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      InícioGrande ChinaOcidente critica na ONU perseguição chinesa à minoria uighur em Xinjiang

      Ocidente critica na ONU perseguição chinesa à minoria uighur em Xinjiang

      O Reino Unido, EUA e União Europeia manifestaram ontem preocupação, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, perante as conclusões do recente relatório sobre a perseguição do regime chinês à minoria uighur em Xinjiang.

       

      “Este Conselho não pode ficar calado quando uma minoria étnica está sendo atacada de forma tão brutal”, disse a delegação britânica no Conselho – numa sessão sobre os Direitos Humanos no mundo, mas onde o tema de Xinjiang foi o mais discutido – pedindo a Pequim para que permita a entrada de observadores internacionais para investigar os abusos.

      O relatório – divulgado pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, no último dia do mandato de Michelle Bachelet – “apresenta provas críveis dos esforços da China para silenciar e reprimir os uighures e outras minorias na região, incluindo actos que podem ser crimes contra a humanidade”, recordou a delegação britânica. “A China deve fornecer acesso a especialistas para verificar as conclusões” do relatório, que, segundo o representante britânico, fala de prisões arbitrárias, torturas, esterilizações e abortos forçados ou destruição de locais de culto, entre outros possíveis crimes.

      Outras delegações, como a da República Checa, em nome da União Europeia, também manifestaram preocupação com as conclusões do relatório e pediram às autoridades chinesas que colaborem com o Alto Comissariado da ONU – sob a nova direcção do austríaco Volker Turk – para aplicar as recomendações finais do documento.

      A França recomendou uma “monitorização de perto” pela ONU da situação em Xinjiang, enquanto os Estados Unidos simplesmente indicaram que “tomam nota” das conclusões do relatório.

      A delegação chinesa – que é um dos actuais 47 membros do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas – reiterou as críticas ao relatório, alegando que foi baseado em “informações falsas e conclusões erradas”. “É mais um exemplo de como os instrumentos de Direitos Humanos são utilizados pelos países ocidentais”, afirmou a delegação chinesa, que qualificou de “inaceitável” que o Alto Comissariado liderado por Bachelet até 31 de Agosto tivesse procurado, por um lado, a cooperação com Pequim e, por outro lado, o “confronto deliberado”.

      Às críticas feitas pela China ao relatório juntaram-se outros membros atuais do Conselho, como a Venezuela, Bolívia ou Cuba, que consideraram o documento “tendencioso” e sem qualquer utilidade, por não ter sido validado pelo país envolvido.

      No lado dos países observadores, a Rússia – que este ano foi expulsa do Conselho por causa da invasão da Ucrânia – afirmou que o relatório sobre Xinjiang marca um “momento de politização sem precedentes” numa instituição que, ao denunciar a situação na China, ignora “os abusos na Europa, nos EUA e em outros países ocidentais”.

      O facto de nenhum país de maioria muçulmana no Conselho ter feito qualquer menção ao relatório foi surpreendente, apesar de este denunciar ataques sistemáticos das autoridades chinesas a povos com esse credo, na região de Xinjiang, incluindo os uighures.

      A invasão russa da Ucrânia, a falta de progresso na investigação às explosões ocorridas no porto de Beirute em 2020 ou a questão palestiniana foram outros temas discutidos na sessão do Conselho. Várias delegações aproveitaram a sessão de ontem para expressarem a sua gratidão a Bachelet pelos seus quatro anos à frente do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU, desejando felicidades a Volker Turk, que lhe sucederá. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau