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      InícioInternacionalTrês meses de uma guerra que está agora num impasse

      Três meses de uma guerra que está agora num impasse

      Foi há três meses que a Rússia deu início à invasão da Ucrânia. Michael Share diz que a guerra está agora num impasse, com a Ucrânia ligeiramente por cima. Para o especialista em História da Rússia da Universidade de Macau, o conflito deverá durar pelo menos até ao Outono. Por outro lado, o professor universitário indica também que a China está a observar atentamente o conflito, como forma de preparar uma eventual entrada em Taiwan.

       

      Já se passaram três meses desde o início da guerra na Ucrânia e agora o conflito parece estar num impasse, diz Michael Share, especialista em História da Rússia da Universidade de Macau. “Nenhum dos lados está a ganhar”, ainda que a Ucrânia pareça estar actualmente por cima.

      A Rússia, depois de perder duas batalhas no início da guerra, em Kiev e em Karkhov, virou-se depois para o Leste e Sul da Ucrânia, onde conseguiu uma vitória, ao tomar a cidade de Mariupol. “Essa é a maior cidade que eles conseguiram, e só o conseguiram três meses depois do início da guerra”, comenta, em declarações ao PONTO FINAL. Por isso, Michael Share diz que “a Ucrânia parece estar em vantagem, mas é por muito pouco”.

      Assim, “não há fim à vista”. O analista diz mesmo que a guerra poderá entrar num impasse tal que só terminará se um dos lados tiver uma vitória decisiva. “Os russos tentaram isso e falharam”, nota, ressalvando também que “não é certo que os ucranianos sejam fortes o suficiente para conseguirem uma vitória decisiva”.

      O professor universitário diz que, por isso, a guerra deverá prolongar-se até, pelo menos, ao Outono, “mais três ou quatro meses”. “No Outono, com a chuva e à medida que vai ficando mais frio e os campos se vão transformando em lama, talvez aí possa haver uma negociação”, aponta.

      Para Michael Share, o perigo de um ataque nuclear da Rússia é real. “Pode acontecer. Depende apenas de uma pessoa: Vladimir Putin”. O especialista nota que tem havido cada vez mais pressão, por parte de comentadores televisivos russos, para que o Presidente russo carregue no botão. “É como se eles se tivessem esquecido dos dias da Guerra Fria”, diz, frisando que um “Inverno nuclear” poderia “destruir a humanidade”.

      No entanto, “alguns líderes russos pensam que podem fazê-lo, nem que seja apenas para mostrar ao mundo o que podem fazer se quiserem”. Há também o perigo de a Rússia avançar para um ataque nuclear cirúrgico, “para destruir alguma unidade ou cidade ucraniana”. “Isso seria drástico, se isso acontecer teria de haver uma resposta da NATO, já que é algo sem precedentes”, assinala. “Acho que a Rússia pode mesmo fazer isso – ou usar armas químicas ou biológicas – se acharem que vão perder a guerra”, avisa.

      Ontem, Sergey Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, disse que o país quer unir-se cada vez mais à China: “Agora que o Ocidente tomou uma ‘posição ditatorial’, os nossos laços económicos com a China crescerão ainda mais rapidamente”.

      Os laços entre a Rússia e a China são de ordem diplomática e económica. Por um lado, a Rússia precisa que a China continue a comprar o seu petróleo e gás natural; por outro lado, precisa do apoio diplomático da China junto das Nações Unidas.

      A posição da China quanto ao conflito tem sido de neutralidade, tal como tem acontecido com países como a Índia e África do Sul, por exemplo. Se a China se virar contra a Rússia, Moscovo pode também perder o apoio dos outros países neutros, explica o investigador.

      Michael Share chama ainda a atenção para o facto de a China estar a observar esta invasão russa à Ucrânia como forma de preparar um eventual assalto a Taiwan. “Estão a ver os erros que a Rússia está a cometer para não cometerem os mesmos erros”, assinala. A China poderá mesmo avançar para a Formosa? “Acho muito possível”, diz Share, ressalvando que é agora menos provável que o faça, depois de ver as dificuldades que a Rússia está a ter na Ucrânia.

       

      PONTO FINAL