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Sexta-feira, 12 de Agosto, 2022
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      O medo

      «É o Sr. Yao? Aqui somos da Polícia de Segurança Pública, venha por favor até nós agora mesmo!» A voz grave e séria, que não revelou nenhuma dúvida, fez-me tremer de medo, com a mente a passar a pente fino o que teria feito ilegalmente.  Sou um cidadão honesto e bem comportado, sem dizer o que não se deve dizer nem fazer o que não se deve fazer. Então, porque é que a polícia quer falar comigo?  Hesitava em responder, mas neste momento explodiu-se uma risada do outro lado do telefone: «Apanhaste um susto, não é?»  Afinal, foi um amigo que imitou a voz de polícia para me fazer uma brincadeira. Mesmo assim, fiquei realmente assustado por esta chamada da «polícia», apesar de me julgar como um cidadão exemplar.  Foi uma brincadeira ocorrida há muitos anos, mas continua viva e inesquecível na minha memória.

      O medo é um instinto inato dos seres humanos, fazendo parte das sete emoções deles. Desde o nascimento, um bebé têm o medo instintivo do afastamento repentino da mãe, do aparecimento de estranhos ou da escuridão, mas ignora o medo de muitas coisas que poderão meter medo a um adulto. Ainda me lembro de uma vez em que levei a minha filha, com dois de idade, para a praia brincar e ela correu para o fundo do mar sem nenhuma consciência do medo. No entanto, qualquer pessoa tem de crescer aprendendo com o medo, que constitui uma condição adicional para a existência humana, por isso é natural termos medo face a incêndio, relâmpago, terremoto, violência ou morte, mas há outro tipo de medo que se inscreve na nossa consciência e na nossa vida quotidiana, controlando-nos o pensamento, a vontade e a acção.  É um medo socializado, sistematizado, individualizado e interiorizado que se nos impõe como um princípio da vida, inibindo a nossa coragem de amar, de opor, de nos expressar livremente, de arriscar, de desafiar, de agir… Com o medo, fingimos ser cegos ou mudos perante maldades praticadas, chegando a ser cúmplices ou conspiradores.   Com o medo, deixamos de ser sujeitos reais de nós próprios, como se tivessem sido tirados todos os espinhos a um cacto.