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      InícioSociedadeUniversidade da Cidade de Macau quer potenciar papel de Macau como plataforma sino-lusófona

      Universidade da Cidade de Macau quer potenciar papel de Macau como plataforma sino-lusófona

      As instituições ligadas à Universidade da Cidade de Macau publicaram conjuntamente um relatório de estudo intitulado “Investigação sobre o Papel de Macau como Plataforma nas Relações de Comércio e de Cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa no Contexto da Iniciativa ‘Faixa e Rota’” na passada sexta-feira, no sentido de comemorar a realização da Reunião Extraordinária Ministerial do Fórum de Macau e o 41.º aniversário da instituição de ensino superior.

       

      Um relatório de estudo intitulado “Investigação sobre o Papel de Macau como Plataforma nas Relações de Comércio e de Cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa no Contexto da Iniciativa ‘Faixa e Rota’” foi lançado, na passada sexta-feira, conjuntamente pelo Instituto para a Investigação dos Países de Língua Portuguesa (IROPC), Centro de Investigação ‘Uma Faixa, Uma Rota’ de Macau (MOCORRC) e o Centro de Investigação de Desenvolvimento Socioeconómico, ligados à Universidade da Cidade de Macau, para comemorar a realização da Reunião Extraordinária Ministerial do Fórum de Macau, bem como o 41.º aniversário da  Universidade da Cidade de Macau. Marcaram presença na reunião de imprensa o presidente e o vice-presidente do IROPC, Ip Kuai Peng e Francisco José Leandro, director do MOCORRC, Chao Peng, professor auxiliar Eusebio Chiahsin Leou, docente do curso da Língua Portuguesa, Pedro Paulo Pereira dos Santos, chefe do Gabinete de Gestão da Investigação, Sheng Jian, e pessoal de Investigação, Lisa Tang e Xiao Mingyu.

      Para Ip Kuai Peng, desde a criação do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa que a cooperação na área económica, comercial e de investimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa se tornou mais alargada, e a relação de cooperação amigável luso-chinesa tem vindo a desenvolver-se constantemente. No entanto, “ainda há margem para a melhoria no âmbito da construção da plataforma de serviços de cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa em Macau”. O académico observou que, a título de exemplo, “há muito poucos casos de sucesso facilitados pela plataforma”, criticando a falta de aproveitamento máximo da plataforma em termos da reserva de quadros qualificados técnico-profissionais e dos serviços de circulação de informação. A este respeito, o académico sugeriu que, num contexto da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e da construção da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, a RAEM deveria acompanhar o que a China necessita e fazer bom uso das suas próprias vantagens para se integrar na construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e nas indústrias emergentes que Macau irá desenvolver, designadamente o sector financeiro com características próprias de Macau, de Medicina Tradicional Chinesa e saúde abrangente e de Cultura e Criatividade. Defende ainda que, através da concretização e aprofundamento da plataforma de Macau, os laços entre a China e os países lusófonos podem ser reforçados.

      O presidente do IROPC adiantou que é importante Macau integrar o seu posicionamento como o plataforma luso-chinesa, desenvolver serviços financeiros característicos adoptando o modelo de economia de plataforma, aproveitar as novas oportunidades de desenvolvimento trazidas por indústrias emergentes, tais como a cooperação inovadora de ciência e tecnologia, transformação e actualização das indústrias transformadoras e construção de infraestruturas, e reforçar as trocas económicas e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa. Além disso, Ip Kuai Peng defende que Macau deve tomar as PMEs como o “eixo”, inovando o modo de cooperação com estas e permitir que as PMEs de Macau participem nos projectos com maior dimensão apoiados pelo Fundo de Cooperação e Desenvolvimento China-Países de Língua Portuguesa. Desta forma, haveria uma promoção das PMEs de Macau para cooperarem com empresas estatais ou grandes empresas do interior da China para procurarem interesses mútuos e expandirem os seus negócios.

      O académico considera que também é essencial aprofundar a cooperação entre o interior da China, Macau e os países de língua portuguesa no domínio da vigilância sanitária e dos serviços de saúde, recorrendo à cooperação regional e aos apoios populares como um elo de ligação para construir a “comunidade de destino comum da humanidade”. Desta forma, Macau poderá desempenhar um papel “importante” e “insubstituível” na relação entre a China e os países de língua portuguesa, promovendo assim a realização de uma diversificação moderada da economia, tornando-se num bom exemplo de abertura e cooperação ao abrigo da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, reforçando a influência doméstica e internacional de Macau, argumentou o professor.

       

      Macau poderá destacar as suas vantagens como centro de compensação do renminbi

       

      O relatório salienta que a conectividade financeira é um pilar importante para a construção da estratégia ‘Um Faixa, Uma Rota’. Segundo o estudo, Macau pode destacar as suas vantagens como centro de compensação do renminbi para os países de língua portuguesa, e irradiar os mercados regionais da Costa Oeste do Rio das Pérolas, incluindo países de língua portuguesa e espanhola e países abrangidos pela iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’. Com as características financeiras especiais de Macau, poderá ser assim formada a sua própria posição única entre as cidades financeiras vizinhas, promovendo o desenvolvimento de sinergias regionais.

