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      InícioSociedadeCaritas registou mais de 4.000 pedidos de ajuda psicológica até Abril

      Caritas registou mais de 4.000 pedidos de ajuda psicológica até Abril

      Desde o início do ano, Macau já registou mais de 40 casos de suicídio, número equivalente a dois terços de todo o ano passado. A linha da Caritas “Esperança de Vida” recebeu também mais de 4.000 pedidos de ajuda relativamente a problemas emocionais nos primeiros quatro meses deste ano. Paul Pun pede a criação de serviços domiciliários para aconselhamento médico e psicológico para ajudar os cidadãos. Já alguns profissionais consideram importante encontrar casos ocultos de pensamentos suicidas como medida de prevenção, sendo que os idosos com doenças crónicas poderão fazer parte do grupo de alto risco.

       

      O número de suicídios no território tem revelado recentemente uma tendência de aumento, tendo-se registado mais de 40 casos desde o início deste ano. De acordo com o secretário-geral da Caritas Macau, Paul Pun, a linha “Esperança de Vida” registou mais de 4.000 pedidos de ajuda desde o início do ano até ao final do mês passado. Ao PONTO FINAL, Paul Pun assinalou que este número está em linha com os dados do ano passado.

      Já ao jornal Ou Mun, Paul Pun apontou que a pandemia tem sido o principal factor a perturbar o estado psicológico dos residentes durante os últimos dois anos. Segundo indicou Paul Pun, muitas pessoas dizem que é difícil prever quando é que alguém vai cometer suicídio. No entanto, “quem tem ideia de cometer suicídio, poderá mostrar sinais como insónias, depressão emocional e distanciamento dos outros”.

      Hoje em dia, o desemprego de longa duração e as dívidas ou dificuldades financeiras são também elementos que precipitam “crises ocultas”, o que poderá provocar pensamentos suicidas, indicou o responsável da Caritas.

      A linha “Esperança de Vida” disponibiliza serviço em língua inglesa e portuguesa. Paul Pun referiu que não recebeu muitos casos de pedidos de ajuda nestas línguas, uma vez que “os falantes dessas línguas preferem deslocar-se presencialmente aos centros da Caritas”. “Já os falantes de língua chinesa preferem não ser identificados”, explicou o secretário-geral da Caritas.

      Recorde-se que a linha “Esperança de Vida” da Caritas recebeu um total de 12 mil telefonemas no ano passado, entre os quais 300 casos eram pedidos de ajuda sobre suicídio.

      Ng Lai Ieng, responsável da linha “Esperança de Vida”, indicou ao portal All About Macau que foram efectuadas mais de 3.000 chamadas junto da Caritas no primeiro trimestre, e 70 destas chamadas foram sobre a intenção de cometer suicídio. “Os motivos podem ser problemas de vida, sofrimento emocional ou relacionamentos familiares. A linha funciona como uma saída para eles expressarem os seus sentimentos, de modo a evitar as tragédias”, frisou.

      É de salientar que os dados estatísticos da monitorização efectuada pelos Serviços de Saúde às causas de morte relacionadas com suicídio indicam que foi registado um total de 60 suicídios em Macau ao longo do ano passado. Entretanto, segundo a TDM Canal Macau, os Serviços de Saúde confirmaram que a RAEM tinha registado pelo menos 37 casos de suicídio até 25 de Abril, o que corresponde a mais de metade dos casos de 2021. A vítima mais jovem tinha só 12 anos. Aliás, entre a semana passada e ontem, a Polícia Judiciária comunicou ainda mais quatro casos de suicídio.

      Nesse sentido, Paul Pun apontou que a RAEM carece de serviços domiciliários para aconselhamento médico e psicológico, globais e suficientes, o que é uma lacuna na vertente de serviços sociais, segundo o responsável da Caritas. “Às vezes, a doença crónica, quer psicológica ou física, é o que faz com que o paciente fique sozinho em casa, e, sendo assim, é difícil encontrar alguém para expressar as suas emoções. O sofrimento físico e emocional poderá levar a ter a ideia pessimista de acabar com a própria vida”, indicou. Para o responsável, as autoridades e as associações de serviços sociais devem cooperar para acrescentar serviços médicos que se estendam ao domicílio para proporcionar tratamentos oportunos aos necessitados.

      Observando que as chamadas efectuadas para a linha “Esperança de Vida” eram predominantemente de mulheres, Paul Pun apela a que a sociedade preste mais atenção às emoções e aos recursos de apoio para os homens, incentivando-os a tomar a iniciativa de procurar ajuda caso tenham necessidade.

      Já o director do Centro de Consulta para Cuidados Psicológicos da Associação Geral das Mulheres, Lao Chan Fong, acredita que o aumento dos suicídios reflecte a existência de muitos casos ocultos com possíveis ideias de suicídio na sociedade, que precisam de assistência e apoio mais activo. Num comunicado enviado à imprensa, o também membro da Comissão de Prevenção e Controlo das Doenças Crónicas apontou que, embora as autoridades tenham estabelecido um mecanismo preventivo para disponibilizar serviços de saúde mental aos cidadãos com diferentes níveis de necessidade, é difícil detectar os casos ocultos, uma vez que eles, muitas vezes, vivem uma vida normal como a maioria dos cidadãos.

      “Se eles não tomarem a iniciativa de procurar ajuda, raramente conseguimos descobrir se têm necessidades de aconselhamento ou tratamento da saúde mental. A tomada de decisão de suicídio é um comportamento extremo que resulta de várias condições”, explicou, enfatizando que a identificação de pessoas com as ideias “desesperadas” é muito importante na prevenção do suicídio.

      Já o responsável do serviço de apoio telefónico para idosos “Pengontung”, da União Geral das Associações dos Moradores (UGAMM), disse que os idosos afectados por doenças crónicas podem facilmente ter problemas emocionais e, nesse caso, o acompanhamento dos amigos e familiares é crucial.

      “Particularmente durante a madrugada é mais frequente que se sintam sozinhos, tornando mais fácil ter pensamentos suicidas”, alertou o responsável, frisando que o centro já lançou no mês passado uma acção solidária, tendo telefonado a mais de 1.500 idosos.

      O deputado Lei Leong Wong realçou também que recebeu mais pedidos de ajuda de jovens, nomeadamente com pressão crescente relacionada com os estudos. “Alguns podem não ter um entendimento completo sobre o seu estado psicológico e podem subestimar o impacto das emoções”, asseverou.

      O Instituto de Acção Social (IAS) apela ao público para que, em caso de notar anomalias emocionais ou de comportamento de amigos e familiares, não os repreendam ou culpem. Pelo contrário, devem prestar apoio, acompanhamento e encorajamento, de forma a ajudá-los a superar as dificuldades. Os Serviços de Saúde aconselham todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados e desesperados para ligarem para a Linha Aberta “Esperança de vida” da Caritas (2852 5222) ou a linha de aconselhamento do IAS (2826 1126).

       

      PONTO FINAL