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       ‘Escola do patriotismo’ em Macau, da China pobre aos tibetanos com telemóveis

      Um grupo está a entrar na ‘casa do patriotismo’ em Macau: não é de um jardim de infância ou universidade, foi largado à porta por um autocarro das operadoras de casinos do território.

       

      Pela frente, os funcionários têm uma narrativa da velha e da nova China que respira de contrastes milenares, mas cujo êxito melhor se vislumbra a partir da revolução comunista de Mao Tsé-Tung, das reformas e liberalização económica de Deng Xiaoping e da Nova Era da superpotência mundial liderada pelo actual líder, Xi Jinping.

      Textos, fotografias, vídeos e quadros interactivos dão corpo à narrativa da ‘nova China’ que se celebra na Base de Educação de Amor pela Pátria e por Macau para Jovens: onde antes grassava pobreza e analfabetismo, há agora uma História de “modernização socialista (…) moderadamente próspera”, ilustrada em imagens que ostentam orgulhosamente a tecnologia de ponta, o sucesso social, educacional e de integração de minorias, cuja lente viaja pela aventura espacial e até surpreende tibetanos sorridentes, empunhando telemóveis.

      Da icónica visão da população montada em bicicletas até à linha ferroviária de alta velocidade, do primeiro carro às viagens espaciais, dos 99% de analfabetos à conquista de um prémio Nobel, da construção da primeira travessia à maior ponte marítima do mundo – que liga Macau, a China continental e Hong Kong -, a exposição projecta o desenvolvimento de um país que forjou o seu destino apesar do “‘bullying’ ocidental’”, frisou o guia.

      Num espaço que pode ser observado tanto no início como no final da exposição, num vídeo apoteótico no qual desfila o poderio da segunda potência económica mundial, há uma derradeira mensagem destinada aos patriotas, lembrando que “são os chineses que criam a China”.

      Dos jardins de infância às universidades, das associações juvenis à polícia e casinos, a ‘casa do patriotismo’ em Macau tem uma missão simples de explicar, para a responsável do Departamento da Juventude da Direção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento do Juventude.

      A Base de Educação de Amor pela Pátria e por Macau para Jovens tem “um objectivo de aprendizagem”, os estudantes como “alvo prioritário” e “providencia uma plataforma para se compreender a História e desenvolvimento” da China, sublinhou Cheong Man Fai. “A compreensão da pátria é muito importante para que os estudantes percebam que não podem prejudicar o país”, sustentou.

      Apesar do sobressalto causado por algumas crises pandémicas, Cheong salientou que o número de visitantes está dentro das expectativas. Até final de Fevereiro, a ‘casa do patriotismo’ registou mais de 33 mil visitantes, quase nove mil dos quais estudantes.

      A Base de Educação de Amor pela Pátria e por Macau para Jovens foi inaugurada em Dezembro de 2020 e abriu em meados de Janeiro de 2021. Aquando da inauguração, o chefe do Governo de Macau disse que o novo espaço serviria para que “os jovens alunos de Macau adquiram conhecimentos profundos sobre a História e a cultura chinesas, e a evolução tanto do país como de Macau em diversos ângulos, reforçando a sua consciência nacional e o seu espírito patriótico”.

      Em termos práticos, o primeiro ano da ‘casa do patriotismo’ em Macau encarregou-se de explicar o alcance e a importância do reforço deste sentimento no território e delimitação das ‘linhas vermelhas’ do território e de Pequim.

      Logo após as directrizes patrióticas estabelecidas na rádio e televisão públicas, e no meio da convulsão política que terminou na exclusão dos candidatos pró-democracia das eleições para o parlamento local, Ho Iat Seng traduziu: Macau é para ser “governado por patriotas”.

       

      João Carreira e Jing Wu, Lusa

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau