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      Pequim tentará desviar atenções de crimes contra a humanidade na AG da ONU, dizem analistas

       

      A China vai mobilizar todos os esforços para que as acusações de crimes “contra a humanidade” e tortura que recaem sobre Pequim não ganhem destaque na 77.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, segundo analistas contactados pela Lusa.

       

      “A China encetará todos os esforços para que as acusações que lhe recaem sobre Xinjiang não assumam uma centralidade ao mesmo nível da guerra na Ucrânia, mas é expectável que, tal como no ano passado, se venha a verificar uma contabilização de quantos países aproveitarão os seus discursos oficiais para se juntarem num esforço de condenação coletiva”, disse, em declarações à Lusa, Pedro Seabra, investigador no Centro de Estudos Internacionais do Instituto Universitário de Lisboa (CEI-Iscte).

      Em causa está um relatório da ONU sobre a província de Xinjiang (no noroeste da China) – divulgado recentemente e no fim do mandato da Alta Comissária para os Direitos Humanos Michelle Bachelet, que cessou funções a 31 de agosto – que apontou possíveis “crimes contra a humanidade” e mencionou “provas credíveis” de tortura e violência sexual contra a minoria muçulmana uigur e membros de outros grupos étnicos, pedindo a intervenção da comunidade internacional.

      Salientando que Assembleia-Geral da ONU é o órgão por onde circulam agendas humanitárias e de direitos humanos, Rafael Mesquita, professor no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco, no Brasil, disse à Lusa que este assunto poderá surgir e ser abordado no decorrer da 77.ª sessão. Contudo, o investigador brasileiro frisou que a China possui hoje “uma capilaridade e um peso no sistema” da ONU “fortes o suficiente para conseguir mobilizar um apoio bastante sonoro em sua defesa”.

      Já Richard Gowan, especialista no sistema das Nações Unidas, Conselho de Segurança e em operações de manutenção da paz, admitiu que os Estados Unidos e os países europeus poderão eventualmente referir-se a Xinjiang nos seus discursos, acreditando, no entanto, que irão querer focar a maioria das suas críticas à Rússia, sobrando menos espaço para Pequim.

      Por outro lado, Sarah Cliffe, directora do Centro de Cooperação Internacional da Universidade de Nova Iorque, acredita que relatório de Bachelet simplesmente “não será abordado directamente” na 77.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU. “O relatório não será abordado. A China pode responder indiretamente por essas acusações através de outros mecanismos como o 5.º Comité – que é responsável pelo orçamento da ONU – como forma de resposta ao relatório e ser-lhe recomendados cortes orçamentários para questões de Direitos Humanos”, disse à Lusa a analista.

      Apesar de avaliar que não será um tema central no evento da ONU, Sarah Cliffe observou que o relatório “não deixa de ser importante” porque “teria sido visto pelas vítimas e sobreviventes como uma traição pela ONU se as alegações de abusos generalizados não fossem abordadas pela Alta Comissária antes de deixar o cargo, especialmente após a sua visita” à China em maio deste ano. Lusa

       

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      Redacção do Ponto Final Macau