       

      Reforço no intercâmbio luso-chinês

       

      O relatório menciona ainda que, em termos de intercâmbio cultural luso-chinês, Macau deve fazer bom uso das suas próprias vantagens para melhorar o mecanismo de coordenação e promoção do intercâmbio e cooperação internacional em artes e humanidades através da criação de actividades de intercâmbio diversificadas e da construção de plataformas de intercâmbio regular, de modo a promover o desenvolvimento comum através da aprendizagem mútua.

      Em termos de ajudar os jovens na inovação e empreendedorismo, o relatório sugeriu que Governo da RAEM recorra ao “Centro de Incubação de Negócios para os Jovens” para dar o apoio aos jovens do interior da China, de Macau, e dos países de língua portuguesa, facilitando os procedimentos de iniciação dos seus negócios. Sugeriu também a implementação do “Programa de Intercâmbio de Inovação e Empreendedorismo para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa” para promover a interacção entre jovens chineses e portugueses. Para além disso, e através da promoção da cooperação da área de tecnológica na geração mais nova, será aumentada a competitividade empresarial, destacando ainda a importância de se organizarem visitas de estudo regulares para jovens chineses e portugueses, agilizando a compreensão mútua sobre o ambiente de negócios da China e de Portugal.

       

      Comunidade macaense e diásporas como força motriz

       

      Para o vice-presidente do IROPC, Francisco Leandro, devido ao seu passado histórico, Macau conseguiu formar uma relação com países de língua portuguesa. A comunidade macaense e as diásporas de Macau podem usar as suas amplas redes interpessoais e base económica exterior para promover o intercâmbio entre o povo chinês e os países da língua portuguesa e a compreensão mútua entre as comunidades portuguesa e chinesa, bem como dos países abrangidos pela iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’.

       

      Macau como um polo integrado

       

      Chao Peng, director do MOCORRC, espera que Macau continue a expandir as suas funções de serviço da plataforma luso-chinesa, formando um polo integrado da plataforma luso-chinesa, do ponto de ligação entre os países abrangidos pela iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e da extremidade na costa Oeste da Área da Grande Baía. Através das refinadas funções de serviço, Macau poderá acompanhar o desenvolvimento da Zona de Cooperação em Hengqin e da iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’, referiu ainda Chao Peng. Para responder às necessidades de desenvolvimento dos países lusófonos e à necessidade de serviços comerciais, formou-se um centro de distribuição eficiente e pragmático de serviços de cooperação económica e comercial entre a China e os países lusófonos, e para melhorar o estatuto e a visibilidade de Macau como uma plataforma luso-chinesa num palco internacional.

       

      Atracção e retenção de quadros qualificados técnico-profissionais

       

      O professor auxiliar especializado em Relações Internacionais da Universidade da Cidade de Macau, Eusebio Leou, salientou que Macau, como elo de ligação para promover a iniciativa ‘Uma Faixa, Uma Rota’ e a plataforma luso-chinesa, e acompanhar o desenvolvimento da Área da Grande Baía e promover a diversificação moderada da economia local, necessita de uma reserva de quadros suficiente. Por um lado, é fundamental atrair e capturar os quadros qualificados técnico-profissionais, sobretudo os jovens “talentos” de Macau que tiveram experiência de estudo exterior equipados com competência e visão no sentido de fazer a ponte de comunicação entre a China e os países da língua portuguesa no âmbito de negócios e comércio para trabalhar em Hengqin e em Macau. Por outro lado, o docente considera indispensável valorizar os “talentos”, oferecendo garantias mais atractivas para proteger os quadros qualificados técnico-profissionais que estão presentes, de modo a assegurar os seus compromissos a longo prazo no esquema de construção da Área de Grande Baía e da plataforma luso-chinesa.

       

      Aposta na educação de bilinguismo profissional

       

      Para o professor de Língua Portuguesa, Pedro Paulo dos Santos, Macau deve fazer bom uso das intuições de ensino superior sob a égide da “Aliança para o Cultivo de Talentos Bilingues na China e em Portugal”, apostando mais na educação relativa à tradução luso-chinesa e à língua portuguesa, de modo a construir uma “Base de Formação de Quadros Bilingues de Chinês e Português”, bem como para integrar os currículos disciplinares de língua portuguesa aplicada ao comércio para que proporcione mais quadros qualificados jurídicos bilingues para a cooperação empresarial e comercial com os países de língua portuguesa.

      Sheng Jian resumiu que, no contexto da actual construção da Área de Grande Baía, a cooperação constante entre a China e os oito países de língua portuguesa baseada em “confiança e reciprocidade mútua” é uma “manifestação prática do elevado nível de abertura na nova Era”, dizendo acreditar que Macau, como sede do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, sairá beneficiado com a diversificação moderada da economia.

       

      PONTO FINAL