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      Morreu o escritor e jornalista Fernando Sobral

      O jornalista e escritor Fernando Sobral morreu na sexta-feira, vítima de doença prolongada. Fernando Sobral usou Macau como pano de fundo dos seus romances, foi colaborador do PONTO FINAL e convidado do Festival Literário de Macau.

       

      Morreu Fernando Sobral, jornalista e escritor que usou Macau como pano de fundo de romances como “A Grande Dama do Chá”, “O Segredo do Hidroavião” ou “O Silêncio dos Céus”. Foi colaborador do PONTO FINAL e convidado do festival Rota das Letras.

      Nascido no Barreiro, em 1960, Fernando Sobral iniciou a sua carreira na imprensa na década de 1980, quando era ainda aluno da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, destacando-se desde logo em publicações como o antigo suplemento DN/Jovem, do Diário de Notícias.

      Ao longo de quase 40 anos, o seu nome esteve associado a jornais como Semanário, O Independente, Diário Económico, Se7e e Jornal de Negócios, onde foi grande repórter e autor da coluna “O Pulo do Gato”, sobre actualidade política, e da página temática “Oriente”, sobre a Ásia e o Médio Oriente.

      No Jornal Económico assinava, desde o ano passado, a coluna “Sociedade Recreativa”, que juntou a uma outra, anterior, sobre relógios, no caderno Et Cetera, onde publicou, esta semana, o último texto. Em 2020-21, assinou igualmente uma coluna de opinião no jornal Público.

      Durante a sua carreira, foi também colaborador de revistas como Ler, Máxima e Sábado, e ainda do jornal Correio da Manhã, onde assinou opinião sobre desporto.

      A obra literária de Fernando Sobral soma mais de uma dezena de títulos, entre livros de ficção e não ficção, tendo no romance “A Grande Dama do Chá”, uma história centrada em Macau, em vésperas da II Guerra Mundial, conjugando espionagem, música e paixão, a sua última obra de ficção, publicada pela Arranha-Céus, em 2020. “O Segredo do Hidroavião” é o nome de outro romance histórico da autoria de Fernando Sobral que tem Macau como cenário, contando a história do sequestro do hidroavião Miss Macao, que aconteceu em 1948.

      “O Silêncio dos Céus”, cuja história se passa em 1851, conta a história de Diogo Inácio de Freitas que, com outros conspiradores, sonha com a independência de Macau. “L. Ville” traça uma linha entre Lisboa, Nigéria e Macau através de crimes, diamantes e traições. Também “O Navio do Ópio”, romance sobre uma plantação de ópio em Porto Santo, passa por Macau.

      “As Joias de Goa”, “Ela Cantava Fados”, “Na Pista da Dança”, “Torre de Papel”, “Os Anos Sócrates – o grande jogo da política portuguesa” e “Futebol – o estádio global” são outros dos títulos em nome próprio, escritos desde o final dos anos 1990.

      Em coautoria, escreveu ainda “Alfredo da Silva, a CUF e o Barreiro”, com Agostinho Leite e Elisabete de Sá, “Os Mais Poderosos da Economia Portuguesa” e “A Teia do Poder”, com Pedro Santos Guerreiro, e “Barings, a história do banco britânico que salvou Portugal”, com Paula Alexandra Cordeiro.

      Em 1986, Fernando Sobral foi um dos nomes fundadores da Rádio Universidade Tejo, da Academia de Lisboa, trabalhando mais tarde na antiga Correio da Manhã Rádio, privilegiando sempre a abordagem de temas de arte e cultura e, em particular, a divulgação de novas tendências musicais. Foi também um dos fundadores da antiga Rádio Sul e Sueste, estação local do Barreiro, sua terra natal.

      Na televisão, foi colaborador regular de programas dedicados à música e à literatura, como “Escrita em Dia”, na SIC, e “Ler para Crer”, na RTP. “O nosso maior défice é o das ideias”, afirmou numa das derradeiras colunas que escreveu, no Público, em Junho de 2021, referindo-se a Portugal, para acrescentar de seguida: “Na nossa elite política, ninguém acredita que a cultura e o conhecimento continuam a ser importantes para a sociedade em geral e para se perceber a política global”.

      Há uma semana, n’O Jornal Económico, Fernando Sobral escreveu: “O horizonte dá as respostas: a crise vai chegar e com muita força. Há um Adamastor à nossa espera”.

       

      A LIGAÇÃO A MACAU

       

      Fernando Sobral foi colaborador do PONTO FINAL e do Hoje Macau, onde publicava, desde 2019, o romance “A Grande Dama do Chá”. Fernando Sobral foi também um dos convidados do Festival Literário Rota das Letras.

      Em 2014, em entrevista ao PONTO FINAL, Fernando Sobral afirmou: “Há uma falta de conhecimento por uma coisa que nos fascina sempre, que é o Oriente – Macau, no caso, por ligações históricas – e muitas vezes isso não é transposto para Portugal. Macau é um pouco assim como Goa, são coisas para lá, difusas, houve uns portugueses que passaram por lá”. “Há realmente muitos factos históricos sobre Macau que são extremamente interessantes – aliás, a própria conservação de Macau português, tendo Hong Kong ali ao lado, as fortes ligações britânicas, os interesses chineses, acaba por ser extremamente fascinante”, indicou, sublinhando: “É fascinante a sobrevivência dos portugueses em Macau, completamente notável”.