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      Amy Lau publica ‘best seller’ das suas memórias de infância em língua inglesa

      Depois do sucesso da edição em chinês, a autora lança agora o mesmo livro traduzido para o inglês. A obra versa sobre o período em que, enquanto criança, viveu em Macau nos idos anos de 1960. Ao PONTO FINAL, Amy Lau, a morar no Canadá há 34 anos, recorda tempos de uma cidade “pequena, simples, tranquila e pacífica”. A edição chinesa foi best seller na livraria local Plaza Cultural.

      Com apenas três anos, em 1958, Amy Lau abandona Cantão com os pais e chega a Macau. Nos anos seguintes, a autora de “Memories of Old Macau: The Story of My Childhood” viveu numa cidade “pequena, simples, tranquila e pacífica, com recursos limitados”. “Recordo que eram tempos em que a vida era dura e pobre, mas a comunidade era unida e os vizinhos viviam em harmonia, ajudando e cuidando uns dos outros”, recorda ao PONTO FINAL.

      “Memories of Old Macau: The Story of My Childhood” é a edição em língua inglesa do best seller da edição chinesa editada em 2018. Com ilustrações de Chan Pui, um artista local e actualmente consultor da Sociedade de Artistas de Macau, a obra conta ainda com as traduções de Gigi Lam e Wai Man Chan. Ao nosso jornal, a autora referiu que “não está para já nos planos” uma edição portuguesa.

      As memórias de criança de Amy Lau dos anos de 1960, quando aqui viveu dos três aos 11 anos, altura em que foi viver para a região vizinha de Hong Kong, são colocadas em papelpara a posteridade. “Passei oito anos felizes em Macau”, considera a autora, acrescentando que “não importa onde esteja, as memórias desses oito anos seguem-me onde quer que eu vá, sempre frescas e vivas, nunca desaparecendo”.

      A autora afirma que Macau perdura “dentro do coração”, “flutuando junto com as minhas alegrias de viver”, aparecendo nos seus sonhos. Foi por isso que, primeiro em chinês e agora em inglês, decidiu colocar essas memórias no papel, “permitindo que todas aquelas pessoas ao meu redor, há cinquenta anos, voltassem à vida”.

      A Macau dos anos de 1950 e 1960 nada têm a ver com o figurino actual. “Evoluiu de uma pequena cidade para um destino de renome internacional para entretenimento, compras e comida gourmet. Abundam os casinos de luxo e os resorts hoteleiros, com inúmeros locais turísticos populares, atracções e oportunidades, um local que acolhe turistas de todas as partes do mundo”, constata Amy Lau, que revela a sua intenção e desejo com o livro: “Se você e eu crescemos no mesmo período, e você viveu em Macau, este livro pode despertar as suas memórias de infância. Se não cresceu no mesmo período de tempo e não viveu em Macau antes, este livro pode permitir-lhe vislumbrar os anos 50 e 60, e despertar o seu interesse em conhecer a cultura e história do território.”

      Amy Lau começou a esboçar a edição chinesa do seu livro, “sonho de uma vida”, no Outono de 2016, e terminou-o na Primavera de 2018. A tradução para inglês ficou pronta em 2021 e, agora, a autora publica a obra, tal como em 2018, com a chancela da editora de Hong Kong Red Publish. “O meu plano foi ter o meu livro publicado em Macau. Por isso, entrei em contato com o Instituto Cultural pela primeira vez para discutir o meu plano de publicação, no entanto, descobri que eles não fazem distribuição e que os livros serão entregues ao autor após a impressão e não há depósito para os livros”, explicou a autora.

      Como não vive em Macau, Amy não tem onde guardar os livros. Ao mesmo tempo, precisava de um distribuidor que colocasse o livro, não só em Macau e Hong Kong, como noutras partes do mundo e online. “Pesquisei algumas editoras em Macau e todas estavam na mesma situação. Assim, decidi publicar com uma empresa em Hong Kong para que o meu livro, e a minha história de Macau, chegassem a mais leitores em todo o mundo”, notou, referindo que, desde 2003, tem visitado a RAEM “para relembrar as maravilhosas memórias de infância”.

      Best seller na Plaza Cultural

      Na Plaza Cultural a venda do livro tem sido um sucesso, conforme revelam as estatísticas da própria livraria local. A edição chinesa atingiu o primeiro lugar de vendas por quatro vezes: Novembro de 2018, Fevereiro e Março de 2019 e, ainda, durante todo o ano de 2020 na categoria não-literatura. “Para a lista de mais vendidos durante todo o ano, existem duas categorias: uma é literatura e a outra não é literatura. A versão chinesa cabe na categoria de não-literatura porque foi categorizada como um livro de história. Os resultados das vendas são publicados no site oficial e Facebook da Plaza Cultural”, referiu, vaticinando boas vendas para a nova versão, que está disponível para compra por 98 dólares de Hong Kong.

      Amy Lau publicou o seu primeiro livro em chinês em 1994, intituladoChinese-Canadians: Thirty-Three Stories. Em 2008, publicou a segunda obra em chinês intitulado “Looking Back: My Seven Years in Edmonton”. O seu terceiro livro em chinês intituladoMy Childhood in Canton” seguiu em 2017, antes de publicar o “Memories of Old Macau: The Story of My Childhood”.

      Depois de deixar Cantão aos três anos, Amy e a família fixaram-se em Macau, durante a Administração Portuguesa. Aqui fez o ensino primário na Escola Canossa Pui Ching. Depois, já em Hong Kong, fez o ensino secundário na Lingnan Middle School e o ensino pós-secundário em Taiwan. A autora licenciou-se em Literatura Chinesa e Escrita Criativa na Universidade Cultural Chinesa em Taiwan e ainda fez uma graduação em Ensino na Faculdade de Educação Sir Robert Black em Hong Kong. Foi professora de escola secundária e professora-bibliotecária em Hong Kong de 1979 a 1988, tendo emigrado para Toronto, no Canadá, nesse ano, onde trabalhou para a Biblioteca Pública de Toronto de 1988 a 1998. Depois, mudou-se para Edmonton em 2001 e trabalhou no Grant MacEwan College, Asia-Pacific Studies Institute como instrutora de chinês de 2001 a 2008.

      Actualmente aposentada, Amy Lau é membro da Associação de Escritores Chineses de Toronto e aindacofundadora, juntamente com Jenny Liu, do Edmonton Chinese Writing Club em 2009, tendo sido presidente do clube até 2015. Além de ler e escrever, Amy aprendeu pintura chinesa com Yee Tat-Ming, um renomado artista em Edmonton.

      PONTO FINAL