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      Início Internacional Macron ou Le Pen? Franceses em Macau e Hong Kong na expectativa

      Macron ou Le Pen? Franceses em Macau e Hong Kong na expectativa

      Joga-se no domingo a segunda volta das eleições presidenciais francesas. Tal como em 2017, Emmanuel Macron e Marine Le Pen estão frente a frente. Há cinco anos, Macron venceu, mas desta vez Le Pen parece ter mais argumentos, o que está a deixar alguns franceses em Macau e Hong Kong apreensivos. “Prefiro nem pensar nisso porque isso seria uma tragédia”, comenta Éric Sautedé. Já Armelle de Lainsecq diz que, se a candidata de extrema-direita ganhar, haverá uma revolução nas ruas.

       

      Emmanuel Macron e Marine Le Pen são os dois candidatos à Presidência francesa que vão estar frente a frente na segunda volta do escrutínio, este domingo. Estas eleições, que podem mudar o rumo do país e da Europa, chegam também ao Extremo Oriente. Os franceses sediados em Macau e Hong Kong olham para o futuro com cautela.

      O Presidente francês em funções, Emmanuel Macron, conseguiu 27,84% dos votos na primeira volta das eleições presidenciais em França e vai à segunda volta com Marine Le Pen, que obteve 23,15%. Jean-Luc Mélenchon, candidato de esquerda, ficou pelo terceiro lugar, com 21,95%. Longe dos três primeiros surge o ex-jornalista e comentador político Éric Zemmour, da direita radical, com 7,07% dos votos.

      Em declarações à Agência Lusa, Sophie Pornschlegel, analista política do centro de estudos European Policy Centre (EPC), adverte que há “reais possibilidades” de Le Pen vencer, apesar de ser um cenário em que muitos não acreditam, tal como poucos acreditavam que o ‘Brexit’ vencesse no referendo britânico de 2016”, alerta. “As sondagens dão a vitória a Macron, mas com uma margem curta. Vai depender muito da campanha e da taxa de abstenção e, em particular, do que decidirem aqueles 22% que votaram em Jean-Luc Mélanchon”, observa, notando que parte deste eleitorado até pode votar Le Pen na segunda volta.

      Marc Pierini, académico visitante no Carnegie Europe, diz que a proximidade de Marine Le Pen a Vladimir Putin teria consequências de fundo sobretudo no actual contexto da agressão militar da Rússia à Ucrânia. “Significaria também que a França se inclinaria para medidas de apaziguamento com a Rússia e tentaria engendrar um novo tipo de acordo entre a Rússia e a NATO. Globalmente, uma vitória de Le Pen significaria uma grande vitória estratégica de Vladimir Putin sobre a União Europeia e a NATO, e França seria o primeiro grande Estado da UE (e uma potência nuclear) com um Presidente pró-Rússia”, sublinha o analista.

       

      MACAU E HONG KONG TEMEM PRESIDÊNCIA DE LE PEN

       

      Éric Sautedé saiu de Paris em 1994 em direcção a Hong Kong. Passou por Macau e actualmente está de volta à região vizinha. Nestas eleições é presidente de uma das oito assembleias de voto em Hong Kong. Já em 2017 tinha exercido as mesmas funções, mas em Macau.

      Segundo o professor universitário, nas eleições de 2017, em Macau 17% dos franceses decidiu votar em Le Pen. Na primeira volta das eleições deste ano, juntando os resultados de Hong Kong e Macau, Le Pen reuniu votos de 5% da comunidade francesa. Já Macron foi o preferido de 59% dos eleitores.

      Para Sautedé, que frisa falar apenas enquanto cidadão francês, os dois candidatos têm “personalidades muito diferentes”, “um de centro direita [Emmanuel Macron], outro de extrema direita [Marine Le Pen]”. Éric Sautedé nota que “tudo aponta para uma vitória de Macron, mas também ele assinala que “não é impossível” que Marie Le Pen ganhe. Tudo parece depender do eleitorado de Jean-Luc Mélanchon. “Apesar de a esquerda não ter nada a ver com a extrema-direita, ao mesmo tempo eles falam para o mesmo eleitorado. Então há o receio de que parte do eleitorado de Mélanchon possa votar em Le Pen”, apontou.

      E se Le Pen ganhar? “Claro que temos de respeitar os resultados, mas certamente que isso levará a muita instabilidade em França”. “Isso levaria a muita instabilidade e iria deixar França numa posição muito difícil em relação à Europa e à Ucrânia. Há tantas coisas que poderiam mudar que, para mim, é impossível contemplar. Prefiro nem pensar nisso porque isso seria uma tragédia”, afirma o docente universitário.

      Armelle de Lainsecq também nasceu na capital francesa, mas vive em Macau há 32 anos. A artista também diz que, “se Marine Le Pen ganhar, vai ser missão impossível para ela”. Vai haver “uma revolução nas ruas, porque ela é considerada um diabo”.

      Lainsecq comenta também que não pôde votar nesta primeira volta. Se tivesse votado, o seu voto iria para o outro candidato de extrema-direita, Éric Zemmour. “Seria um voto de amor porque o admiro: ele não é um político”, aponta, frisando que não vai participar na segunda volta: “Agora não estou interessada em votar nem em Emmanuel Macron nem em Marine Le Pen”.

      Um outro cidadão francês, que vive em Macau há mais de 20 anos e que não se quer identificar, diz-se confiante de que Macron vai ganhar na segunda volta. “Temos o mesmo cenário de 2017. Desta vez, a diferença entre os candidatos vai ser mais estreita, uns 55%-45%. Não penso que vá ganhar a Marine Le Pen, penso que os votos de Mélanchon vão para Macron”, afirma, acrescentando que o Presidente em funções “fez bom trabalho no emprego e nas relações internacionais”. “Le Pen traz muitas incógnitas, sobretudo do ponto de vista económico, e nomeadamente problemas sociais que são próprios à extrema-direita”, conclui.