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      Início Internacional Guerra na Ucrânia sem fim à vista

      Guerra na Ucrânia sem fim à vista

      “As negociações não estão a levar a lado nenhum”. A afirmação é de Michael Share, professor da Universidade de Macau e especialista em História da Rússia. Ao PONTO FINAL, o analista diz que os dois lados estão cada vez mais afastados. Segundo o professor universitário, a Rússia vai querer deixar a Ucrânia sem acesso à costa do Mar de Azov.

      Começou a 24 de Fevereiro a invasão russa ao território ucraniano. Mais de dois meses depois, há poucos sinais de diminuição do nível de agressão. Aliás, segundo Michael Share, o conflito tem escalado. Para o professor da Universidade de Macau e especialista em História da Rússia, os lados estão cada vez mais distantes.

      “Tem havido negociações, mas a questão é saber quão sinceros são ambos os lados”, referiu o analista, reiterando que “ambos os lados parecem estar muito longe”. Michael Share lembra que há uma semana António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações unidas (ONU), se encontrou com Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa, “mas no entanto não parece ter sido bem sucedido”.

      O professor da Universidade de Macau diz que a Rússia quer ter ganhos territoriais substanciais na Ucrânia, que incluem não só a região do Donbass e da Crimeia – que já tinha sido tomada em 2014 – como a Sul. Já a Ucrânia exige a retirada imediata de todas as forças russas, um cessar-fogo e a devolução dos territórios ocupados, “já para não falar das reparações à Ucrânia, que se estimam serem na ordem dos 100 mil milhões de dólares americanos”.

      “As negociações não estão a levar a lado nenhum. E a questão é saber se cada um dos lados quer realmente negociar. As negociações só vão acontecer quando ambos os lados quiserem negociar”, sublinhou.

      Assim, Michael Share acredita que ainda há muito caminho a percorrer até ao fim da guerra. Para o especialista em assuntos russos, Putin vai querer ocupar a Transnístria, uma região que faz parte da Moldávia e cuja população é maioritariamente russa. Esta região declarou independência, sendo apenas reconhecida pela Federação Russa. “A Rússia tem um pequeno contingente de tropas lá e o medo é que a guerra possa ir da Transnístria até à parte Sul da Ucrânia”, alertou, lembrando que recentemente foram registados bombardeamentos nessa zona.

      O objectivo de Moscovo é, explicou Michael Share, fazer com que a Ucrânia fique sem acesso ao Mar de Azov, a Sul. “Os russos vão tentar tomar a costa Sul da Ucrânia. Se tomarem Odessa, podem ligar à Transnístria e isso pode deixar a Ucrânia sem costa, pobre e dependente do Ocidente para a sua sobrevivência”, referiu.

      Michael Share também indicou que a União Europeia e a NATO têm estado a trabalhar em parceria. A União Europeiapor vias diplomáticas, tentando negociar uma solução para o conflito e enviando ajuda para a Ucrânia. E a NATO tratando da parte militar.

      PONTO FINAL