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      Coutinho diz que abstenção recorde das últimas eleições se deveu ao desinteresse dos jovens

      Nas eleições legislativas que se realizaram no ano passado, a taxa de abstenção bateu o recorde. Mais de 57% dos eleitores não foram às urnas. Na opinião de Pereira Coutinho, isto deveu-se ao desinteresse dos jovens. O deputado pediu medidas ao Governo para incentivar os jovens a participar na vida política da região. Recorde-se que nas últimas eleições legislativas, as autoridades afastaram da corrida todos os candidatos democratas.

      “Alto índice de abstenção nas eleições para a assembleia legislativa: Desinteresse jovem ou ausência de estratégia política?”. É este o título da interpelação escrita enviada por José Pereira Coutinho ao Governo, em que pede medidas às autoridades para reverter a desmotivação dos jovens face àvida política da região.

      Nas eleições do ano passado, recorde-se, registou-se uma taxa de abstenção histórica em Macau, de mais de 57%. Na altura, quando questionada sobre a situação, a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) justificou o facto com a epidemia e com o mau tempo que se registou durante a manhã naquele dia. As eleições ficaram marcadas pela desqualificação de dezenas de candidatos, na sua maioria da ala democrata.

      Para Coutinho, a taxa de abstenção está relacionada com o desinteresse dos jovens e dos cidadãos, de forma geral, pelas questões referentes aos trabalhos da Assembleia Legislativa (AL). O deputado culpa a “opacidade das suas comissões, e crónica falta de transparência, que resultam num desconhecimento por parte dos cidadãos de assuntos que, frequentemente, estão relacionados com os seus legítimos interesses”.

      “Este desinteresse generalizado estende-se a muitas escolas secundárias, e de ensino superior, que têm demonstrado um profundo alheamento pela educação política, e cívica, desincentivando a participação dos alunos nos trabalhos da Assembleia Legislativa”, afirma.

      O presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) alerta que a ausência de envolvimento dos jovens na vida política “terá consequências desastrosas na preparação e futura renovação de quadros, e no progresso e desenvolvimento social colectivo, onde a falta da sua representatividade irá contribuir para um maior afastamento da sociedade dos assuntos políticos, que se reflectirá na carência de novas ideias para os desafios futuros do território”.

      Assim, o deputado eleito pela via directa pede a aposta na educação política dos jovens de Macau. Educação essa que deverá, na opinião de Coutinho, ter como objectivo a preparação dos jovens para assumir cargos de responsabilidade, como instrumentos de transformação social. “Os jovens, independentemente do seu substrato social, não podem ficar arredados das discussões que envolvam o seu futuro”, salienta.

      Pereira Coutinho pergunta, então, se o Governo tem medidas concretas programadas, a nível secundário e universitário, que visem aumentar o interesse dos jovens pela política. Por outro lado, o deputado interroga  quais as acções concretas a serem implementadas que permitam aos jovens adquirir conhecimento sobre os assuntos eleitorais, “permitindo-lhes compreender o processo da organização de debates, formação de listas candidatas à eleição de deputados, campanha eleitoral e a eleição dos deputados, bem como a importância dos seus direitos, e deveres cívicos, quer por via de formação, simulação dos plenários, das comissões de trabalho e das diversas comissões especializadas de acompanhamento da Assembleia Legislativa, sensibilizando-os assim sobre os benefícios do seu envolvimento cívico, e aumentando a sua participação e interesse por assuntos políticos”.

      Por último, Coutinho sugere a criação de um Parlamento Jovem nas escolas e universidades, públicas e privadas, de forma a “promover a educação para a cidadania, estimulando o gosto pela participação cívica, e política, e dando a conhecer o funcionamento interno da Assembleia Legislativa, e as regras do debate parlamentar, promovendo o debate e o respeito pela diversidade de opiniões, desenvolvendo assim o espírito crítico e a capacidade de diálogo”.

      PONTO FINAL