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      Kiev prepara-se para invasão, Zelensky fala em abordagem “diferente” da Rússia

       

      A Rússia intensificou no sábado os bombardeamentos no sul da Ucrânia e arredores de Kiev, num dia em que o presidente ucraniano saudou uma nova abordagem “fundamentalmente diferente” de Moscovo nas conversações com Kiev.

       

      A Rússia, disse Volodymyr Zelensky, deixou de “fazer só ultimatos”, mas ficou sem se saber qual a importância e alcance destas declarações. Questionado sobre as afirmações de sexta-feira de Vladimir Putin, que falou em “avanços” nas conversações russo-ucranianas, Zelensky disse estar “contente por ter um sinal da Rússia”, mas não deu mais explicações, ao falar numa conferência de imprensa em Kiev.

      Sábado foi o 17.º dia de guerra e o dia foi de contrastes, entre as bombas de manhã e os sinais diplomáticos de Zelensky, à tarde. Kiev amanheceu, na descrição dos repórteres da agência Associated Press, ao som de rebentamentos nos arredores. Duas colunas de fumo erguiam-se a sul da capital – uma branca e outra negra – enquanto em cidades como Mariupol, cercada pelas forças russas e sem abastecimento de alimentos e medicamentos, as notícias eram de também de destruição e ataques aéreos contra uma mesquita onde estavam 80 pessoas.

      As tentativas de levar alimentos e retirar civis de Mariupol foram, até agora, um fracasso – as forças da Ucrânia e da Rússia acusam-se mutuamente de violarem os sucessivos cessar-fogos – mas as autoridades ucranianas tentaram sábado, novamente, abrir corredores humanitários. Zelensky disse ontem que ajudar as pessoas em Mariupol é a prioridade deste momento.

      Mariupol, uma cidade com cerca de 500 mil habitantes no sudeste da Ucrânia nas margens do mar interior de Azov, é um importante centro industrial do país, e o presidente da câmara estima que, em 12 dias, tenham morrido 1.500 pessoas.

      Um dos alvos dos militares russos durante a madrugada, com ataques aéreos do exército, foi um terminal de petróleo, que se incendiou, na cidade de Vasilkiv, na região de Kiev. No terreno, a coluna militar russa, que há uma semana chegou a ter 60 quilómetros e, segundo fontes ucranianas, se dispersou por várias regiões, está agora a cerca de 25 quilómetros da capital, segundo uma informação do Ministério da Defesa do Reino Unido.

      Com os bombardeamentos russos a chegar aos arredores da capital, o presidente da câmara de Kiev anunciou que a cidade está a armazenar medicamentos, produtos e bens de primeira necessidade, antevendo uma possível invasão por parte das tropas russas.

      Logo pela manhã, as autoridades ucranianas acusaram a Rússia de terem atingido um hospital que presta cuidados oncológicos e vários edifícios residenciais na cidade de Mykolaiv, no sul do país, com bombardeamentos de artilharia pesada, um ataque que, segundo as informações iniciais, não fez vítimas.

       

      Apelos diplomáticos

       

      Na frente diplomática, o presidente de França, Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, conversaram novamente com o líder russo, Vladimir Putin, sobre a guerra na Ucrânia, um dia após a cimeira europeia em Versalhes, informou o Palácio do Eliseu.

      Num vídeo divulgado pela presidência ucraniana, Zelensky pediu aos líderes franceses e alemães que ajudem a libertar o autarca da cidade ucraniana de Melitopol, que, segundo Kiev, foi sequestrado na sexta-feira pelos russos. Os três líderes já tinham conversado por telefone na quinta-feira, altura em que França e Alemanha “exigiram um cessar-fogo imediato da Rússia”.

       

      CAIXA:

       

      Bombardeamento matou mais de 50 em Lviv

       

      Pelo menos nove pessoas morreram ontem e 57 ficaram feridas num bombardeamento que visou uma base militar perto de Lviv, no oeste da Ucrânia, de acordo com um primeiro balanço das autoridades militares regionais ucranianas. “Infelizmente, 57 pessoas ficaram feridas e foram hospitalizadas, nove heróis morreram”, indicou o governador militar da região de Lviv, Maxim Kozitsky, na plataforma Telegram. O presidente da câmara municipal de Lviv, Andriy Sadovy, cuja cidade se situa a cerca de 40 quilómetros da base, adiantou, também no Telegram, o mesmo balanço do bombardeamento russo contra o Centro Internacional para a Manutenção da Paz e Segurança.

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau