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      Queda da antiga muralha deveu-se a defeitos estruturais e inspecção ineficaz, diz relatório  

      O relatório da investigação realizada pelo Laboratório de Engenharia Civil de Macau apurou que a estrutura incompleta da parede de contenção e a terra solta foram os motivos principais da queda da antiga muralha da cidade, ocorrida no dia 10 de Junho na Estrada de São Francisco. Entre outros factores, as chuvas intensas e falta de um sistema de drenagem fizeram com que o solo do local tivesse menos resistência. A análise indicou ainda que houve falhas de inspecção e supervisão ineficaz da segurança da muralha durante a execução das obras em redor.

       

      O deslizamento de terras na Estrada de São Francisco em Junho, que levou ao desmoronamento de uma parte da antiga muralha da cidade, resultou de uma combinação de vários factores, como os defeitos estruturais na parede de contenção da muralha, falhas de inspecção e a chuva intensa. Foi essa a conclusão do relatório sobre o incidente, divulgado pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), três meses após a ocorrência.

      A investigação foi conduzida pelo Laboratório de Engenharia Civil de Macau (LECM), tendo analisado as amostras de solo do local, bem como as informações das obras de construção de dois empreendimentos próximos da muralha. O relatório concluiu que a parede de contenção da muralha foi o primeiro local a ser danificado e o principal factor do incidente.

      O documento denunciou ainda defeitos de estabilidade deste bem imóvel classificado de Macau, bem como a falta de protecção durante o arranque das obras em redor, apesar do Instituto Cultural (IC) ter afirmado, mesmo após a queda da muralha, que não houve qualquer anormalidade nos dados de monitoramento do local.

      De acordo com o relatório, os registros fotográficos feitos em redor mostram que a parede de contenção da muralha e o respectivo muro de suporte já tinham revelado anteriormente estruturas incompletas e blocos de pedra soltos. Além disso, a parede de contenção não possui um sistema de drenagem adequado, o que representa um perigo oculto para o estado estável da muralha, refere o relatório.

      O documento apurou ainda que quando ocorreu o incidente, os estaleiros estavam a executar obras, pelo que as vibrações geradas pelas máquinas de perfuração de estacas espalharam-se de forma subterrânea. Nesse sentido, a transmissão da vibração mecânica terá sido uma das causas para tornar o solo do local mais solto.

      “As chuvas intensas nos dias 7 e 8 de Junho penetraram a superfície aberta no solo abaixo da antiga muralha da cidade e atrás da parede de contenção. Devido à baixa permeabilidade à água do solo e à falta de uma rede de drenagem aperfeiçoada para a parede de contenção, a água acumulada infiltrada no solo não pôde ser descarregada a tempo, resultando em maior teor de água no próprio solo, maior pressão aquática e menor resistência do solo”, pode ler-se no relatório.

      Recorde-se que o deslizamento de terras ocorreu no dia 9 de Junho, tendo causado a queda de uma parte da antiga muralha, e várias fracções do Edifício Ka On Court sofreram danos graves. Na muralha foi verificada uma fissura com cerca de 10 metros de comprimento no troço. Tendo em conta “o estado instável e em risco de desabamento”, a DSOP e o IC decidiram posteriormente proceder à demolição urgente da parte da muralha antiga, justificando a emergência consagrada no Código do Procedimento Administrativo, mesmo sem despacho do Chefe do Executivo.

       

      EXECUÇÃO DAS OBRAS PESOU

       

      Além dos problemas estruturais e do solo, o relatório salientou que a execução simultânea das duas obras em redor, incluindo o corredor paisagístico do Edifício de Especialidade de Saúde Pública do Centro Hospitalar Conde de São Januário e um projecto de construção privada da empresa Kin Pang, atribuiu um risco de segurança para a parede de contenção da muralha.

      Um relatório ambiental realizado antes do arranque da referida construção privada já tinha revelado perigos de integridade e estabilidade da muralha, pelo seu muro baixo de suporte “não possuir função de apoio”.

      “No entanto, a empresa Kin Pang demoliu o muro baixo sem uma análise do impacto na parede de contenção da muralha. O estado estável original da parede mudou, aumentando, assim, o risco de instabilidade. Ao mesmo tempo, após a demolição do muro, devem ser instalados sistemas necessários e adequados para monitorar a parede de contenção para a respectiva observação contínua”, alerta o relatório.

      O monitoramento ineficaz foi também culpa dos andaimes de camada dupla no estaleiro, colocados na superfície da antiga muralha da cidade. O organismo destacou que tal medida impossibilitou que o pessoal observasse directamente o impacto das chuvas ou da construção do local na muralha e na parede de contenção, e avaliasse a estabilidade de forma imediata.

      Relativamente à obra pública hospitalar, o relatório referiu que não tinha sido realizada uma análise da rede de drenagem e da protecção do solo antes da escavação e aterro da obra. “A antiga muralha da cidade está localizada dentro dos limites do edifício hospitalar. Antes do início da obra não houve investigação do tamanho e estrutura da muralha, bem como da segurança e integridade das montanhas e paredes de contenção, nem foram tomadas medidas de protecção e colecta e drenagem de águas pluviais”, asseverou o relatório.

       

      PONTO FINAL