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      Académicos querem estabilização económica e menos impacto das medidas antiepidémicas nas LAG  

      Em antecipação das Linhas de Acção Governativa para o próximo ano, vários especialistas e académicos da Universidade de Macau salientaram que as futuras políticas de Macau devem concentrar-se em mitigar o problema do desemprego e diminuir o impacto das medidas antiepidémicas na população. Os participantes de um seminário realizado na quarta-feira abordaram ainda a necessidade de desenvolver serviços sino-lusófonos, bem como reforçar os cuidados de saúde mental da comunidade.

       

      A estabilização da economia e do bem-estar da população, as medidas antiepidémicas e a capacidade de lidar com situações de emergência são elementos que devem ser essenciais nas Linhas de Acção Governativa (LAG) para o próximo ano, defenderam académicos e especialistas locais num seminário online realizado na quarta-feira pelo Centro de Estudos de Macau da Universidade de Macau (UM). A reunião, intitulada “Perspectivas sobre as LAG para o Ano Financeiro de 2023”, foi presidida por Agnes Lam, directora do centro.

      No ponto de vista de Lei Chun Kwok, professor auxiliar da Faculdade de Gestão de Empresas, Macau vai continuar, num futuro breve, a ser afectado pelo desemprego, subemprego e recessão económica. Nesse sentido, é necessário o Governo lançar mais políticas favoráveis a trabalhadores, criando mais postos de emprego e de estágio de curto duração, e fornecer subsídios salariais, para que a taxa de desemprego seja diminuída. O professor, no âmbito de incentivo da economia local, espera por mais facilidades na circulação transfronteiriça, para voltar a atrair mais visitantes do interior da China.

      Siu Chi Sen, professor associado da mesma faculdade, afirmou que as mudanças económicas e políticas globais estão a perturbar muito a cadeia de abastecimento mundial, pelo que as autoridades devem “acompanhar de perto as mudanças nos preços, inflação e taxas de juro, tomando medidas imediatas de resposta para prestar apoio às microempresas, de modo a mitigar o desemprego”.

      Recorde-se que desde o início da pandemia que a taxa de desemprego dos residentes em Macau tem vindo a subir, tendo marcado um recorde de 5,4% entre Maio e Julho deste ano, A taxa de subemprego, por sua vez, disparou em 10,4%, para 15,5%, entre os residentes.

      Samuel Tong, presidente do Instituto de Gestão de Macau, realçou que a política do Governo deve focar-se no restabelecimento da confiança do mercado e estabilização do mercado do jogo e do turismo. “As autoridades precisam de adoptar uma política fiscal proactiva para atrair investimento empresarial”, salientou.

      Kwan Fung, professor assistente na Faculdade de Ciências Sociais, sugeriu o estabelecimento de um mecanismo permanente de prevenção e controlo de pandemia, permitindo que os residentes, investidores e a sociedade possam prosseguir os seus planos, com menos impactos negativos na sua vida.

      Por outo lado, Yao Jingming propôs que seja acelerado o desenvolvimento das indústrias não-jogo, preservando e aproveitando as características culturais únicas de Macau. O director do departamento de Português da UM assinalou as semelhanças nos sistemas jurídicos de Macau e dos países lusófonos, destacando assim a possibilidade de Macau explorar a prestação de serviços de consultoria jurídica bidireccional entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o que pode gerar mais oportunidades de emprego.

      No mesmo seminário, Paul Pun, secretário-geral da Caritas, referiu estar atento ao bem-estar dos idosos e dos trabalhadores não-residentes (TNR). “O Governo deve reforçar os serviços para seniores, incluindo uma organização habitacional melhorada para que mais idosos que vivem em prédios antigos possam receber o apoio adequado”, observou.

      O responsável notou que muitos TNR estão a trabalhar como empregados domésticos em Macau, pedindo, desta forma, mais cuidados de saúde psicológica e física para este grupo. Recomendou ainda a criação de uma equipa de resposta de emergência para fazer face a situações inesperadas na comunidade.

      Por sua vez, Chan Kin Sun, professor assistente da Faculdade de Ciências Sociais, disse que o Executivo deve “enfrentar directamente os sentimentos de impotência dos residentes” em relação às suas perspectivas de futuro, sendo que a comunicação e interacção entre o Governo e a comunidade devem ser reforçadas. Xu Jianhua, académico da Sociologia, mostrou-se preocupado com o aumento acentuado dos casos de suicídio em Macau. “Até final de Agosto houve 47 suicídios e mais de 100 casos com intenção de suicídio. O Governo tem de aliviar o stress dos grupos desfavorecidos na governação futura”, alertou.

       

      PONTO FINAL