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      Ron Lam critica políticas antiepidémicas e pede ao Governo que se responsabilize  

      Numa interpelação escrita apresentada à Assembleia Legislativa, Ron Lam questionou as acções tomadas pelo Executivo em resposta ao recente surto, dizendo que as medidas antiepidémicas não foram implementadas oportunamente e tinham falta de fundamentos científicos. Face às eventuais falhas na formulação das medidas, Ron Lam quer a responsabilização das autoridades responsáveis. Além disso, o deputado entende que as autoridades devem seguir o plano nacional de prevenção da Covid-19, o que permitiria que Macau voltasse desde já à normalidade completa.

       

      Ron Lam lançou críticas aos trabalhos antiepidémcios do Governo durante este surto, acusando as medidas de não terem base científica. O deputado salientou a morosidade nas acções de prevenção e controlo de epidemia, bem como na retoma da normalidade na sociedade, após dez dias sem casos da infecção comunitária. O parlamentar solicitou, assim, uma investigação aos trabalhos e a responsabilização das autoridades competentes.

      “O desempenho dos trabalhos de combate epidémico do Governo no presente surto da Covid-19 tem sido insatisfatório, nomeadamente a demora na implementação do confinamento parcial, que apenas foi lançado após três semanas de surto; a gestão confusa das zonas vermelhas e dos testes de ácido nucleico; a insuficiência na fiscalização da observação médica no Hotel Parisian, que levou à infecção da equipa em circuito fechado e das pessoas em quarentena, o que causou mais contaminação comunitária”, apontou.

      Como consequência, Ron Lam, numa interpelação escrita apresentada ao Governo, questionou se o Executivo vai, eventualmente, proceder a uma investigação abrangente sobre os vários problemas que surgiram na abordagem antipandémica, e divulgar ao público o respectivo relatório.

      O deputado instou ainda as autoridades a fazerem uma auto-reflexão sobre os trabalhos internos e as situações irregulares que foram alvo de críticas por parte do público, de forma a encontrar respectivas soluções e, “se forem descobertas eventuais falhas ou erros de tomada de decisão, responsabilizar os funcionários e dirigentes envolvidos, de modo a evitar a repetição dos mesmos problemas no futuro”.

      Visto que os Serviços de Saúde reiteraram que a maioria das medidas são tomadas com a referência à nona edição do Plano de Prevenção e Controlo da Pneumonia do Novo Tipo de Coronavírus, divulgado pelo Conselho de Estado no mês passado, Ron Lam considera que Macau devia ter voltado à normalidade à meia-noite da passada terça-feira.

      “Foi, contudo, criado um chamado período de estabilidade de uma semana. As pessoas ainda estão obrigadas a apresentar resultado negativo de teste válido por três dias para entrarem em restaurantes, centros de explicações e casinos. Tudo isto impede que a sociedade regresse verdadeiramente ao normal”, lamentou.

      O também presidente da Associação da Sinergia de Macau manifestou dúvidas quanto às orientações emitidas pelos Serviços de Saúde. Acusou o Governo de, além de não ter seguido o existente plano de resposta de emergência para a situação epidémica da Covid-19 em grande escala, continuar a “inventar novos termos” como o “período relativamente estático”, “período de infecção zero”, “período de consolidação” e “período de estabilidade”, o que dificultou a cooperação de todos os sectores da sociedade com as políticas antiepidémicas.

      Da sua perspectiva, a duração dos diferentes períodos e as restrições impostas foram arbitrárias e houve falta de fundamentos científicos nas acções do Governo. “As práticas relevantes reduziram significativamente a eficácia do controlo epidémico geral. As orientações dos Serviços de Saúde estão sempre a mudar, prejudicando seriamente a confiança da comunidade no controlo da epidemia do governo e no retorno da sociedade à normalidade”, ressalvou.

      Segundo afirmou o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, Macau vai voltar à etapa de prevenção epidémica normalizada após o período de estabilidade, mas continuará a exigir testes regulares para grupos considerados com alto risco da infecção, sendo diferente das medidas antiepidémicas anteriores ao surto, em Junho.

      Na interpelação, Ron Lam citou o Plano de Prevenção e Controlo da Pneumonia do Novo Tipo de Coronavírus do Governo chinês, que diz que, após dez dias sem casos positivos, já é “irrazoável” a regra de apresentação de resultado de testagem para entrar em determinados locais.

      O deputado eleito pelo sufrágio directo questionou ainda se as autoridades já “aprenderam uma lição deste surto” e vão implementar medidas precisas, operáveis e alinhadas com a situação real de Macau e com o plano estipulado pelo Governo chinês, de forma a “abandonar a chamada avaliação de forma dinâmica e a falta de consideração abrangentes” durante a tomada de decisões.

       

      PONTO FINAL