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      InícioCulturaEm “fase crítica de expansão”, Halftone anuncia projectos para o futuro

      Em “fase crítica de expansão”, Halftone anuncia projectos para o futuro

      Um projecto de formação em colaboração com o IPOR, um ‘podcast’, revisões de portefólio, um “Photobook Club Macau” e até, quiçá, uma exposição na praça do Tap Seac. São estes os projectos da Halftone até ao final deste ano. João Miguel Barros, que adiantou ao PONTO FINAL que vai deixar o cargo de presidente da direcção da associação, mostra-se satisfeito com desenvolvimento da Halftone ao longo dos últimos dez meses.

       

      Dez meses após a sua constituição, a Halftone está agora numa “fase crítica de expansão”. João Miguel Barros, presidente da direcção, mostra-se satisfeito com o trabalho desenvolvido pela associação e, ao PONTO FINAL, adianta que há ainda muitos objectivos por atingir até ao final do seu mandato. Barros revelou também que não se vai recandidatar ao cargo no final do ano.

      A Halftone, constituída em Junho do ano passado, “é uma associação inclusiva e abrangente, e está aberta a todos aqueles que tenham interesse na fotografia como expressão artística e/ou documental, independentemente da sua experiência ou da sua prática”, explica o site da associação, que se propõe a promover o trabalho fotográfico dos seus associados, bem como organizar exposições, publicar uma revista, livros e monografias, organizar debates e desenvolver projectos pedagógicos e educativos. Começou com 18 associados e actualmente conta com cerca de 30.

      “Fazemos um balanço muito positivo”, diz João Miguel Barros avaliando os primeiros meses da associação. Esta é “uma associação que começou com um grupo de portugueses, mas rapidamente se expandiu para a sua verdadeira vocação, que é ser uma associação de fotografia que abrange as diversas comunidades de Macau”.

      O presidente da associação diz que a Halftone está “numa fase crítica de expansão”, nomeadamente para a comunidade chinesa. “É muito importante dar esse salto”, nota, assinalando que, em menos de um ano, a associação de fotografia chegou à comunidade chinesa, nomeadamente a fotógrafos locais com trabalho consolidado. “Estamos a juntar à volta da Halftone uma capacidade de pensar a fotografia contemporânea, que é aquilo que verdadeiramente nos interessa”, diz.

      Por outro lado, outro aspecto que João Miguel Barros destaca ao longo destes últimos dez meses tem a ver com a “lógica de funcionamento”, que não está assente apenas nos órgãos sociais. “Nós distribuímos responsabilidades pelos restantes associados”, explica, acrescentando que “esta é uma estratégia de motivação das pessoas para trabalharem nos objectivos comuns que a associação tem”.

       

      PROJECTOS PARA O FUTURO

       

      A associação, que no passado sábado aprovou as contas e actividades referentes a 2021 em assembleia-geral, está agora a preparar projectos para o futuro. Desde logo, na área da formação, está prevista uma colaboração com o Instituto Português no Oriente (IPOR). “Temos um projecto que tem tido receptividade mas ainda não foi concretizado, com o IPOR, no sentido de criar ‘workshops’, não só para as turmas e estudantes do IPOR, mas também para escolas chinesas com as quais o IPOR trabalha”, explica. A colaboração com o IPOR deverá estar implementada até ao final deste ano.

      Estes ‘workshops’ terão como objectivo “falar sobre fotografia, sobre fotógrafos, levar os miúdos pelas ruas para fotografarem e com eles discutir os resultados do seu trabalho”. “Tudo isto é importante para criar uma sensibilidade para que os miúdos tenham uma outra capacidade de olhar”, sublinha.

      Um outro projecto que já está em andamento é um ‘podcast’ da Halftone: conversas em chinês e português sobre fotografia. Este ‘podcast’ ainda está por baptizar. Sabe-se apenas que será o arquitecto André Ritchie a conduzir as conversas em língua chinesa, e Pedro Benjamim, produtor de rádio da TDM, responsável pelo programa em língua portuguesa. Serão conversas de cerca de 45 minutos com amantes da fotografia de Macau, numa série de 12 episódios no total, seis em cada língua.

      As revisões de portefólios, ou ‘portfolio reviews’, também começarão em breve, aponta João Miguel Barros. O fotógrafo Nuno Veloso, que também faz parte da direcção da Halftone, vai orientar este projecto, que visa dar ‘feedback’ sobre os portefólios dos fotógrafos locais, bem como criar diálogos. Os ‘portfolio reviews’ são “instrumentos que podem melhorar muito as práticas profissionais dos fotógrafos e das pessoas que gostam de fotografia”.

      Além disso, a Halftone vai também trazer a Macau a iniciativa Photobook Club até ao final deste mês. O evento vai realizar-se na Livraria Portuguesa. Este é um evento que já acontece a nível internacional desde 2010 e pretende fomentar a discussão em torno dos livros de fotografia. Em Macau, será a primeira vez que se realiza a iniciativa. “Dentro da associação temos alguns membros que são muito entusiastas de livros de fotografia”, conta.

      Por fim, outro plano para este ano e talvez o mais difícil de realizar é o de uma exposição de fotografia num espaço público. A praça do Tap Seac seria o sítio ideal, diz Barros. A associação ainda vai tentar formalizar o pedido para realizar a exposição, mas o presidente da associação ressalva que talvez já não haja tempo útil até ao final do ano. “Se não conseguir fico com mágoa de não ter conseguido esse ponto do programa”, refere.

      Em dez meses, a Halftone já publicou três números da revista que edita e, até ao final deste ano, vai publicar mais dois exemplares. A revista Halftone serve essencialmente para divulgar o portefólio dos associados. Ainda no que toca à formação, António Mil-Homens tem dado formação aos estudantes. “Este é um projecto que queremos continuar”, até porque “estamos muito orgulhosos do grupo de formação que temos e do clube de fotografia que foi criado na EPM”. Barros destaca o papel do BNU na realização dos projectos da Halftone. “Estamos muito gratos ao BNU pelo apoio que nos tem dado”, sublinha.

      Por fim, João Miguel Barros diz-se satisfeito pelo facto de os associados começarem a ter as suas iniciativas individuais, inspiradas pelo espírito da Halftone. “É muito importante que a Halftone seja um veículo motivador para promover os seus trabalhos. É esta uma das razões pelas quais a Halftone foi criada”, conclui.

       

       

      PONTO FINAL