O PONTO FINAL foi visitar as instalações que incluem duas zonas de exposições (uma permanente e outra temática temporária), uma biblioteca com uma sala de leitura de livros infantis e ainda uma sala multimédia.

      Ao entrarmos na casa, à direita fica a biblioteca e uma zona de leitura, com livros infantis. Se optarmos por virar à esquerda entramos na sala de exposição permanente, onde podem ser visualizadas algumas das obras e dos manuscritos originais de vários escritores influentes e poetas chineses e portugueses. Aqui, o Instituto Cultural (IC) – que é a entidade promotora da iniciativa – presta homenagem a diversas personalidades literárias com especial enfoque nos portugueses Luís de Camões (1524-1580), que alguns historiadores acreditam ter passado por Macau, e Camilo Pessanha (1867-1926), expoente do “simbolismo” que viveu quase 30 anos no território, onde veio a falecer.

      Mas também sobre autores chineses como Tang Xianzu (1550-1616), conhecido como o Shakespeare chinês, cuja maior obra, “O Pavilhão das Peónias”, inclui uma cena inspirada em Macau, e o poeta e pintor Wu Li (1632-1718), que se tornou um dos primeiros padres jesuítas chineses, após estudar no Colégio de São Paulo, em Macau, também ele pintor e calígrafo.

      Apesar de ter nome de rua no território e ter tido uma nota de 500 patacas com a sua imagem, Venceslau de Morais passou ao lado da proposta do IC para a Casa da Literatura de Macau. Aqui viveu durante 13 anos, tendo formado família no território. Foi imediato da capitania do Porto de Macau e professor do Liceu de Macau, mas a obra do escritor português em destaque na Casa da Literatura de Macau resume-se a muito pouco. “Não se pode pôr todos. Isto tem tudo a ver com processos de reflexão e gestão de espaços. Venceslau de Morais, sim, mas há outros. Para começar, penso que está bem. Camões e Pessanha são as duas figuras de proa. Penso que, nesta primeira fase, está muito bem, disse ao PONTO FINAL o arquitecto Carlos Marreiros, membro do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural, que esteve presente na cerimónia de corte de fita no dia da inauguração.

      Ainda na mesma sala, a Casa da Literatura presta homenagem aos autores locais nas línguas portuguesa e chinesa, bem como em patuá. Henrique de Senna Fernandes, Deolinda da Conceição, José “Adé” dos Santos Ferreira e Luís Gonzaga Gomes são os autores macaenses em destaque numa parede que, para além de algumas capas de livros, tem fotografias, recortes de jornais e até produtos filatélicos alusivos. Do lado chinês, também num espaço dedicado, estão em destaque o poeta F. Hua Lin ou a Associação dos Escritores de Macau.

      Ao fundo, dezenas de capas de livros sobre Macau, não apenas literários, escritos em português, chinês e inglês, adornam a parede da sala de alto a baixo. Maria Ondina Braga, Maria Anna Acciaioli Tamagnini, Rogério Beltrão Coelho, António Correia, Carlos Morais José, Fernanda Dias, Yao Feng, António Torrado, Cecília Jorge, Kit Kelen, António Mil-Homens, Luís Ortet, Fernando Sales Lopes, Shee Va, Austin Coates, António Conceição Júnior, entre muitos outros nomes, merecem uma menção. “Constitui uma representação global da constante evolução da literatura local passando pelo seu passado, presente e futuro, permitindo ao público descobrir e sentir o património literário da cidade”, explicou o IC em nota de imprensa.

      “Muitos mais deverão ser acrescentados para que o espaço cresça em termos de conteúdo. Existe uma parte contemporânea dos autores de locais que se desconhece e que produz muito. É espantoso como uma terra tão pequena teve e tem tantos autores. Agora, os autores contemporâneos têm de aparecer, participar e divulgar. Doar livros, manuscritos, autógrafos e outros itens à casa, para que esta cresça em qualidade e quantidade”, considerou Carlos Marreiros ao nosso jornal.

       

      TERTÚLIAS E MUITO MAIS

       

      Subindo ao andar de cima podemos encontrar duas salas. Uma é reservada a exposições temáticas temporárias, onde, num canto, existem jogos multimédia e dispositivos interactivos, e outra é uma sala multimédia que será disponibilizada a associações e residentes para acolher actividades culturais como palestras ou exibição de filmes.

      Neste momento, na sala de exposições temáticas encontra-se patente uma exposição sobre a “Colecção Casa da Literatura de Macau”, apresentando várias colecções publicadas pelo IC. A colecção tem três séries distintas: a Série de Documentos, a Série de Obras Literárias e a Série de Estudos e Crítica Literária. “A casa não é grande, mas pode e deve ser bem aproveitada. Espero, sinceramente, que o espaço multimédia seja também lugar de tertúlia, reunião e troca de impressões entre autores. Os autores locais têm de usar aquele espaço. Há que dinamizar bem toda a casa. E não esquecer que quando o clima melhorar um pouco, também o jardim da casa pode ser usado”, notou ainda Carlos Marreiros.

      A nova infra-estrutura cultural na cidade, além de acolher “um variado leque” de exposições e eventos, tem também como objectivo “organizar intercâmbios e fomentar a investigação”. “Queremos que seja um espaço para a promoção da literatura”, afirmou a presidente do IC, Leong Wai Man, durante uma apresentação do projecto no Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural, no passado mês de Junho.

      Recorde-se que o projecto da Casa de Literatura de Macau foi originalmente proposto em 2014 pelo então presidente do IC, Guilherme Ung Vai Meng, e a inauguração estava inicialmente prevista para 2018. Depois, no final de 2016, o então vice-presidente Chan Peng Fai afirmou à comunicação social que a casa já havia recebido, através de doação, mais de 2.900 peças ou conjuntos, que agora estão disponíveis para o público.

      Até 15 de Outubro, a Casa da Literatura de Macau – situada num edifício de dois pisos construído no início do século XX com características arquitectónicas típicas de estilo português – está a distribuir materiais promocionais aos visitantes, incluindo cartões postais, capas de documentos, bloco de notas e conjuntos de marcadores de livros para incentivar a visita do público. A entrada é livre.