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      Política de ‘zero casos’ deve levar a queda do investimento estrangeiro na China

      O Investimento Directo Estrangeiro (IDE) na China deve cair, nos próximos anos, à medida que o país insiste na estratégia de ‘zero casos’ de covid-19, previu a unidade de análise da revista The Economist.

       

      Devido à insistência na política de ‘zero casos’ de covid-19 na China, o Investimento Directo Estrangeiro (IDE) no país deve cair nos próximos anos, segundo uma análise da revista The Economist. A Economist Intelligence Unit (EIU) descartou, no entanto, um êxodo corporativo em massa do país, face à atractividade exercida pelo vasto mercado local e importância da China nas cadeias globais produtivas.

      “Mesmo que não abandonem o mercado chinês, esperamos que os investidores estrangeiros cada vez mais vejam o Sudeste Asiático, onde os governos adoptaram uma estratégia de ‘coexistência com o vírus’, como opção atractiva para investimentos futuros”, lê-se no relatório difundido ontem pela EIU.

      As autoridades chinesas estão a impor medidas de confinamento extremas, para salvaguardar a estratégia de ‘zero casos’ de covid-19, assumida como um triunfo político pelo secretário-geral do Partido Comunista Chinês, Xi Jinping.

      O isolamento de Xangai, a “capital” financeira do país, e de importantes cidades industriais como Changchun e Cantão, tiveram forte impacto nos setores serviços, manufatureiro e logístico, no primeiro semestre do ano.

      A unidade de análise da The Economist considerou que a estratégia constitui um dos “maiores desafios” que os investidores estrangeiros enfrentaram no país, na história recente. Isto é agravado pelas crescentes tensões geopolíticas entre China e Estados Unidos, que resultaram já numa prolongada guerra comercial e por supremacia tecnológica, que desde 2018 obrigou as corporações a alargarem as cadeias de abastecimento para mercados alternativos. “Essa estratégia parece agora ainda mais atraente, pois, ao contrário da China, o resto do mundo adota políticas mais previsíveis para lidar com a covid-19”, descreveu a EIU.

      No entanto, o relatório lembrou que o país asiático desempenha um papel chave no fornecimento de componentes que não estão disponíveis noutros países, e uma infraestrutura logística “inexistente”, no resto da Ásia ou em outros lugares, “em dimensão e sofisticação”.

      O forte crescimento da classe média do país, na última década, encorajou também as empresas a adotarem o modelo “na China, para a China”, que consiste em produzir e vender localmente. “O nível de imersão das empresas na China – com planos plurianuais que dependem do país como motor de crescimento futuro, – torna difícil que se afastem dessa estratégia no curto prazo”, apontou o relatório.

      A EIU previu que o IDE recue a partir de 2022, em comparação com os dois anos anteriores, com o efeito a prolongar-se até 2024.

      A manutenção da estratégia ‘zero covid’ vai ter maior impacto no IDE nos setores voltados para o consumo doméstico, face aos choques desproporcionais no retalho, infligidos por bloqueios repentinos e outras restrições ao movimento de pessoas, apontou.

      A tolerância zero à covid-19 implica também o encerramento praticamente total das fronteiras da China. O país autoriza apenas um voo por cidade e por companhia aérea, o que reduziu o número de ligações aéreas internacionais para o país em 98%, face ao período pré-pandemia. Quem chega à China tem que cumprir uma quarentena de dez dias. Isto dificulta a atração de talentos globais e frustra futuros planos de investimento, já que os quadros das empresas estrangeiras não conseguem supervisionar o lançamento ou o alargamento de projetos, destacou a EIU.

      A guerra comercial China – EUA e os custos mais baixos com mão-de-obra há muito que posicionaram países como o Vietname, Malásia ou Tailândia como centros alternativos para o fabrico de componentes e montagem de produtos. Gigantes tecnológicos como a Apple e Samsung transferiram, nos últimos anos, partes das suas cadeias de fornecimento para o Vietname. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau