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      Analista militar considera que a Rússia “só tem pela frente tipos diferentes de derrota”

      Michael Clarke, professor do King’s College London, referiu esta semana, numa análise publicada pela BBC, que Putin não tem razões para celebrar qualquer tipo de vitória. “Esta guerra não pode ser considerada uma vitória para a Rússia, em nenhum sentido”, escreveu. O académico lembra que todos os sucessos militares alcançados pelo Kremlin, fora do país e depois de 2008, são devidos ao “uso de pequenas unidades de forças de elite, mercenários e grupos de milícias locais aliados ao poderio aéreo russo”.

      Clarke considera que essa estratégia de Putin “deu a Moscovo uma influência considerável a baixo custo durante intervenções na Geórgia, Nagorno-Karabakh, Síria, Líbia, Mali e duas vezes na Ucrânia em 2014 — primeiro na anexação ilegal da Crimeia e depois na criação dos autodenominados Estados russos em Luhansk e Donetsk”.

      Contudo, admite o analista, a tentativa de conquistar o poder na Ucrânia em cerca de 72h não surtiu efeito desta vez. “Num país de 45 milhões de pessoas que ocupa a segunda maior área terrestre da Europa. Foi uma aposta surpreendente e imprudente que fracassou completamente logo na primeira semana, que era crucial”, escreve Clarke.

      Para o britânico todos os planos de Putin têm vindo a fracassar. A Rússia nunca conseguiu extinguir a resistência armada ucraniana na grande maioria das cidades que tentou invadir como a capital Kiev, Chernihiv, Sumy, Kharkiv, Donetsk, Mariupol e Mykolaiv. O Kremlin apenas conseguiu conquistar Kherson e ainda assim os ucranianos “tentam resistir à administração russa”. “O facto é que as forças russas eram pequenas demais para dominar um país tão grande”, contatou o professor do King’s College London, acrescentando que as forças armadas russas “foram mal lideradas” e “ficaram dispersas em torno de quatro frentes separadas, de Kiev a Mykolaiv, sem comandante geral”.

      Agora, o plano parece ser o de “desistir de Kiev e do norte” da Ucrânia e concentrar “todas as suas forças para uma grande ofensiva na região de Donbass e no sul da Ucrânia, provavelmente até o porto de Odessa”, retirando à Ucrânia a única saída marítima. Contudo, Michael Clarke não considera o processo “simples”. “Os ucranianos têm vindo a ganhar tempo precioso. Cada lado tenta trazer o seu equipamento de combate pesado antes que a batalha seja totalmente iniciada. Poderemos observar isso nas próximas semanas.”

      Por fim, se a batalha chegar a um impasse no Outono, “Putin terá muito pouco para mostrar ao público russo que justifique tanta perda e dor”. Mesmo que os russos consigam dominar por completo todo o Donbass e o Sul, acredita Clarke, “eles ainda terão que manter esses territórios por um futuro indefinido diante de vários milhões de ucranianos que não os querem lá”.

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau