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       “Lusografia” é a proposta da Galeria Amagao para a iniciativa “Junho, mês de Portugal”

      Mais de 70 peças de 24 artistas é o que poderemos ver, de 10 de Junho a 4 de Setembro. Trabalhos de artistas como Artur Bual, Cruzeiro Seixas, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Paula Rego, Vieira da Silva ou Vhils, entre muitos outros, estarão patentes no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau.

       

      No âmbito das comemorações do “Junho, mês de Portugal na RAEM”, a Galeria Amagao apresenta “Lusografia – Exposição de obras de serigrafia, gravura e artes gráficas de artistas portugueses”, de 10 de Junho a 4 de Setembro, no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau, um conjunto de mais de 70 obras de mais de 24 artistas. A inauguração terá lugar no dia 9 de Junho, pelas 18h30. “Portugal tem uma longa tradição na gravura, serigrafia e artes gráficas afins. A produção de múltiplos de alta qualidade de uma obra de arte torna-a acessível a um público mais amplo”, pode ler-se no programa das comemorações.

      Alexandre Baptista, Alexandre Marreiros, Alfredo Luz, Artur Bual, Carlos Dugos, Clotilde Fava, Cruzeiro Seixas, Espiga Pinto, Francisco Geraldo, Graça Morais, Isabel Rasquinho, João Paulo, Jorge Martins, José Luís Tinoco, Júlio Pomar, Júlio Resende, Manuel Cargaleiro, Maria João Franco, Miguel Pamplona, Paula Rego, Raquel Oliveira, Velhô, Vieira da Silva e Vhils são os autores lusos representados com várias obras nesta mostra. “Uma parte das obras é acervo da galeria e outra parte pertence a coleccionadores privados. É uma exposição que vínhamos a criar nos últimos anos e que faz todo o sentido ser inaugurada no âmbito das comemorações do 10 de Junho”, referiu ao PONTO FINAL José I. Duarte, da parte da organização.

      Cruzeiro Seixas e Júlio Pomar terão 12 obras expostas cada um. “Aliás, era minha intenção fazer uma exposição individual do Cruzeiro Seixas em Macau. Era mais do que merecido, mas não foi possível e, entretanto, em 2020, ele faleceu”, revelou o também economista. Cruzeiro Seixa, decano da arte portuguesa e um dos grandes nomes do surrealismo português e europeu, no seu longo percurso artístico, conta com uma fase expressionista, outra neo-realista e outra, com início no final dos anos 40, mais prolongada, em que integra o movimento Surrealista Português, ao lado de Mário Cesariny, seu companheiro, entre muitos outros artistas.

      Já Júlio Pomar dispensa apresentações. O seu trabalho tem sido reconhecido através de homenagens, prémios e exposições retrospectivas em todo o mundo. Nascido em 1926, acabou por ser um dos mais notáveis artistas plásticos portugueses da segunda metade do séc. XX. Faleceu em 2018.

      Artur Bual, por exemplo, terá duas obras na mostra. Uma delas, avançou José I. Duarte, ser-lhe-á concedida honras de destaque. “Trata-se de uma obra feita, de propósito, para as comemorações do 10 de Junho em Macau em 1992. Precisamente há 30 anos. Por isso, decidimos dar-lhe um maior destaque”. Nascido em Lisboa, Bual foi um dos maiores pintores portugueses da segunda metade do século XX, pioneiro da pintura gestual, igualmente escultor e ceramista. Morreu na Amadora, cidade onde se radicou, em 1999.

      Vieira da Silva, Manuel Cargaleiro e Júlio Resende são ainda outros nomes consagrados que marcam presença no ‘lobby’ do hotel Artyzen Grand Lapa Macau. A luso-francesa, também conhecida pelo seu activismo anti-fascista, é um dos grandes nomes da arte portuguesa do século XX. Nascida em 1908, navegou pelos movimentos artísticos do surrealismo, expressionismo e abstraccionismo, entre outros. Morreu em Paris em 1992. O beirão raiano Cargaleiro, com 95 anos, também se notabilizou como pintor e ceramista. Tem obra espalhada por todo mundo, com especial destaque em França, país que o agraciou em 1984. Parte da sua obra encontra-se em exposição permanente no Museu Cargaleiro, em Castelo Branco. Júlio Resende é conhecido, entre outras coisas, pelos seus murais em azulejo espalhados, maioritariamente, no Porto, cidade onde nasceu em 1917. Também ele passou por França, onde bebeu da obra de Duco de la Haix e de Otto Friez. Do geometrismo ao não figurativismo, do gestualismo ao neofigurativo, a sua arte desenvolveu-se numa encruzilhada de pesquisas, cuja dominante foi sempre expressionista e lírica. Morreu em 2011, aos 93 anos.

      Também “presente” estará Paula Rego. A artista, considerada por muitos como o expoente máximo das artes plásticas portuguesas contemporâneas, nasceu em 1935. Fixou-se em Londres desde muito cedo e essa vivência em Terras de Sua Majestade pode ter-lhe conferido outra visibilidade à sua obra. Tem diversos títulos honoríficos, tanto em Portugal como no Reino Unido, e ainda noutros países. Paula Rego foi madrinha da Bienal Internacional de Mulheres Artistas de Macau.

      Além do seu valor estético individual, estas obras tornam-se objectos de colecção. Muitos artistas portugueses famosos produziram abundantemente utilizando variadas técnicas de impressão. E, “sem qualquer tipo de reserva, todas as obras estão disponíveis para venda”. “Esperemos que as pessoas venham visitar a exposição. Há obras notáveis que merecem ser vistas e, quiçá, compradas. É arte que faz bem aos olhos e à alma”, referiu José I. Duarte.

      A Galeria Amagao foi criada com uma vocação lusófona, mas desta vez, e devido ao tema da exposição, todos os artistas são portugueses, dos mais consagrados aos mais novos. “Para além dessa vocação, temos ainda essa outra vocação de mesclar artistas, procurando dar um panorama o mais diversificado possível. Por isso, decidimos juntar a Paula Rego ou o Pomar, com o Vhils ou o Alexandre Marreiros”, notou ainda José I. Duarte, acrescentando que Portugal é um mais “muito prolífico” na produção de serigrafia, gravura e artes gráficas.

       

      PONTO FINAL