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      Bloqueios localizados tornam vida na China uma versão real do popular jogo “Campo Minado”

      A China está a substituir bloqueios totais com confinamentos localizados e testes em massa diários à covid-19, que transformaram a vida nas cidades chinesas numa espécie de versão real do popular jogo de computador “Campo Minado”.

       

       

      Reduzir o impacto económico das medidas de prevenção epidémica é o objectivo desta abordagem agora adotada pelas autoridades. Praticamente vazias ao longo de um bloqueio de dois meses, que terminou no início deste mês, as ruas de Xangai voltaram a ficar entupidas de automóveis nas últimas semanas.

      No entanto, quarteirões inteiros continuam a ser encerrados, sempre que é detetado um caso positivo, ou apenas um contacto próximo nas suas imediações. Os moradores continuam também a ser levados para instalações designadas pelo Governo, para cumprirem até três semanas de isolamento, caso habitem no mesmo prédio de alguém infetado.

      Para aceder a supermercados, restaurantes ou transportes públicos é necessário ter um teste negativo para o vírus, realizado nas 48 horas anteriores. Esta é a nova versão da estratégia de “zero casos” da China: bloqueios localizados, isolamento de infectados e contactos próximos, e testes em massa. Isto é possível devido à obrigatoriedade do uso de uma aplicação para aceder a locais públicos ou residenciais. O utilizador deve primeiro digitalizar o código QR, uma versão bidimensional do código de barras, colocado na entrada de todos os edifícios, assim como nos transportes públicos ou táxis.

      Sempre que um caso é diagnosticado, as autoridades acedem aos seus movimentos nos dias anteriores, identificando as pessoas com quem potencialmente teve contacto. A ida ao mesmo local onde esteve alguém que mais tarde testou positivo para o novo coronavírus resulta no isolamento num centro de quarentena. “É como jogar ao ‘Campo Minado’”, ironiza um europeu radicado em Pequim ouvido pela Lusa, numa referência ao jogo de computador “Minesweeper”, que se tornou popular nos anos 1990 devido à sua distribuição juntamente com o sistema operacional Microsoft Windows.

      A área de jogo consiste num campo de quadrados retangular. Cada quadrado pode ser revelado com um clique. Se o quadrado contiver uma mina, o jogador perde. Foi o que aconteceu, por duas vezes, a um consultor português instalado em Pequim, que prefere não ser identificado.

      Na semana passada, o seu bairro foi bloqueado, pela segunda vez em menos de um mês, após alguns moradores terem sido considerados contactos diretos de casos de covid-19 confirmados. O condomínio, situado na zona oeste de Pequim, é composto por 12 prédios e abriga mais de cinco mil pessoas.

      Vídeos partilhados com a agência Lusa mostram um grupo de moradores a pedir explicações às autoridades, que se limitaram a explicar que há muitos jovens no condomínio que frequentam um bar de Pequim associado ao mais recente surto na cidade, registado no início da semana passada.

      Centenas de casos foram vinculados ao bar Heaven Supermarket, próximo do Estádio dos Trabalhadores, onde está concentrada a vida noturna na cidade, depois de uma pessoa infetada ter visitado o local. As autoridades locais tinham acabado de declarar o fim do último surto.

      A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou já que a política de “zero casos” da China é “insustentável”, mas o país não dá sinais de desistência.

      Pelo contrário: as principais cidades chinesas estão a construir centenas de milhares de centros permanentes de testagem à doença covid-19 e a expandir as instalações de quarentena.

      As principais cidades chinesas devem agora ter locais de teste disponíveis a não mais de 15 minutos a pé das casas dos moradores, segundo as directrizes emitidas pelo Governo central. As 31 províncias e regiões do país também estão a seguir ordens de Pequim para preparar novos hospitais e instalações de quarentena, para o caso de ocorrer um surto de grandes dimensões, como aquele que atingiu Xangai.

      Yanzhong Huang, especialista em políticas de saúde pública do Conselho de Relações Externas, um centro de reflexão com sede em Nova Iorque, diz que as medidas demonstram o compromisso de Pequim com a estratégia de “zero casos”, “apesar do crescente custo social e económico associado a esta abordagem”. “O Governo acredita que pode superar o vírus”, aponta o especialista. “Mas sabemos que isto não é realista para a variante Ómicron. E, para uma variante ainda mais transmissível, isto tornar-se-á ainda menos viável”, conclui.

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau