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      InícioGrande ChinaCorrespondentes em Hong Kong cancelam prémios de jornalismo dos Direitos Humanos

      Correspondentes em Hong Kong cancelam prémios de jornalismo dos Direitos Humanos

      O Clube de Correspondentes Estrangeiros em Hong Kong cancelou ontem a edição deste ano dos prémios de jornalismo sobre Direitos Humanos alegando preocupações com a possibilidade de infração da lei local, que impõe “linhas vermelhas” aos jornalistas.

       

      Os vencedores da 26.ª edição destes prémios seriam anunciados em 3 de Maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. O presidente do Clube dos Correspondentes Estrangeiros, frequentado por jornalistas, advogados, empresários e diplomatas em Hong Kong, disse que a decisão “difícil” foi tomada depois de uma reunião da direcção.

      “Sei que é uma decisão fora do comum quando o processo estava já muito avançado”, disse Keith Richburg, num comunicado. “Nos últimos dois anos, os jornalistas em Hong Kong operaram sob ‘linhas vermelhas’ que delimitam o que está e não está autorizado, mas há áreas significativas de incerteza e não queremos infringir a lei de forma involuntária. É neste contexto que decidimos cancelar os prémios”, lê-se na nota divulgada ontem.

      Richburg, um antigo correspondente norte-americano e hoje director do Centro de Estudos de Jornalismo e Meios de Comunicação da Universidade de Hong kong, disse que o clube continuará a promover a liberdade de imprensa, “reconhecendo que os desenvolvimentos recentes poderão requerer mudanças na estratégia”.

      Os Prémios de Jornalismo de Direitos Humanos começaram a ser entregues em 1996, numa iniciativa organizada pelo Clube dos Correspondentes Estrangeiros, a organização não-governamental Amnistia Internacional e a Associação de Jornalistas de Hong Kong (HKJA, na sigla em inglês). Vários jornalistas foram detidos na cidade chinesa e antiga colónia britânica desde junho de 2020, desde que entrou em vigor uma lei de “segurança nacional”.

      A Lei de Segurança Nacional foi imposta em Junho de 2020 por Pequim a Hong Kong em resposta aos grandes protestos de 2019, muitas vezes violentos, nos quais se exigiram reformas democráticas. A sua formulação proíbe a expressão de quase qualquer forma de dissidência e reformulou o contexto jurídico de um território outrora considerado um bastião de liberdade.

      Em Outubro do ano passado, a Amnistia Internacional fechou a sua delegação em Hong Kong depois de 40 anos, alegando que a nova lei tinha tornado “efectivamente impossível” o trabalho livre e “sem medo de graves represálias” das organizações de defesa dos Direitos Humanos.

      No sábado passado, a HKJA, a maior associação de jornalistas de Hong Kong, realizou uma reunião extraordinária para debater o futuro da organização, incluindo a dissolução. No final, o presidente da HKJA, Ronson Chan, afirmou que a associação continuará a existir “num futuro próximo”.

      A associação tem estado sob pressão governamental, com o secretário da Segurança do executivo da cidade a ter posto em causa a sua neutralidade política. Já o Clube de Correspondentes Estrangeiros está em conversações com o Executivo de Hong Kong para a renovação do contrato de arrendamento do ofício em que está instalado, que termina em Janeiro de 2023.

      Em 2018, o Clube enfureceu Pequim por ter convidado um activista independentista para falar numa conferência. O convite teve como retaliação a não renovação do visto do jornalista Victor Mallet, do jornal britânico Financial Times, que era na altura vice-presidente do clube.

      Hong Kong e Macau são duas cidades da China que têm autonomia em todas as áreas, excepto na diplomacia e na defesa, ao abrigo do que ficou acordado quando a administração dos dois territórios passou para do Reino Unido e de Portugal, respectivamente, para a China. A transferência da administração de Macau ocorreu no final de 1999, pouco mais de dois anos depois de a China ter recuperado a soberania sobre Hong Kong.

      Pequim aplicou o princípio “Um País, Dois Sistemas”, que permitiu a Hong Kong e Macau manterem direitos e liberdades de que gozavam as respectivas populações e que não são reconhecidos no resto da China. Depois da entrada em vigor da nova lei de segurança nacional em Hong Kong, em 2020, a China aprovou no final do ano passado a criação de duas comissões em Macau para reforçar a defesa da segurança nacional.

      Recentemente, o director do Gabinete de Ligação do Governo Central chinês em Macau, Fu Ziying, alertou que a cidade “continua a enfrentar muitos desafios na defesa da segurança do Estado”, ao mesmo tempo que “continuam a existir interferências e infiltrações de forças externas”. Mensagem sublinhada recentemente pelo chefe do executivo de Macau, Ho Iat Seng, que disse que o território “continuará determinado no combate, segundo a lei, contra as actividades anti-China e perturbadoras de Macau”. Lusa

       

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau