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      PMEs preocupadas com redução de quotas para contratação de TNR  

      A saída de trabalhadores não-residentes (TNR) está a preocupar as pequenas e médias empresas (PME) devido à escassez de pessoal e baixa vontade dos locais em preencher determinados postos de trabalho. O sector da restauração, no qual cerca de 25% dos actuais TNR estão a trabalhar, mostrou-se mais preocupado pelo corte de quotas de contratação. Nesse sentido, as PME esperam que haja mais flexibilidade na aprovação de quotas em determinadas indústrias de modo a garantir recursos humanos suficientes para continuar o desenvolvimento dos respectivos sectores.

       

      Algumas pequenas e médias empresas (PME) manifestaram-se preocupadas com o corte das quotas para a contratação de trabalhadores não-residentes (TNR) por parte das autoridades, bem como uma eventual falta de mão-de-obra, nomeadamente para postos de trabalhos que exigem um horário mais prolongado e trabalho mais duro, como na restauração.

      A continuação do aumento da taxa de desemprego, que atingiu actualmente 4,8% entre os residentes, é uma das razões que levaram a sociedade a pedir a saída dos TNR e “devolver os empregos aos residentes”. No entanto, na perspectiva das PME, a limitação de quotas aprovadas para TNR poderá afectar a operação dos estabelecimentos comerciais, particularmente aqueles com pequena dimensão de negócio e que se localizam nas zonas habitacionais.

      “Quanto à redução da quota para TNR, os estabelecimentos de restauração são os mais afectados. É difícil para eles recrutarem pessoal com altos salários, e os postos implicam sempre um grande volume de trabalho que exige força física, e há cada vez menos locais que querem entrar nesta indústria”, adiantou um profissional do sector, em entrevista ao Jornal Ou Mun.

      Salientando que o sector tem vindo a apelar e querer mais residentes a prosseguir a carreira nesta área, o responsável destacou, entretanto, que a vontade de os jovens se dedicarem à restauração é muito baixa. “Antes ou depois do surgimento da pandemia, verifica-se uma falta de recursos humanos no sector”, lamentou. Frisou ainda que o Plano de abonos provisórios para o incentivo à contratação de residentes desempregados, lançado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), não atraiu muita participação na indústria da restauração devido à carência de candidatos.

      Para o profissional da restauração, o corte contínuo dos TNR é como “estrangular” a sua exploração de negócio, apontando que determinadas profissões, como cozinheiros, não são atraentes para os jovens. “Principalmente os cozinheiros de comida chinesa. Os alunos locais de restauração aprendem a cozinha ocidental, e não há talentos da cozinha chinesa no território”, exemplificou.

      Recorde-se que existem actualmente 162 mil trabalhadores não-residentes no território, entre os quais, 39 mil funcionários estão a trabalhar no sector de hotéis e restaurantes. O mesmo sector registou uma perda de recursos humanos não residentes de 2.500 pessoas na primeira metade deste ano, e 34 mil TNR saíram de Macau desde o início da pandemia.

      Citando os dados das autoridades, que indicam que o número da população desempregada na RAEM é de 13,9 mil pessoas, outro responsável das PME, que não se quis identificar, questionou: “Caso o Governo reduza as quotas e mande sair todos os 160 mil TNR do mercado, poderão os residentes sustentar o funcionamento de várias indústrias que estão a contratar TNR? A maioria dos desempregados actuais trabalhavam nas salas VIP, estarão dispostos para trabalhar na restauração, construção ou nos serviços domésticos?”.

      Relativamente à política de contratação de TNR, a DSAL assegurou que os trabalhadores locais têm prioridade no emprego, e “apenas quando não existem recursos humanos locais adequados ou suficientes é que os TNR serão considerados como um suplemento temporário”.

      O responsável espera que o Governo mostre mais flexibilidade com a quota aprovada para os TNR em certos postos de trabalho, lamentando que “os residentes não estejam dispostos a receber qualquer oferta de emprego e fazem sempre uma selecção”. “De facto, muitos TNR estão a fazer trabalhos que os residentes não querem fazer”, disse.

      Na sua opinião, as autoridades não devem diminuir directamente as quotas em geral, mas sim analisar os dados para calcular a escassez de mão-de-obra em diversos sectores. “Para os postos mais escolhidos pelos residentes, como no domínio de educação, finanças e trabalho administrativo, a quantidade de empregadores não residentes deve ser rigorosamente examinada e limitada, para as pessoas de Macau preencherem as vagas. Para outros, a quota de TNR deve ser devidamente relaxada”, salientou.

       

      PONTO FINAL