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      Início Cultura João Caetano: de Macau para “o circuito da nata da música portuguesa”

      João Caetano: de Macau para “o circuito da nata da música portuguesa”

      A carreira internacional de João Caetano está a descolar. A mistura de fado e jazz de “Rhythm&Fado”, disco lançado em 2019 pelo músico nascido em Macau, chegou pela primeira vez a Espanha na quinta-feira passada, com um concerto em Badajoz – o primeiro de João Caetano depois do início da pandemia. O músico de Macau tem contado com o apoio de nomes sonantes da música portuguesa, como Rui Veloso e Dino D’Santiago. “Estou no circuito da nata da música portuguesa”, afirma em declarações ao PONTO FINAL.

      João Caetano, o músico de Macau que lançou em 2019 o seu primeiro álbum a solo, “Rhythm&Fado”, voltou aos espectáculos depois do início da pandemia, em Badajoz. Foi a primeira vez que o músico actuou em Espanha. Acompanhado de Rui Veloso, um dos seus padrinhos musicais, João Caetano recebeu duas ovações de pé. Ao PONTO FINAL, o músico adianta que está a preparar um novo disco, que deverá ser lançado entre o final deste ano e o início do próximo.

      João Caetano nasceu e cresceu em Macau. Após terminar o ensino secundário e o Conservatório de Música na disciplina de violino em Macau, João Caetano rumou a Inglaterra com uma bolsa para estudar música na Universidade de Chichester, onde acabou por trocar a disciplina do violino pela da percussão, uma paixão mais antiga que começou em Macau com as sonoridades dos tambores chineses das Danças do Leão e do Dragão.

      Integrou a banda de jazz britânica Incognito aos 21 anos, como percussionista ao vivo e como elemento residente da equipa de produção, gravação e composição da banda. Nos Incognito, já participou em cinco digressões mundiais com a banda, tendo participado em quatro álbuns.

      João Caetano decidiu, em finais de 2013, apostar num projecto a solo de raízes portuguesas. E em 2019 lançou “Rhythm&Fado” no London Jazz Festival. Bombos, voz e elementos de guitarra portuguesa e de piano são os instrumentos nucleares do projecto. João Caetano descreve a sonoridade do seu álbum a solo como “mistura dos ritmos portugueses, com o fado e o jazz”.

       

      CONCERTO “INCRÍVEL” EM BADAJOZ

      João Caetano actuou em Badajoz na passada quinta-feira. Este foi o primeiro concerto do músico depois do início da pandemia e foi também a sua estreia a solo em Espanha. O concerto em Badajoz estava inserido no Festival de Flamenco y Fado de Badajoz e aconteceu no Teatro López de Ayala. Caetano tocou temas do “Rhythm&Fado” e ainda temas inéditos, acompanhado por Rui Veloso, um dos seus padrinhos musicais.

      “Foi incrível, tive duas ovações de pé. Os organizadores ficaram altamente sensibilizados com a minha actuação. O Rui [Veloso] também fez vários comentários altamente positivos”, comenta o músico de Macau, lembrando que, quando se encontrou a primeira vez com Rui Veloso “foi como se a gente já se conhecesse há muitos anos”.

      João Caetano diz que tem contado com o apoio de Rui Veloso e Dino D’Santiago. Aliás, antes de actuar em Badajoz, o músico já tinha tocado na festa de aniversário de Dino D’Santiago, em Dezembro do ano passado. Na festa, João Caetano actuou ao lado de Carolina Deslandes e Tatanka, por exemplo. Vhils também esteve presente na ocasião.

      “Tem sido altamente gratificante, este meu trabalho de representar Macau no mundo e de representar o meu berço. E de poder representar isso em palcos internacionais ao mais alto nível, com o apadrinhamento dos maiores nomes da música portuguesa”, diz, salientando: “Estou no circuito da nata da música portuguesa”.

      Os espectáculos vão além da música. João Caetano começou também a colaborar com Alexandra Moura, “a maior designer portuguesa”, descreve o músico. A designer de moda está a trabalhar no guarda-roupa do músico. Está a “renovar a tradição e trazê-la para uma plataforma mais acessível para a camada mais jovem”.

      Questionado sobre como é que a pandemia afectou o seu trabalho enquanto músico, João Caetano diz ter tido “muita sorte”, porque tem um estúdio em casa onde pode trabalhar. No entanto, o músico recorda a morte, em Janeiro de 2021, de Paulo Abreu de Lima, poeta com quem trabalhou ao longo de cinco anos e que, além disso, escreveu para nomes como Mariza, Ana Moura e António Zambujo, por exemplo. “Eu sofri muito e tive de fazer luto durante uns meses e não consegui tocar”, lembra.

       

      NOVO ÁLBUM PODERÁ SER LANÇADO NO FIM DO ANO

      João Caetano sublinha que, durante a pandemia, continuou a fazer as suas produções e sessões de escrita. “As coisas têm sido bastante positivas”, diz, adiantando que está a trabalhar num novo projecto, um álbum que deverá estar pronto para ser lançado entre o final deste ano e o início de 2023. Sobre o novo álbum, o músico adianta apenas que o disco contará com uma colaboração visual com a designer Alexandra Moura.

      Sobre um eventual regresso a Macau, o músico lamenta as restrições fronteiriças impostas no território para quem vem de fora, mas diz esperar voltar à região em breve, “quiçá com o Dino ou com o Rui”, atira.