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      InícioGrande ChinaTrabalhar na Grande Baía sim, viver talvez não

      Trabalhar na Grande Baía sim, viver talvez não

      O Centro de Estudos de Macau está a tomar o pulso à forma como os habitantes da RAEM reagem às políticas de integração na Grande Baía. Os dados mais recentes mostram que a maioria ainda hesita em mudar de casa.

      Os estudos não são de agora. Foram iniciados em 2018 e resultam da criação de uma equipa de investigação política da Área da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, no âmbito do Centro de Estudos de Macau da UM. O lançamento desta equipa de projecto tinha em vista investigar e analisar a receptividade da opinião pública da RAEM quanto à integração na Grande Baía e as condições para isso oferecidas aos residentes da RAEM, bem como da maior ou menor aceitação de medidas de política governativa que tenham sido – ou que sejam, entretanto – tomadas para o efeito.

      Recolhidos os dados dos primeiros quatro anos de investigação, Agnes Lam, directora do Centro de Estudos de Macau da UM, entende que “o apoio dos residentes de Macau às políticas da Grande Baía permaneceram basicamente inalteradas”. No entanto, admite que “a manifestação de vontade para deslocações (regulares) à GBA diminuiu”.

      Ex-deputada à Assembleia Legislativa, Agnes Lam defende que a crise de saúde publica vivida nos últimos anos teve impacto no posicionamento da população de Macau face ao projecto de integração da Grande Baía, sobretudo em matéria de circulação transfronteiriça. É a leitura que faz com base em dois estudos efectuados com três anos de intervalo, entre 2018 e 2021.

      O primeiro, um inquérito sobre a adesão dos residentes da RAEM e as opiniões que manifestavam nas redes sociais, referia que só 37,9% dos inquiridos estavam dispostos a viver e trabalhar nas cidades do Continente abrangidas pela área da Grande Baía. E se a pergunta fosse feita a reformados, os números subiam, mas muito pouco, ficando abaixo ainda dos 50 por cento.

      O segundo inquérito, realizado três anos depois em parceria com o Centro de Incubação de Negócios para Jovens de Macau, indicava que só apenas 30% dos residentes com idades entre os 15 e os 35 anos estavam dispostos a viver, trabalhar, investir e abrir um negócio numa cidade do Continente da Grande Baía, apesar dos mesmos inquiridos manifestarem um apoio ao projecto na casa dos 57 por cento.

      Para Agnes Lam, trata-se de “um embate entre o ideal e a realidade”. Os residentes locais parecem acreditar politicamente no projecto de integração entre as 9 cidades da Grande Baía, mais Macau e Hong Kong, mas têm aparentemente mais dúvidas quanto aos aspectos práticos envolvidos, se estiver em causa uma mudança para o Continente. “As pessoas sentem que poderá funcionar no futuro, mas para já ainda têm dúvidas”, salienta a directora do Centro de Estudos de Macau. “Haverá que fazer uma comparação mais a longo prazo. (…) Falta a concretização de políticas de habitação, emprego e apoio ao empreendedorismo, que possam atrair os residentes da RAEM para as cidades da Grande Baía”, esclarece.

      Os resultados dos estudos desenvolvidos apontam para uma maior adesão à GBA de profissionais ligados ao sector financeiro, tecnologias de ponta e indústrias culturais. Mesmo nestes casos, porém, o entusiasmo parece ser atenuado pela falta ou natureza demasiado abstracta da informação disponibilizada pelas autoridades. Agnes Lam acha necessária uma maior promoção das vantagens competitivas da Grande Baía, no âmbito dos serviços públicos e também na comunicação social. “Não parece que às pessoas seja apontado um caminho com clareza”, lamenta.

      Questão não abrangida ainda pelos inquéritos, a possibilidade de uma fuga de talentos da RAEM para a Grande Baía não deixa a ex-deputada especialmente apreensiva. “A Grande Baía não significa a expulsão de residentes locais, antes oferece uma alternativa de vida, por que se opta ou não com total liberdade”, defende. “O Governo (da RAEM) deve encorajar e criar as condições para que as pessoas permaneçam. “O mundo das pessoas de Macau pode ser grande. Devemos encorajar a sociedade ou o Governo a criar condições para que as pessoas permaneçam em Macau. Mas ninguém deve ser forçado a viver em Macau”.