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      Início Internacional Ucrânia comemorou ontem o Dia da Vyshyvanka

      Ucrânia comemorou ontem o Dia da Vyshyvanka

      Instituído apenas em 2006, por sugestão de uma estudante universitária, o dia serve para enfatizar um dos símbolos mais conhecidos da cultura ucraniana. A folclórica vestimenta étnica foi eternizada pelo pintor espanhol Pablo Picasso, que a usava com regularidade. Em Macau, os ucranianos dão importância, mais do que nunca, aos símbolos do país.

       

      A menos de uma semana de se assinalar três meses de conflito na Ucrânia, após a invasão da Rússia, a 24 de Fevereiro, os ucranianos não deixaram de comemorar, como puderam, o Dia da Vyshyvanka, um feriado que visa preservar as tradições folclóricas originais de criar e usar roupas bordadas étnicas.

      O Presidente da República da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enviou ontem uma mensagem a todos os ucranianos, dando-lhes os parabéns pelo no Dia da Vyshyvanka. “Este é o nosso amuleto sagrado nesta guerra. Feliz dia da Vyshyvanka, Ucrânia!”, escreveu o Chefe de Estado nas redes sociais oficiais.

      Comemorado sempre na terceira quinta-feira do mês de Maio, as vyshyvankas são, juntamente com os pysanka – ovos de Páscoa tradicionais ucranianos -, um dos símbolos mais conhecidos da cultura ucraniana.

      Tão tradicional que o consagrado pintor espanhol Pablo Picasso as vestia. Talvez muito por culpa e influência da sua primeira mulher e musa artística, Olga Khokhlova, bailarina de origem ucraniana, nascida na cidade de Nizhyn, durante o reinado do antigo Império Russo, hoje oblast de Chernihiv.

      Contudo, apesar da ancestralidade da vestimenta, apenas em 2006, por sugestão de Lesia Voroniuk, então aluna da Universidade de Chernivtsi, começou a ser celebrado no país o Dia da Vyshyvanka. Tudo aconteceu quando a estudante sugeriu que ela e os colegas escolhessem um dia e vestissem vyshyvanka todos juntos.

      Inicialmente, o uso da tradicional camisa bordada restringiu-se a várias dezenas de alunos e docentes. Contudo, nos anos seguintes, a grande maioria da população passou a usar a roupa e reavivou a tradição.

      Mais tarde, atraiu a diáspora ucraniana em todo o mundo, bem como apoiantes da Ucrânia, principalmente depois de 2014, altura em que a Rússia assume o controlo militar efectivo da Crimeia e de partes do território de Donbass. No ano seguinte, o Governo ucraniano celebrou o dia com o slogan “Dê uma vyshyvanka a um militar”. A campanha visava aumentar o espírito de luta dos soldados ucranianos nas quezílias contra os russos.

      Dezasseis anos depois, e em Macau, comemora-se como se pode. Oksana Karpova, ucraniana a residir no território há alguns anos, considera que o Dia da Vyshyvanka “é muito importante”. Ela própria, que saiu do país em 1996, também está a reaprender a cuidar de todos os símbolos e tradições ucranianas, confessou ao nosso jornal. “Cresci sob o regime russo, ainda durante a União Soviética, e deixei a Ucrânia sabendo que a Rússia continuava, de certa forma, a fazer uma lavagem cerebral em todos nós. Mas isso durou até 2014, quando comecei a ver a Ucrânia de uma perspectiva diferente e, em 2019 com Zelensky, tudo mudou. Voltei para a Ucrânia com os meus filhos para apresentá-los à família e para conhecerem as minhas origens”, contou, prometendo que os seus descendentes tudo saberão sobre as tradições e cultura ucranianas.

      Por seu turno, Sergii Kvitych lembrou, ao PONTO FINAL, que “o Dia da Vyshyvanka é um feriado que os ucranianos comemoram todos os anos”. “Penso que a guerra não interferirá nisso. Acho até, mais do que nunca, que os ucranianos que agora estão noutros países vão definitivamente comemorar este dia”, assumiu o bailarino.

      O dia da celebração foi intencionalmente definido para ser comemorado durante a semana e não no fim-de-semana, precisamente “para enfatizar que a vyshyvanka é um componente da vida e da cultura dos ucranianos, e não um artefacto antigo e obsoleto”.

      Em 2011, quando a efeméride celebrou cinco anos de existência, a Ucrânia entrou para o Livro dos Recordes do Guinness depois de 4.000 mil pessoas terem envergado uma vyshyvanka na Praça Central de Chernivtsi. No mesmo ano, uma empresa têxtil do país também criou camisa gigante bordada (quatro por 10 metros) que foi colocada no edifício central da Universidade de Chernivtsi.