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      InícioSociedadeImplementação de medidas antipandémicas não é suficientemente decisiva, diz Nelson Kot

      Implementação de medidas antipandémicas não é suficientemente decisiva, diz Nelson Kot

      O presidente da Associação de Estudos Sintético Social e ex-candidato às eleições legislativas, Nelson Kot, considera que as medidas de prevenção e controlo da epidemia não foram aplicadas pelo Governo de forma decisiva, tendo verificado um atraso na implementação do confinamento parcial, o que afectará a credibilidade do Executivo. O responsável referiu ainda que o actual plano de apoio económico não é justo e faz com que a sociedade fique dividida.

      Os trabalhos antiepidémicos implementados no início do surto não foram suficientemente eficazes para eliminar a transmissão da doença na comunidade, e a política de “confinamento parcial” foi lançada com atraso, defendeu Nelson Kot, presidente da Associação de Estudos Sintético Social de Macau, lamentando que tanto as empresas como os cidadãos foram colocados em situações de dificuldade, sobretudo financeira, e que a sociedade está cheia de ressentimentos.

      Num comunicado citado pelo Jornal de Cidadão, Nelson Kot sublinhou que, apesar de o Governo ter reiterado a sua política de ‘zero casos’, existem ainda pessoas infectadas descobertas na comunidade, e a cadeia de contágio não foi cortada, apesar de já terem passado três semanas.

      “Pela determinação da posição do Governo, já há muitos que expressaram o desejo e propuseram medidas mais duras para impedir a propagação da epidemia. As autoridades introduziram agora a medida mais rígida para que Macau fique relativamente paralisada, de forma a atingir o objectivo de ‘zero casos’”, frisou Nelson Kot, acreditando que esta “relativa paralisia” chegou tarde demais.

      O também ex-candidato às últimas eleições da Assembleia Legislativa lançou críticas recordando que alguns casinos como o do City of Dreams, Grand Lisboa e do Hotel Fortuna reportaram sucessivamente casos infectados, e alguns funcionários foram transferidos para hotéis designados para cumprirem observação médica. “Quando os casinos ainda estavam abertos, o Governo pediu aos cidadãos que não saíssem a menos que fosse necessário, provocando muitos ressentimentos da sociedade”, lamentou.

      “O Governo deve rever constantemente os problemas que foram expostos desde a luta contra a epidemia. Se as medidas e as resoluções de crise forem implementadas de forma atrasada e arrastada, e os locais, incluindo os casinos, não forem fechados de forma decisiva, tal reduzirá no final a credibilidade do Governo”, afirmou.

      O responsável indicou que o número de mesas de jogo em casinos manteve-se inalterado, o que implicava que o número de jogadores no local permanecesse normal, facilitando a reunião de pessoas num espaço limitado, aumentando o risco de transmissão e expondo os funcionários ao risco de infecção. Uma vez que o negócio dos casinos está longe de ser próspero como antes do surto pandémico, Nelson Kot considera que o encerramento destes locais não iria causar grande impacto nas receitas.

      Manifestando esperança que todos os residentes e empresas cooperem com a suspensão de actividades de forma a que o número de casos infectados possa ser reduzido a um nível baixo após uma semana, o antigo funcionário da administração pública confia que, juntamente com a realização de várias rondas de teste em massa, a meta de ‘zero casos’ deverá ser alcançada, e Macau voltará ao normal a curto prazo.

      Na mesma linha, Nelson Kot espera que o Executivo faça um bom trabalho de acompanhamento dos problemas resultantes deste surto recente, com um plano de assistência económica em particular para resolver as dificuldades de subsistência dos cidadãos, escutando a opinião pública para optimizar as políticas.

      Enfatizando que os empregadores não são obrigados a pagar os salários dos funcionários durante a suspensão de actividades comerciais neste período de quase paralisia, o responsável da Associação de Estudos Sintético Social referiu estar atento à licença sem vencimento dos trabalhadores em Macau.

      Na mesma nota de imprensa, Nelson Kot solicitou que o plano de assistência lançado pelo Governo seja aprovado na Assembleia Legislativa o mais rápido possível e o orçamento seja aumentado para 15 mil milhões de patacas, com vista a beneficiar todos os cidadãos, incluindo idosos, estudantes e pessoas com deficiência.

      “O alcance do impacto epidémico tornou-se cada vez mais amplo, tanto os empregados como os comerciantes foram profundamente afectados. O actual programa não é justo para a classe média, os idosos, donas de casa, estudantes e portadores de deficiência são pessoas que querem trabalhar e ganhar dinheiro, mas não conseguem trabalhar. Essas pessoas não têm nem uma pequena quantia de dinheiro, é justo? A nossa sociedade tem de ficar tão dividida?”, apontou.

      Nelson Kot referiu ainda que, tomando Hong Kong como referência, que lançou de imediato vários rondas de medidas de apoio financeiro após o confinamento, o plano proposto pelo Governo da RAEM ainda “tem dificuldade de ver a luz do dia”, fazendo com que os cidadãos com necessidades apenas possam ultrapassar os tempos difíceis que vivem com o subsídio após vários meses.