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      Seleccionador de basquetebol da Ucrânia recebeu proposta de clube russo e pediu uma metralhadora

      “Estão loucos? Como é que podem convidar-me? Dêem-me uma metralhadora e eu atravesso o Kremlin”, disse Ainars Bagatskis numa entrevista ao podcast “Sporta Studijas”. O responsável disse ainda que enquanto a Rússia for liderada por um ditador, trabalhar por lá um “tabu”. O letão considera que não tem medo de regressar a Kiev, até porque “todo o mundo apoia a Ucrânia e todo o mundo vai ajudar”.

       

      O seleccionador de basquetebol da Ucrânia e igualmente treinador do Kiev Basket recebeu, nos últimos dias, uma proposta de trabalho para orientar um clube russo. Em declarações ao podcast “Sporta Studijas”, o técnico letão considerou que os russos “estão loucos” com aquilo que considera ser uma “proposta indecente”. “Como é que podem convidar-me?”, afirmou ainda.

      Ainars Bagatskis rejeitou a proposta e revelou-se bastante incomodado com o sucedido. “Disse-lhes: ‘Dêem-me uma metralhadora e eu atravesso o Kremlin’. Enquanto a Rússia for liderada por um ditador, trabalhar lá é tabu”, disse o treinador de 54 anos que nasceu na ex-União Soviética.

      Como atleta teve uma carreira de mais de 20 anos enquanto jogador em clubes da Letónia, da Polónia, de França e também da Lituânia. Como treinador passou por diversos clubes, inclusive pelo Enisey, em 2009 e 2010, e pelo Nizhny Novgorod, de 2014 a 2016, ambos da Rússia, mas agora os tempos são outros.

      Ainda em declarações ao podcast “Sporta Studijas”, Ainars Bagatskis, que não tem “medo” de regressar a Kiev, revelou que tem conversado com diversas pessoas no seio do basquetebol da Rússia e que estão chocadas com o facto de muitos jogadores da Letónia terem decidido abandonar os clubes e o próprio país. “Um deles ligou-me ontem e perguntou: ‘Como é que vocês, da Letónia, conseguem ir embora em paz? Têm de continuar a jogar’. O país deles está a atacar outro, está a bombardear cidades, está a matar pessoas — mas eles dizem que nós é que os ofendemos”, atirou o letão.

      Recorde-se que a selecção de basquetebol da Ucrânia está em Espanha, país onde foi disputar um jogo de qualificação para o campeonato do mundo da modalidade na semana em que a Ucrânia foi invadida pela Rússia. Os responsáveis da federação ucraniana de basquetebol ainda não sabem quando é que a comitiva pode regressar ao país em segurança.

      Não é a primeira vez que o letão tece duras críticas à actuação da Rússia e, em especial, contra Vladimir Putin. Numa entrevista ao jornal Israel Hayom, Bagatskis afirmou que “no mundo inteiro, quando um país tem um problema, são encontradas soluções pacíficas. Só os fracos tentam resolver conflitos através da guerra. A forma como o mundo está a reagir à situação, em apoio à Ucrânia, é incrível. Para mim, a guerra não é contra a Rússia — é contra Putin”, acusou, lembrando que está “muito preocupado” com os amigos na Ucrânia, “fechados em bunkers, debaixo da terra, por causa de mísseis”. “A Ucrânia não está sozinha. Todo o mundo apoia a Ucrânia e todo o mundo vai ajudar”, disse ainda.

      Ainars Bagatskis é o seleccionador de basquetebol da Ucrânia e do Kiev Basket desde 2019. Como jogador, entre 1985 e 2006, foi campeão da Letónia por seis vezes, da Lituânia por duas vezes e da Noruega uma vez. Propôs-se ao ‘draft’ da NBA em 1989, mas não foi seleccionado. Enquanto treinador, fez sucesso na Lituânia e em Israel. Foi campeão da Ucrânia em 2013 e 2014, com as cores do Budivelnyk Kiev. Tem uma ligação de trabalho com a Ucrânia que começou em 2011, ao serviço do Kryvbas.

       

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