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      Chefe do Executivo não abdica da política de zero casos e manda fechar espaços de lazer

      São já 110 os casos confirmados de Covid-19 em Macau, mas o Governo não abdica da política de zero casos. Fazê-lo, disse ontem em conferência de imprensa Ho Iat Seng, traria “um grande impacto para Macau”. O Governo mandou fechar todos os espaços de lazer. Os casinos só irão encerrar “se se justificar”. Na conferência de imprensa de ontem, o Chefe do Executivo desvalorizou a hipótese de o vírus ter entrado em Macau pela China continental e insistiu na possibilidade de ter vindo na mala de alguém que veio do estrangeiro ou de algum produto importado.

       

      Com o número de infectados a escalar, o Governo decidiu encerrar os espaços de lazer. Segundo o despacho publicado ontem em Boletim Oficial, são encerrados todos os cinemas, teatros, parques de diversão em recintos fechados, salas de máquinas e jogos de vídeo, cibercafés, salas de bilhar e de bowling, saunas e salas de massagens, salões de beleza, ginásios, ‘health club’, karaokes, bares, discotecas, barbearias e piscinas. É ainda suspensa a prestação de serviço ao público por parte de restaurantes em espaços interiores, sem prejuízo para os serviços de ‘take away’.

      O despacho não inclui casinos e ontem, em conferência de imprensa, o Chefe do Executivo disse que só depois de serem conhecidos os resultados do teste em massa que será realizado até à meia-noite de hoje é que se vai decidir sobre o eventual encerramento dos espaços de jogo. “Se se justificar o encerramento dos casinos, então iremos fazê-lo”, afirmou Ho Iat Seng.

      Ho excluiu o confinamento total da cidade. “Por enquanto, não”, disse, explicando que os valores CT dos infectados é “bastante elevado”, o que significa que estão no início da infecção. Por isso, o Governo acredita que o surto será contido “de forma eficaz”. No entanto, o líder do Governo disse não saber durante quanto mais tempo o surto vai continuar na região.

       

      CHEFE DO EXECUTIVO DUVIDA QUE VÍRUS TENHA VINDO DA CHINA

       

      No início da conferência de imprensa, ao ser questionado sobre qual a estirpe de Covid-19 que se tem propagado em Macau, o Chefe do Executivo indicou que se trata de Ómicron e fez questão de sublinhar que esta “não é uma estirpe vulgar” na China, mas sim em locais como os Estados Unidos e o Reino Unido.

      Sobre a origem deste surto, o Chefe do Executivo afirmou: “Não podemos deixar de investigar todas as hipóteses e indícios”. Ho Iat Seng começou por levantar suspeitas sobre os produtos importados e congelados. Depois, alertou para as bagagens de quem chega a Macau vindo do estrangeiro. “Não afasto qualquer indício nem probabilidade. A estirpe é mais comum no estrangeiro do que no interior da China, por isso temos de considerar todos os factores”, frisou Ho.

       

      CONVIVER COM O VÍRUS? ISSO TRARÁ “GRANDE IMPACTO”, DIZ HO

       

      Macau tem mantido, ao longo de mais de dois anos, uma política de zero casos de Covid-19, em que a prioridade é evitar que haja infecções mesmo que implique confinamentos, encerramentos de espaços de lazer e fortes restrições fronteiriças. No entanto, para o Chefe do Executivo, abdicar dessa política iria prejudicar Macau.

      Ho Iat Seng lembrou que o interior da China abriu as fronteiras com Macau em Setembro de 2020 devido aos raros casos registados na região. Por isso, “se não mantivermos a política de zero casos, não sei se vamos manter as fronteiras abertas e isso iria trazer um grande impacto a Macau”. “Não é fácil ter uma política de conviver com o vírus”, disse.

      “Se não temos política de zero casos, não vamos ter fronteiras abertas [para o interior da China] e manter turistas e revitalizar economia”, afirmou mesmo o Chefe do Executivo, acrescentando: “Temos de encontrar um ponto de equilíbrio. Se abandonarmos o mercado chinês, qual o mercado em que a nossa economia se poderá apoiar? Se não tivermos mercado chinês, não sei como vai ser. Temos de reflectir para ver o que é melhor”.

