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Quinta-feira, 30 de Junho, 2022
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      Início Opinião Briosa minha briosa

      Briosa minha briosa

      Escrevo hoje sobre algo porventura mais próximo das leitoras e leitores deste Diário. Na verdade, nem em Macau, nem em Dakar, nem em Tóquio, deixo de acompanhar com atenção e sentido crítico o que se passa em Coimbra, cidade onde nasci, cresci e me formei, eternamente dona da minha juventude. E, pois, com pesar que vi a Académica descer novamente de divisão, desta feita à terceira (Liga 3 de forma eufemística), onde jogará pela primeira vez na sua história. Com todo o respeito que me merecem os clubes de todas as divisões, que verdadeiramente movem o futebol e os seus apaixonados, um clube que tanta emoção desperta, não só em Coimbra, mas por Portugal inteiro e pelas nossas Comunidades pelo mundo, ser novamente relegado merece uma análise – também aí – crítica. Primeiro, porque a Académica representa mais do que a sua performance desportiva. Essa, como em todos os clubes, terá os seus anos de glória e de azares. A discussão de táticas e jogadores deixo- a para outros comentadores. A Académica é todo um símbolo: de futebol, sim, mas também de Portugal, de Coimbra, da sua Universidade, Alta e Sofia, dos seus estudantes, de gerações que há séculos se deslocam de todo o território nacional, das grandes cidades às pequenas aldeias e vilas e até, em tempos, do Ultramar, para estudar na mais antiga universidade do país. Une-os os tempos de estudante, a felicidade de ser jovem em Coimbra, os fados e os copos, a paixão por este clube que os representa. Todos terão, como eu, um clube de origem ou de família. Mas a Académica terá, sempre, um lugar especial nos nossos corações. Ver, assim, a Comissão Eleitoral da Académica anunciar o anulamento das eleições, marcadas para 15 de maio, por inexistência de candidaturas, numa Associação nascida a 3 de novembro de 1887 (mais antigo clube em atividade na Península Ibérica), entristece-me profundamente, até porque é um sinal que ultrapassa as desfortunas do clube. Revela-se, sim, mais uma trágica síndrome da longa marcha de Coimbra para a irrelevância. Uma cidade que se tem por terceira (!) do país não pode aceitar a permanência do seu passado nos livros de História enquanto vê o desaparecimento da relevância nacional no presente e futuro. Acatar uma posição de mero prestigio histórico não se coaduna com o desenvolvimento e prosperidade que merecem a cidade e os seus habitantes – como se vê pelo caso da Académica. Pois que se desperte, em todos os conimbricenses e estudantes, venham donde vierem, o calor que nos movia e que moveu gerações, nesta que foi em tempos capital de Portugal. Coimbra tem uma história invejável, mas devemos ter os olhos no futuro, com um plano e uma estratégia concretos e realizáveis. Que se

      comece pela Académica, querida Briosa, e que se faça da minha cidade e das suas instituições inveja outra vez.

       

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras