Edição do dia

Sábado, 1 de Outubro, 2022
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
céu pouco nublado
26.9 ° C
26.9 °
24.9 °
89 %
3.6kmh
20 %
Sex
27 °
Sáb
29 °
Dom
29 °
Seg
30 °
Ter
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Sociedade Polémica sobre passeios de cães deixa sociedade indignada

      Polémica sobre passeios de cães deixa sociedade indignada

      A polémica sobre o impedimento de passear os cães na rua no âmbito das medidas de confinamento tem provocado angústia na comunidade. O deputado Ron Lam criticou as declarações feitas pelas autoridades policiais pelo “demasiado alargamento da interpretação da legislação”, “irrealismo”, “falta de senso comum e de empatia”. Uma associação local protectora dos direitos dos animais defende que a restrição imposta pelas autoridades pode arriscar a saúde fisiológica e psicológica do cão, sugerindo que o Governo adopte medidas mais flexíveis para permitir aos donos passearem os animais nas proximidades dos seus domicílios durante determinados horários.

      Face à polémica em torno da impossibilidade de levar os cães à rua para que estes possam realizar as suas necessidades fisiológicas, as autoridades policiais insistiram e reiteraram que sair à rua para os cães fazerem as suas necessidades é considerada uma violação legal, fazendo com que muito donos de animais tenham ficado irritados e preocupados. Existem mesmo vozes críticas defendendo que a prática é “desumana” e vai contra a Lei de protecção dos animais.

      O deputado Ron Lam argumentou que as autoridades policiais podem tomar uma postura na execução da Lei, contudo, “não têm o poder de interpretar as normas jurídicas”, salientando que “os direitos dos cães devem ser protegidos” ao abrigo da Lei de protecção dos animais que está em vigor em Macau.

      O presidente da Sinergia Macau criticou os órgãos de policiamento por “simplesmente não entenderem como é a vida dos cidadãos comuns”, referindo que “a prática tem falta de senso comum e de empatia”.

      Na sequência do anúncio das novas medidas antiepidémicas anunciadas pelo Governo, Macau entrou num estado “relativamente estático”, e todas as actividades comerciais e industriais não essenciais para o funcionamento da sociedade ou para a vida quotidiana da população foram submetidas a uma suspensão de sete dias a partir da passada segunda-feira, prevendo-se que as pessoas não possam sair à rua a não ser que exista alguma necessidade ou urgência.

      Ron Lam considera que o Chefe do Executivo deveria ter levado em consideração uma série de factores que não puderam ser tidos em conta no momento da promulgação da ordem, dizendo acreditar que o disposto no despacho “deve ter alguma flexibilidade” e o arranjo “deve ser relaxado”.

      Lembrou ainda sobre a presença da Lei de protecção dos animais no território e a afirmação de que a excepção das actividades previstas na legislação não é “numerus clausus”, declarada pelo secretário para Administração e Justiça, André Cheong em conferência de imprensa, levando o deputado eleito pela via directa a defender que “deve ser permitido aos cães saírem do domicílio para fazerem as suas necessidades”.

       

      POLÉMICA CONTRIBUIU PARA AMPLIAÇÃO DO CONFLITO SOCIAL

      O legislador observou que a polémica em torno deste assunto poderia ter sido resolvida simplesmente pelo apelo da autodisciplina dos donos, não havendo necessidade de levar as coisas para um beco sem saída, resultando numa situação conflituosa e contraditória

      Ron Lam frisou que, se as autoridades competentes puderem permitir a deslocação dos donos para levarem os seus animais para atendimento médico, também é possível permitir a deslocação dos donos para auxiliarem os cães para estes fazerem as suas necessidades fisiológicas. “Tem de esperar até ficar doente para urinar e defecar aquando da visita ao veterinário?”, questionou o deputado.

      No que diz respeito ao conteúdo do despacho, Ron Lam expressou o seu descontentamento: “Todos nós operamos de acordo com a situação efectiva, (…), talvez algum governante tenha pronunciado de forma demasiado rígida e não esteja disposto a retratar-se, resultando num confronto social”, lamentou o parlamentar, referindo que se “as autoridades desperdiçarem muito tempo e energia, desgastando a opinião pública em assuntos que não podem ser tratados de forma eficaz, tal vai aumentar as queixas do público”.

      O deputado confessou que a polémica contribuiu para ampliar o conflito numa comunidade pouca solidária, esperando que os governantes reflictam sobre o assunto.

       

      UM RISCO PARA A SAÚDE DOS CÃES

      Numa carta aberta ao Executivo, a Everyone Stray Dogs Macau Volunteer Group referiu que tem recebido muitas reivindicações apresentadas pelos donos. A associação protectora de cães vadios apontou que muitos animais que não foram permitidos de sair para fazerem as suas necessidades fisiológicas começaram já a sofrer de problemas psicológicos e físicos.

      O grupo argumentou que os hábitos fisiológicos dos animais são formados durante um longo período de tempo e não podem ser alterados a curto prazo, na esperança que as autoridades possam exercer discrição e tomar como referência as práticas adoptadas nas regiões vizinhas para permitir aos donos auxiliarem os cães para fazerem as suas necessidades nas proximidades dos seus domicílios durante determinados horários.

      Citando o aconselhamento médico dos veterinários e as opiniões manifestadas por algumas organizações internacionais para a defesa dos animais, a associação local frisou que, se a medida persistir terá efeitos negativos físicos e psicológicos a longo prazo nos animais, o que pode provocar problemas de saúde, incluindo uremia, disfunção da bexiga, insuficiência renal, doença da próstata e problemas na coluna vertebral, destacando que esta condição pode ser potencialmente ameaçadora para a vida dos animais em idade avançada.