Vários organismos da esfera governamental têm acompanhado de perto o desenvolvimento físico e mental dos jovens, reiterou a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude. Apesar de alguns casos de suicídio de jovens nos últimos anos, relacionados com doenças mentais, o Executivo promete não baixar a guarda.
O Governo da RAEM atribui grande importância ao desenvolvimento físico e mental dos jovens. Esta tem sido uma frase recorrente nos últimos tempos, e o director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) também não se fez rogado em usá-la para responder a uma interpelação escrita do deputado da Assembleia Legislativa (AL) Lei Leong Wong, que se mostrou preocupado com a saúde mental dos jovens do território.
Kong Chi Meng enumerou uma panóplia de situações em que o Governo está no campo atento relativamente às questões do desenvolvimento físico e mental dos jovens. “Desde o início de 2021, os serviços interdepartamentais e as instituições particulares criaram o grupo de trabalho para o acompanhamento da saúde mental e física dos jovens – ‘Transportar o amor’, com vista a desenvolver 65 trabalhos práticos sob seis perspectivas”, relembrou o director da DSEDJ.
Lei Leong Wong, na sua interpelação escrita, fez notar que, de acordo com as informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), “metade das pessoas com doenças mentais começaram a ficar doentes aos 14 anos, mas como as doenças não foram detectadas, na maioria dos casos o tratamento não foi o adequado”.
Ao mesmo tempo, o também presidente da Aliança de Povo de Instituição de Macau acrescentou, ainda de acordo com os mesmos dados, que “cerca de 10% a 20% dos jovens no mundo sofrem de problemas de saúde mental, e na RAEM, segundo o Governo, alguns casos de suicídio de jovens nos últimos anos tiveram a ver com doenças mentais”. “É de salientar que os jovens com esses problemas não aparentam ter problemas emocionais ou sofrer de pressão, só que não sabem expressar as suas emoções quando se sentem desconfortáveis, especialmente quando comunicam ou convivem com outras pessoas, e os seus actos revelam algumas hesitações”, admitiu.
O director da DSEDJ referiu ao parlamentar que os Serviços de Saúde, de acordo com as orientações emanadas pela OMS, “criaram uma plataforma que disponibiliza aos residentes serviços mentais e psicológicos abrangentes”. Foi ainda criada uma equipa de prestação de serviços psicológicos comunitários, “que fornece serviços de extensão psiquiátricos a pacientes com doenças mentais de riscos potenciais e críticos”. “Em 2019, as estratégias na área de apoio financeiro dos serviços foram ajustadas, incentivando as organizações sem fins lucrativos a proceder à realização de acções de divulgação junto das escolas e da comunidade, orientando os jovens com necessidade a tomarem a iniciativa de procurar ajuda”, relembrou o responsável.
O Instituto de Acção Social (IAS), disse Kong Chi Meng, “tem desenvolvido o serviço de promoção de saúde física e mental para as pessoas com idades entre os 10 e os 29 anos”. “Neste contexto, os assistentes sociais e os agentes de aconselhamento psicológico tomam a iniciativa de se deslocar às escolas para aí ministrarem o curso de formação sobre a saúde mental, destinado aos alunos do ensino primário complementar, do ensino secundário e do ensino superior”, explicou, acrescentando que o IAS, em cooperação com as escolas, “presta serviço de acompanhamento de casos aos alunos suspeitos de sofrerem de doença mental ou aos casos confirmados”.
Sempre em estreita comunicação
A DSEDJ, órgão que dirige, “criou um mecanismo de comunicação dos acidentes graves relacionados com alunos, para prestar apoio imediato aos alunos com necessidades”. “Coordena, de forma contínua, com as instituições de aconselhamento, o acompanhamento, a longo prazo, de casos envolvendo alunos com comportamentos de alto risco, de modo a realizar uma intervenção precoce”, afirmou, lembrando que, em 2015, a entidade “coordenou a criação do grupo interdepartamental das instituições do ensino superior sobre a gestão de crises e acidentes e, a partir de 2016, começou a prestar serviços de orientação na área de aconselhamento às unidades de serviço de aconselhamento aos estudantes das instituições”.
No que diz respeito à situação da aprendizagem dos alunos e à saúde mental dos jovens de diferentes faixas etárias sob a normalização da prevenção da pandemia de covid-19, a DSEDJ “recolhe, activamente, informações sobre a aprendizagem adaptativa dos alunos, mantendo uma ligação estreita com as escolas, lembrando-as que devem ter em consideração as necessidades e capacidades de aprendizagem dos alunos de diferentes níveis de ensino no delineamento do conteúdo da aprendizagem em casa, durante o período de suspensão das aulas e do ensino no início do regresso às aulas presenciais, acautelando também a sua a saúde psicológica e emocional”.
Kong Chi Meng revelou que, actualmente, “todas as escolas de ensino não superior já definiram o seu plano preparatório para a suspensão das aulas, para fornecerem aos alunos meios e medidas de apoio à aprendizagem adequados”. “Se a suspensão das aulas tiver um período curto, não será necessário apressar ou reorganizar o currículo, sendo que, depois de retomadas as aulas, as escolas poderão fornecer uma quantidade adequada de aulas complementares, para os alunos que delas necessitem”.
A DSEDJ promete manter uma estreita comunicação com nove instituições de serviços de aconselhamento, a fim de assegurar que os serviços de apoio emocional possam ser prestados, de forma contínua, aos alunos que deles necessitem e aos seus encarregados de educação.
Os factores que afectam a saúde física e mental dos jovens são múltiplos e complexos, afirmou ainda o director da DSEDJ, que deixou a promessa de que as autoridades vão “continuar a ter como conceito nuclear a educação para a vida, desenvolvendo diversos trabalhos, ensinando os alunos a criarem uma correcta filosofia de valores e atitudes perante a vida e criando, em conjunto com os interessados, uma rede de apoio aos alunos”.
PONTO FINAL