      Nesta conferência de imprensa esteve também a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, que garantiu que a política de zero casos é para manter. “A política de zero casos ainda é o nosso objectivo”, afirmou, salientando que a população deve reduzir os ajuntamentos e actividades. Segundo a secretária, o teste em massa que decorre até à meia-noite de hoje vai ajudar a perceber se há ainda casos a circular. “Se a situação for boa, podemos voltar à normalidade”, referiu.

      Em menos de uma semana, a população é obrigada a participar em dois testes em massa e a realizar um teste rápido de antigénio. Além disso, os residentes da zona de risco tiveram de fazer ainda um outro teste PCR. Elsie Ao Ieong explicou que os testes servem para despistar o vírus, cujo período de incubação é, segundo disse a secretária, de apenas dois ou três dias. “Ontem identificámos 15 casos no grupo alvo e, no âmbito dos testes de antigénio, identificamos 26 casos positivos. Aqueles que ontem deram negativo podem dar hoje positivo”, notou.

       

      SAÚDE MENTAL DOS RESIDENTES PREOCUPA O CHEFE

       

      Na sequência de dois anos e meio com fortes restrições fronteiriças impostas pelo Governo, o Chefe do Executivo diz que a saúde mental é uma questão que “preocupa muito”. “A população está sempre fechada em Macau, não consegue viajar e relaxar. Há sempre aquele ‘stress’ e há quem fique com depressão”, assinalou Ho Iat Seng, para de seguida dizer apenas que espera “que a população possa vencer estas circunstâncias de força maior”.

      O impacto desta política não afecta apenas a saúde mental, mas também a economia. Quem o admitiu foi o próprio Chefe do Executivo, que afirmou: “Quanto às pequenas e médias empresas, sei que tiveram muitas dificuldades nos últimos dois anos. Vamos fazer o possível para, com as reservas, prestar apoio”.

      Por fim, o Chefe do Executivo deixou um apelo à calma: “Não se trata de uma doença tão grave que os doentes precisam de oxigénio ou de cuidados intensivos”. “Não precisam de temer”, disse. Este vírus “não é um monstro”.

       

       

      CAIXA

       

      Lista de convidados do banquete no Grand Lisboa Palace indisponível

       

      Até agora, foram relatados quatro casos positivos num banquete de casamento realizado a 18 de Junho no Grand Lisboa Palace, mas a lista de convidados e o número exacto de participantes ainda são desconhecidos. Durante a conferência de imprensa presidida pelo Chefe do Executivo, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, disse que, de acordo com as informações recolhidas da investigação, o jantar de casamento terá envolvido cerca de 350 participantes e cerca de 100 trabalhadores. Na ocasião, o governante afirmou que os noivos e o hotel não conseguiram apresentar a lista de todos os convidados, pelo que apelou urgentemente àqueles que tenham participado na festa para o declarar junto das autoridades. Ao ser questionado sobre as informações que circulam que dizem que estavam presentes no evento altos cargos públicos, o secretário disse que, de momento, não há indícios ou informações que apontem que isso tenha acontecido, adiantando que alguns titulares de cargos públicos estiveram presentes num outro jantar de casamento fora do Grand Lisboa Palace, não havendo aí nenhum caso confirmado. Até às 13h de ontem, 150 pessoas declararam voluntariamente, através do sistema electrónico, os seus itinerários comuns no jantar de casamento na sala de conferência do 4.º andar do Grand Lisboa Palace. Combinando os dados disponibilizados pela Polícia Judiciária e pelos Serviços de Saúde, conseguiu-se obter uma lista de 292 indivíduos até agora. Ao ser questionada sobre a hipótese de o Grand Lisboa Palace ser classificado como Zona de Código Vermelho, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, Elsie Ao Ieong, explicou que a classificação da Zona de Código Vermelho tem por objectivo permitir que os casos susceptivelmente afectados permaneçam no local até não haver risco e os participantes do banquete de casamento já saíram e voltaram a casa, pelo que, segundo a governante, não há necessidade de impor a medida de controlo selado ao espaço.

       

      D.C.