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      InícioGrande ChinaÀ espera de ser retornada a confiança do povo

      À espera de ser retornada a confiança do povo

      Hong Kong marca hoje o 25.º aniversário do retorno da ex-colónia britânica à soberania chinesa. Numa posição escrita divulgada ontem pelo Partido Democrata é destacado que a prática do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ nos últimos 25 anos tem sido “muito diferente” das expectativas do partido, que ainda acredita que “esta é a fórmula mais adequada para Hong Kong”. O partido defende que, no entanto, o “verdadeiro retorno” de Hong Kong é o “retorno da vontade comum dos povos”, frisando que se as autoridades insistirem em recorrer à legislação no sentido de impor o controlo absoluto e encorajar a vigilância mútua tal só irá aprofundar a desconfiança entre o Governo e a população, dificultando o fechar de feridas abertas que existem na cidade.

      O Partido Democrático, que foi criado há 27 anos, é o maior partido do campo pró-democracia que se encontra em Hong Kong. Contudo, na sequência da controvérsia sobre o juramento na tomada de posse no Conselho Legislativo(LegCo) em Hong Kong e da reforma do sistema eleitoral aprovado pelas autoridades de Pequim, que suprimiu o partido e reduziu a sua influência, retirando-lhe assentos no LegCo, e apenas sete dos 479 assentos do conselho distrital local permanecem.

      Numa posição escrita sobre o 25.º aniversário do retorno de Hong Kong à China apresentada ontem pelo presidente do Partido Democrático, Lo Kin-hei, assinalou-se que o objectivo do fundador do partido é promover a implementação do sufrágio universal democrático e de um Governo representativo sob a égide do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, e ser uma voz para o povo de Hong Kong, lamentando que, até agora, “ainda estamos longe do nosso objectivo fundador, mas a intenção original do Partido Democrático permanece inalterada”.

      Lo Kin-hei confessou ainda no documento a existência de um enorme fosso entre as expectativas e as realidades ao longo dos últimos 25 anos perante a compreensão divergida do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’ entre os democratas e as autoridades de Pequim. No entanto, o partido pró-democracia continua convicto de que os princípios de ‘Um País, Dois Sistemas’, ‘Hong Kong governado pelas suas próprias gentes’ e ‘alto grau de autonomia’ são “as soluções que melhor se encaixam à situação efectiva de Hong Kong.”

      O Partido Democrático salientou que o que é mais importante sobre o retorno de Hong Kong é o retorno da confiança do povo, defendendo que isto só pode ser conseguido ao dar à população de Hong Kong uma verdadeira democracia e maior liberdade. Argumentou que o melhor remédio para aliviar o descontentamento social e trazer de volta o sentimento público é “abrir e aceitar a participação social nos assuntos de interesse da cidadania, para que o público possa sentir que pode exercer influência no desenvolvimento social através de diversos canais ao abrigo do sistema”.

      Pelo contrário, se o Governo não tiver confiança no povo, recorrer ao meio legislativo para assumir o controlo totalitário e mesmo incitar a vigilância mútua, tal só irá aprofundar a desconfiança interpessoal e o cepticismo político na sociedade, alertaram os democratas, sublinhando que “a calma e o silêncio superficiais não resolvem os conflictos sociais”. O partido reiterou que os que estão no poder devem dar o primeiro passo para consertar a desconfiança comunitária e a ruptura social.

      O documento de posição também ressalvou que a característica mais essencial de Hong Kong é a liberdade dos partidos políticos, dos meios de comunicação social e da sociedade civil de expressarem opiniões diferentes sobre as políticas governamentais, de modo a assegurar que estas satisfaçam a justiça processual e as expectativas do público.