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      O que é um abrigo? “Shelter”, de Alexandre Marreiros, quer desconstruir o conceito

      O dicionário define “abrigo” como “algo que cobre ou protege” ou “estrutura que oferece protecção”. Mas será mesmo isso? É com esta questão em mente que Alexandre Marreiros apresenta a exposição “Shelter”, a ser inaugurada na sexta-feira, na Galeria Blanc Art.

       

      Será um abrigo “algo que cobre ou protege” ou “estrutura que oferece protecção”, como define o dicionário? Será um conceito mais abstracto? Em “Shelter” – exposição a ser inaugurada na sexta-feira na Galeria Blanc Art – Alexandre Marreiros convida a desconstruir as dimensões de “abrigo” e “segurança”. “Shelter” fica na Galeria Blanc Art até ao dia 20 de Junho.

      “Há uma ideia generalizada que é universalmente associada a qualquer coisa que é construída, coberta, e que nos oferece segurança”, começa por indicar o artista ao PONTO FINAL, sublinhando que a exposição se propõe a contestar esta ideia e “convidar o visitante a transformar a ideia de abrigo numa coisa que faz parte do domínio intelectual ou mental – um conceito, uma ideia”.

      Marreiros dá o exemplo de Adolf Hitler, que se suicidou dentro de um ‘bunker’: “Ele cometeu suicídio dentro de um ‘bunker’, talvez o maior sinónimo de abrigo ou segurança. Ele não morre por ter falta de segurança, mas por força da sua atitude mental ou de uma ideia qualquer de insegurança que não estava num sítio físico mas sim dentro da cabeça dele”. Alexandre Marreiros ressalva que “Shelter” não tem nada a ver com este exemplo, querendo apenas “repensar aquilo que é um abrigo”. Até porque “segurança pode ser uma pessoa, um momento”, afirma.

      Com a curadoria de Emilia Tang, a exposição na Galeria Blanc Art foi pensada a partir do tecto – “o plano horizontal que encerra um espaço” – onde o artista colocou mais de 350 balões de grande dimensão cheios de hélio. “A exposição, de dia para dia, vai-se alterar. O hélio vai-se perdendo e os balões vão acabando por desaparecer”, explica, acrescentando: “O próprio balão contém tempo. O elemento tempo é muito importante para a minha exposição. Ele confere esta dimensão metamórfica”.

      “O primeiro trabalho a ser desenvolvido para esta exposição foi a instalação colocada no tecto que utiliza dois elementos: o balão, ele próprio associado a momentos festivos ou de celebração, logo temporais, e o segundo elemento: o hélio inserido no balão. Juntando os dois elementos que compõem esta instalação teremos o elemento: tempo. A capacidade de o balão perder hélio durante a exposição, é por si próprio revelador do tempo que o balão vai perdendo, será neste caso a metáfora encontrada para trabalhar esta ideia de algo que nos protege ou que nos cobre ser temporal”, explica Alexandre Marreiros no comunicado sobre a exposição.

      Aos 350 balões que vão estar no tecto da galeria, Alexandre Marreiros vai acrescentar 20 trabalhos inéditos, feitos propositadamente para esta exposição, que vão desde a pintura, à técnica mista, passando pela gravura. “Estes trabalhos expostos na parede são consequência e registo desta ideia que se propõe a desconstruir a definição de abrigo”, comenta o artista.

       

      PONTO FINAL