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      InícioInternacionalGuerra na Ucrânia fez cinco meses e não há sinais de paz

      Guerra na Ucrânia fez cinco meses e não há sinais de paz

      Foi há sensivelmente cinco meses que a Rússia deu início à invasão da Ucrânia. Em meio ano, o estilo militar dos dois lados mudou, mas o impasse continua. Apesar dos avanços a Leste e Sul das tropas russas, os ucranianos vão tentando contraofensivas que permitam margem de manobra para negociar a paz. Paz essa que parece ainda distante. Michael Share, especialista em História da Rússia da Universidade de Macau, assinala ao PONTO FINAL que “os lados continuam muito distantes” e que “a guerra poderá facilmente continuar até ao final do ano”.

       

      Na manhã de 24 de Fevereiro, tropas russas passaram a fronteira com a Ucrânia, dando início à invasão. Cinco meses após o início da guerra, não há sinal de paz. Michael Share, professor da Universidade de Macau, especialista em história russa, faz um ponto de situação ao PONTO FINAL e comenta que o conflito está para durar.

      Share comenta que as tropas russas querem manter a ofensiva na parte Leste da Ucrânia, para tomar duas cidades que têm sido o alvo preferencial dos russos, Lugansk e Donetsk. Já Lysychansk, uma cidade também na região de Donbass com cerca de 100 mil habitantes, foi recentemente capturada pelas forças russas. Os russos têm batalhado também para chegar a Sloviansk, junto a Donetsk. Esta será uma batalha “chave” para o futuro do conflito, podendo permitir um controlo maior por parte dos russos na região do Donbass. Já os ucranianos procuram vitórias a Sul, para que possam ter acesso ao Mar Negro.

      Na opinião de Michael Share, há três cenários em cima da mesa: “Um resultado possível é que os russos tomem a região de Donbass e depois comecem outra ofensiva para tomar toda a metade Leste do país, que incluiria grandes cidades. Um segundo cenário – que é mais provável – é que ambos os lados fiquem tão exaustos que ficaríamos num impasse e, nesse ponto, iriam surgir as negociações por paz. O terceiro cenário aponta que a Ucrânia comece uma ofensiva para retomar as cidades a Leste e a fazer progressos no Sul. O Sul parece ser o elo mais fraco dos russos”.

      O futuro está dependente das forças que ficarem exaustas e sem armas primeiro. “Os russos têm muito mais armas que os ucranianos, mas os ucranianos têm sido fornecidos pela NATO e outras forças, e também têm armas muito mais modernas que os russos”, aponta o especialista na História da Rússia, acrescentando que os russos têm “muito mais militares do que os ucranianos”. Porém, para que possa usar todos os militares disponíveis no país, Vladimir Putin terá de declarar estado de mobilização, o que teria custos. “Ele teria de chamar militares de todo o país e isso iria gerar resistência por parte dos jovens e oposição política. Por isso, provavelmente não fará isso”, prevê.

      Michael Share aponta também alterações no estilo militar desde o início da ofensiva. Segundo o professor universitário, inicialmente a guerra era ao estilo da Segunda Guerra Mundial, “com centenas de tanques, imitando as táticas alemãs”. Numa fase posterior, a guerra passou a assemelhar-se à Primeira Guerra Mundial, em que “ambos os lados usam muita artilharia”.

      Meio ano após a invasão russa, ambos os lados “continuam muito distantes”. Além disso, “Putin não vai descansar enquanto não tomar as províncias a Leste”. “Se isso acontecer, talvez possa negociar. Mas ele pode também querer mais que isso, não sabemos”, comenta Share.

      O lado ucraniano está moralizado, uma vez que “estão a defender o seu território”. Desde que tenham militares e armas, “eles não têm razão para parar”. “Se se rendessem, iriam perder muito. O que eles querem é reconquistar o máximo que puderem para que possam começar as negociações”, diz.

      Na opinião de Michael Share, “esta guerra poderá facilmente continuar até ao final do ano”. O professor universitário assinala também os custos para a Ucrânia e para outras regiões do mundo, apontando que cerca de 22% dos terrenos aráveis do país já estão tomados pelas forças russas e as colheitas de cereais armazenadas não podem ser exportadas, dado que o Mar Negro está bloqueado pelas forças russas. “Isso significa que áreas como o Sudeste asiático, no Sri Lanka, em África e no Médio Oriente têm sofrido muito. Líbano, Egipto, Líbia têm sofrido muito”, sublinha. Os problemas destes países vão adensar-se enquanto a guerra durar, acrescenta.

      Além disso, a guerra já obrigou a que cerca de seis milhões de ucranianos tivesse de sair do país, e há ainda outros seis milhões que estão como refugiados dentro do país. Por outro lado, “a cada dia que passa, o custo de reconstrução de tudo o que foi destruído sobe”, lembra.

       

      PONTO FINAL

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      Redacção do Ponto Final Macau