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      ANIMA recebeu 20 pedidos de ajuda por dificuldades de viagem de animais para Portugal

      Durante o surto no território dos últimos dois meses, a ANIMA recebeu 20 pedidos de ajuda feitos porportugueses que não conseguiram ou tiveramdificuldades em levar os seus animais de estimação para Portugal. Segundo apurou o PONTO FINAL, o custo de viagem aumentou bastante durante este período e houve falta de lugares nos voos devido à pandemia. Associação de Protecção dos Animais Abandonados lamentou que a pressão financeira causada pelo surto tenha levado mais cidadãos a optar por entregar os seus animais de estimação às associações voluntárias, revelando que tem havido cada vez menos patrocíniopara os animais.

      A Sociedade Protectora dos Animais de Macau (ANIMA) recebeu nos últimos dois meses 20 casos de pedidos de ajuda de cidadãos portugueses relativamente à dificuldade ou impossibilidade de transporte dos seus animais de estimação na viagem de regresso para Portugal devido à falta de lugares nos voos, bem como ao custo demasiado elevado doprocedimento por causa do surto epidémico.

      Para além de ter acolhido mais animais abandonados e vadios nas suas instalações durante o surto de Covid-19 no território, a ANIMA revelou ao PONTO FINAL que recebeu em Junho e Julho mais pedidos de ajuda oriundos da comunidade portuguesa a pedir o acolhimento de animais, uma vez que “os bilhetes de avião tornaram-se muito caros devido à pandemia enão há possibilidade de os proprietários levarem consigo os animais de estimação para casa no estrangeiro”.

      Zoe Tang, presidente da ANIMA, destacou que a situação é uma “grande tristeza”. “Recebemos por volta de 20 casos semelhantes nos últimos dois meses, nunca tinha acontecido antes da pandemia. Basicamente ninguém estava preocupado com o processo de viagem com animais devido a essesproblemas, como o elevado custo de bilhetes de voo ou falta de lugares no avião”, lamentou.

      De acordo com a responsável, a pandemia impôs bastantesobstáculos para as viagens dos animais dado que a ligação aérea sofre sempre alterações, e cada companhia aérea tem diferentes políticas para animais.

      Agora o processo de transporte de animais por cargueiro pode custar 100 mil patacas. E às vezes é também difícil trazer directamente o animal para a cabina de avião, porque os donos poderão ter de trazer crianças e não conseguem levar osanimais para Portugal”, salientou.

      A activista da ANIMA frisou que entende que é difícil exigir a todos os donos pagar um custo tão elevado para a viagem, mas se for por esta razão é uma pena. Os animais abandonados vão estar cheios de medo porque não se habituam a mudanças de ambiente e hábitos de vida. É muito triste”, disse.

      Zoe Tang indicou que a ANIMA, apesar de já ter 400 cães e muitos gatos, está sempre a tentar salvar mais animais no Canil Municipal, onde tem espaço limitado, e alguns animais capturados vão acabar por ser abatidos caso ninguém os queira adoptar. “Devido à pandemia houve muito menos adopções no canil, mas o número de cães e gatos capturados continua a subir”, referiu Tang. Alguns podem estar com mau temperamento apenas porque não têm confiança no ser humano. Todos animais são iguais e merecem ser adoptados”, reiterou.

      A Associação de Protecção dos Animais Abandonados (AAPAM) também recebeu mais animais recentemente. O grupo ajudou a acolher mais animais no canil porque estava a reservar mais espaços para prestar serviços de cuidados temporários dos animais de estimação aos donos em quarentena, mas também registou mais casos de abandono devido à pressão financeira exercida nos proprietários.

      “Alguns donos disseram que já não podem tomar conta dos animais por causa de problemas financeiros, ficando sem emprego e enfrentando dificuldades no dia a dia. Este tipo de casos aumentou muito recentemente”, afirmou Yoko Choi, fundadora da AAPAM.

      A também presidente da associação adiantou a este jornal que dez gatos foram entregues à AAPAM nos últimos dois meses, contudo, no passado, recebiam habitualmente apenas um gato por mês.

      Quanto ao programa de padrinhos de animais, Yoko Choi referiu que há actualmente menos pessoas a patrocinar os bichos por má perspectiva da economia. Segundo Yoko, a situação não surgiu apenas nestes últimos meses, mas sim desde o início da pandemia, sendo que o número de padrinhostem registado uma diminuição contínua.

      “Estamos também desiludidos e a enfrentar falta do espaço e de pessoal de cuidados. O canil também está sempre cheio, alguns têm de ser abatidos para libertar mais espaço porque animais vadios e abandonados na rua todos os dias”, lamentou.

      PONTO FINAL