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      Início Sociedade Criminalidade esteve “estável” em 2021, apesar do aumento dos crimes cibernéticos

      Criminalidade esteve “estável” em 2021, apesar do aumento dos crimes cibernéticos

      O número total de crimes em 2021 não sofreu grande alterações em relação aos últimos dois anos, tendo registado 11.376 casos no decurso do ano passado. Em jeito de balanço, o Gabinete do Secretário para a Segurança referiu que “a situação geral de segurança se apresentou estável” no território. No entanto, devido à mudança social por causa da epidemia, o gabinete liderado por Wong Sio Chak notou que os crimes cibernéticos têm vindo a aumentar, verificando-se que o número dos casos de burla subiu quase 30% face ao ano anterior e a frequência de esquemas informáticos registou um aumento de 196,3% em relação à época antes da pandemia.

       

      Segundo as estatísticas da criminalidade e dos trabalhos de execução da lei de 2021, divulgadas ontem pelo Gabinete do Secretário para a Segurança, foi registado um total de 11.376 casos de inquérito criminal pela polícia no decurso do ano passado, constatando-se que o número total de crimes situa-se entre os valores de 2020 e de 2019, com uma subida de 1.319 casos em comparação com 2020, representando um aumento de 13,1%, e uma diminuição de 2.802 casos em relação a 2019, equivalente uma descida de 19,8%.

      Sob a influência contínua da epidemia, o Gabinete do Secretário para a Segurança notou que houve mudanças na situação da segurança e no tipo de crimes praticados em Macau, no entanto, “não se verificaram alterações significativas no crime violento que prejudiquem gravemente a segurança da sociedade, pelo que consideramos que a situação geral de segurança se apresentou estável”.

      Entre as diversas categorias de crimes detectadas, o número de casos de burla atingiu 1.307 ocorrências no ano passado, o que corresponde a um acréscimo de 29,8% em relação ao ano anterior e um decréscimo de 14,3% em relação a 2019.

      As autoridades policiais constataram que grande parte dos casos de burla foi com recurso à Internet e telefone, no ano passado, sendo que 40,1% dos casos das burlas foram cometidas por via online, enquanto as burlas por telefone tiveram o maior aumento em frequência, com 91 casos registados em 2021, o que representa um aumento de 193,5% em relação a 2020.

      “Entre as burlas online, a ‘burla de namoro online’ e a burla em apostas ilegais online, conhecida como ‘Sha zhu pan’, são os mais comuns. Os dois tipos de casos têm métodos semelhantes. O fraudador estabelece primeiro um relacionamento online de namoro com a vítima, ou defrauda a sua confiança, fingindo ser um talento profissional para lhe pedir dinheiro emprestado, ou engana a vítima convencendo-a a investir por várias razões, e rapidamente foge depois de obter sucesso”, refere o relatório.

      Relativamente às burlas telefónicas, segundo o Gabinete liderado por Wong Sio Chak, os suspeitos fingem muitas vezes ser funcionários das autoridades locais ou das regiões vizinhas, ou de plataformas de compras online ou de bancos, para obter os dados pessoais da vítima, ou exigir directamente uma transferência de dinheiro, alegando falsamente que a vítima está envolvida em actos ilegais ou tem problemas com compras online ou com contas bancárias.

      Nesse sentido, a polícia adoptou também o trabalho contra crimes de sensibilização do modelo online, divulgando um total de 322 informações antifraude ou vídeos curtos antifraude no Wechat, Facebook, Instagram e em outras plataformas online, para revelar as tácticas dos criminosos e ensinar técnicas antifraude ao público.

      Cooperando com as autoridades policias, o sector bancário implementou a “medida de alerta para transacções suspeitas” e “medidas de suspensão de pagamento de emergência”, com as quais foram prevenidos 17 casos e suspenso o pagamento em 12 casos, envolvendo um montante de 1,27 milhões e 490 mil patacas.

       

      Crime informático subiu 196,3% face ao período antes da pandemia

       

      O crime informático continua a ser cada vez mais frequente nos últimos dois anos. Em 2021, foram registados 800 crimes informáticos, traduzindo-se num aumento de 50,7% em relação a 2020 e um aumento de 196,3% em relação a 2019. A maioria dos casos são o roubo de dados de cartão de crédito.

      Recorde-se que a polícia local desmantelou, em conjunto com a polícia da RAEHK, quatro grupos criminosos transfronteiriços envolvidos em vários casos de burla de cartão de crédito e deteve 30 membros dos grupos criminosos. O montante total envolvido nas redes é de cerca de 20 milhões de patacas.

      Quanto aos casos de tráfico de droga, registou-se no ano passado um total de 75 casos, ou seja, um “pequeno aumento” de 5,6% face aos dados do ano anterior. O Gabinete do Secretário para a Segurança salientou que a prática do crime de tráfico de estupefacientes no território mostra “mudanças significativas” nos últimos dois anos, sendo que as associações relevantes começaram a utilizar as encomendas postais como meio de transporte de droga devido ao maior rigor das inspecções nas entradas e saídas de pessoas de Macau.

      Analisando os dados dos crimes registados, “sob a influência da epidemia, em Macau a prática dos crimes em geral sofreu uma mudança gradual, tendo diminuído a maioria do tipo de crimes que carecem de contacto tradicional, e pelo contrário, os crimes cibernéticos têm vindo a aumentar consecutivamente e rapidamente nos últimos dois anos”, destacou.

      “Por um lado, o estilo de vida do público tem vindo a sofrer mudanças, já que as pessoas gastam mais tempo nas compras online, a conhecer amigos via internet ou em outras actividades de lazer e divertimento online, o que facilita a prática de crimes pelos criminosos, e, por outro lado, com as medidas de prevenção epidémica adoptadas por vários países, reduziu-se drasticamente a movimentação das pessoas, pelo que após a prática do crime, é difícil para os criminosos ocultarem a sua identidade e o seu paradeiro, colocando-os em grande risco, contudo o carácter transfronteiriço e o alto anonimato da internet é muito vantajoso para os criminosos e permite-lhes esconderem-se”, explicou o gabinete de Wong Sio Chak.

      Para o Sistema de Videovigilância em Espaços Públicos, conhecido por ‘Olhos no Céu’, que auxiliou as autoridades policiais na investigação de 3.531 casos ou acidentes, as obras da 5.ª fase de instalação estão a decorrer e prevê-se que as câmaras possam entrar em funcionamento em 2023, com reforço da cobertura em determinadas zonas, “com vista a aumentar a eficácia da utilização do sistema, reforçando a capacidade de prevenção e controlo em geral da segurança de Macau”, pode ler-se no relatório.

      Por outro lado, e segundo o relatório relativamente às estatísticas de suicídio, registou-se um total de 60 casos, entre os quais 10 casos foram cometidos por pessoas com idade inferior a 35 anos, enquanto o grupo das idades compreendidas entre 35 e 44 anos ocupou 13 casos de suicídio. Relativamente a casos de tentativa de suicídio, foram registados 186 casos no ano passado. O grupo etário de 15 a 24 anos de idades representa a maior proporção dos casos, com 63 casos, seguindo pelo grupo de 25 a 34 anos, com 32 casos, bem como pelo grupo de 5 a 14 anos, com 25 casos de tentativa.

       

      PONTO FINAL