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      Início Ásia Presidente do Sri Lanka alerta o Parlamento sobre "grandes perigos" económicos

      Presidente do Sri Lanka alerta o Parlamento sobre “grandes perigos” económicos

      O Sri Lanka enfrenta “grande perigo” face à crise económica que se eterniza e a escassez de combustíveis que pode prolongar-se até ao final do ano, avisou ontem o presidente Ranil Wickremesinghe perante o Parlamento de Colombo.

       

      “Actualmente estamos perante uma situação sem precedentes”, disse Wickremesinghe na abertura do novo Parlamento, sublinhando que o país está perante um “grande perigo”.

      O Sri Lanka, país com 22 milhões de habitantes, enfrenta uma grave crise económica marcada por escassez de alimentos, combustíveis, medicamentos, matérias-primas e falta de divisas estrangeiras necessárias para financiar as importações essenciais.

      O Sri Lanka deixou de pagar a dívida externa de 51 mil milhões de dólares em Abril e, no início de Julho, manifestações de protesto por parte da população provocaram a renúncia do presidente Gotabaya Rajapaksa, atualmente exilado em Singapura.

      Wickremesinghe, 73 anos, que sucedeu a Rajapaksa reiterou ontem os apelos perante os deputados dos partidos com representação parlamentar que podem vir a fazer parte de um futuro “governo de unidade”.

      O país só pode sair da crise económica em que se encontra se “assumir este desafio (formação do governo) todos juntos, como um só povo”, acrescentou o novo chefe de Estado.

      A inflação no Sri Lanka atingiu os 60,8 por cento no passado mês de Julho, mas economistas independentes receiam que o valor ultrapassa os 100%. A rupia, moeda do Sri Lanka, perdeu metade do valor face ao dólar norte-americano desde o princípio do ano.

      As conversações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) mantêm-se com vista à implementação de um programa de resgate de quatro anos, disse ainda o chefe de Estado no discurso no Parlamento. Mesmo assim, o chefe de Estado não comunicou informações sobre a conclusão dos contactos com o FMI.

      As autoridades estimam que o país precisa – com urgência – de pelo menos quatro mil milhões de dólares para financiar a importação de bens de primeira necessidade.

      Wickremesinghe saudou o governo da Índia pelas linhas de crédito atualmente vigentes no Sri Lanka, destinadas essencialmente à importação de gasóleo, mas sublinhou que o país deve financiar os combustíveis utilizando receitas com divisas próprias, situação que atualmente é impossível.

      Neste sentido, o chefe de Estado alertou que o racionamento de combustíveis pode prolongar-se até ao final do ano tendo criticado o presidente anterior que rejeitou grandes investimentos do Japão na área das infraestruturas e que podiam render três mil milhões de dólares ao país.

      O anterior chefe de Estado anulou os projetos de construção de ligações de caminho-de-ferro e de um porto de águas profundas propostos pelo Japão.

      Ranil Wickremesinghe criticou a decisão do ex-chefe de Estado mas não fez referência à República Popular da China que detém atualmente mais de 10% dos empréstimos do Sri Lanka. Um acordo com Pequim é encarado como essencial para resolver essa dívida com a República Popular da China (10%). Lusa

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau