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      Vladimir Putin, o Presidente russo e ex-espião que ordenou a invasão da Ucrânia

      O Presidente russo, Vladimir Putin, causou incredulidade ao invadir a Ucrânia, a sua maior acção militar desde a anexação da Crimeia, em 2014, apesar de nunca ter escondido a ambição de restaurar o poder da Rússia.

      Governante do país desde 2000 – assumindo alternadamente os cargos de Presidente e primeiro-ministro -, Putin, de 69 anos, é o dirigente do Kremlin há mais tempo no poder desde o ditador soviético Joseph Estaline, que morreu em 1953.

      Em 2020, foi aprovada, num controverso referendo nacional, uma revisão constitucional que deu a Putin a possibilidade de se manter no poder após o seu atual quarto mandato, que termina em 2024. Poderá, assim, ficar no Kremlin até 2036.

       

      UM EX-ESPIÃO

       

      Os seus críticos veem nele traços da era soviética que moldaram a sua visão do mundo: Putin foi espião do KGB – a tristemente célebre agência de serviços secretos soviética – antes de protagonizar uma ascensão meteórica por entre o caos do desmoronamento da União Soviética. Muitos dos seus colaboradores próximos e amigos estão ou estiveram ligados aos serviços secretos.

      A carreira política de Putin arrancou no início dos anos 1990, quando trabalhou como assessor principal do presidente da câmara de São Petersburgo Anatoly Sobchak, que tinha sido seu professor de Direito na universidade.

      Em 1997, entrou no Kremlin como diretor do Serviço Federal de Segurança (FSB – sucessor do KGB) e rapidamente foi nomeado primeiro-ministro. No último dia de 1999, o então Presidente russo, Boris Ieltsin, demitiu-se e nomeou Putin como Presidente interino. Encontra-se no poder desde então, embora tenha tido que ocupar o cargo de primeiro-ministro entre 2008 e 2012, porque a Constituição russa o proibia, na altura, de se candidatar a um terceiro mandato presidencial consecutivo.

      Voltou, em seguida, à chefia do Estado ao vencer as eleições de 2012 com mais de 66% dos votos, por entre acusações de fraude eleitoral. Recuperou a pompa soviética das paradas militares, e os retratos de Estaline, outrora proibidos, voltaram a ser ostentados.

      Até a vacina russa contra a Covid-19 foi baptizada como Sputnik V, em referência à sonda soviética Sputnik, o primeiro satélite artificial do mundo, colocado em órbita em 1957.

      Putin descreveu o desmembramento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como “a maior catástrofe geopolítica do século [XX]” e criticou frequentemente a expansão da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte) até às fronteiras da Rússia a partir de 1997.

       

      RELAÇÕES GLACIAIS COM O OCIDENTE

       

      As anteriores tensões entre a Rússia e a Ucrânia (não só a anexação da península ucraniana da Crimeia, em 2014, mas o conflito armado em curso desde então nas regiões separatistas pró-russas de Donetsk e Lugansk, no leste da Ucrânia, que fez, nos últimos oito anos, mais de 14.000 mortos) e a intervenção de Moscovo na guerra civil síria em apoio do Presidente, Bashar al-Assad, tinham já reavivado as suspeitas do Ocidente em relação às ambições imperialistas de Putin.

      As relações tornaram-se tão glaciais como durante a Guerra Fria, com exceção do período do mandato do Presidente norte-americano Donald Trump, que abertamente expressou a sua admiração pelo seu homólogo russo. Já Joe Biden, que lhe sucedeu na Casa Branca, descreveu Putin como “um assassino”.

       

      A IMAGEM DE VIRILIDADE

       

      Putin cultiva uma imagem de virilidade, com as suas fotos a cavalo em tronco nu e manobras eleitorais como a entrada na Tchetchénia num avião de combate em 2000, ou a aparição num festival de ‘motards’ junto ao mar Negro, em 2011. Mas também faz questão de mostrar na imprensa estatal russa um lado mais suave, surgindo em imagens a fazer festas aos seus cães ou a ajudar a cuidar de tigres siberianos, uma espécie ameaçada de extinção.

      Uma sondagem realizada em Fevereiro de 2021 pelo centro russo de estudos de opinião Levada indicava que 48% dos cidadãos russos queriam que Putin continuasse na Presidência do país depois de 2024. Esse número pode ser invejado por muitos dirigentes políticos ocidentais, mas também pode sugerir apenas que a população não tem liberdade para dar outra resposta quando inquirida, ou que simplesmente vê Putin como uma aposta segura, por ter mantido a Rússia relativamente estável após o caos pós-comunista da década de 1990.

      Além de restaurar um orgulho nacional generalizado, Putin permitiu que uma classe média surgisse e prosperasse, apesar de Moscovo continuar a controlar a economia e de a pobreza russa ser uma realidade flagrante.

       

      PROBLEMAS DOMÉSTICOS

       

      A sua popularidade entre os cidadãos russos mais velhos é claramente maior que entre a população jovem, que cresceu com Putin no poder e parece ter sede de mudança. Em Janeiro de 2021, milhares de jovens russos manifestaram-se em todo o país em apoio a Alexei Navalny, o principal opositor a Putin, que foi imediatamente detido ao chegar à Rússia, regressado de Berlim, onde estivera a recuperar de uma tentativa de assassínio com Novichok, um gás neurotóxico, que os Governos ocidentais logo imputaram ao FSB de Putin.

      Navalny ganhou notoriedade ao denunciar a corrupção desenfreada, classificando a Rússia Unida, de Putin, como um “partido de escroques e ladrões”. As manifestações que se seguiram foram algumas das maiores a que a Rússia assistiu nos últimos anos, asfixiadas por uma repressão policial que se saldou em milhares de detidos.

      Actualmente na prisão com problemas de saúde, Navalny, condenado de forma polémica no âmbito de um antigo caso de desvio de fundos, é outra das razões pelas quais as relações de Putin com o Ocidente estão em mau estado.

      Em Agosto de 2020, Navalny sobreviveu por pouco ao envenenamento com Novichok, uma toxina russa de fabrico militar igualmente utilizada para tentar matar o ex-espião russo Serguei Skripal e a sua filha Iulia em Inglaterra, em 2018. Putin negou qualquer envolvimento nesses e noutros ataques a opositores políticos proeminentes.

       

      OS LIBERAIS AFASTADOS

       

      A exibição do patriotismo de Putin domina a comunicação social russa, o que distorce a cobertura mediática em seu favor, de tal forma que é difícil calcular as dimensões da oposição. Durante os seus dois primeiros mandatos presidenciais, Putin beneficiou de receitas significativas procedentes do petróleo e do gás – as principais exportações da Rússia -, e o nível de vida da maioria dos cidadãos russos melhorou, mas o preço a pagar, na opinião de muitos, foi a erosão da jovem democracia russa.

      Desde a crise financeira global de 2008, Putin está a braços com uma economia anémica, atingida pela recessão e, mais recentemente, pela queda a pique do preço do petróleo. A Rússia perdeu muitos investidores estrangeiros e milhares de milhões de dólares em fuga de capitais.

      O “reinado” de Putin tem sido marcado por um nacionalismo russo conservador, com fortes ecos do absolutismo czarista, encorajado pela Igreja Ortodoxa.

      Pouco depois de subir à Presidência, Putin começou a afastar as figuras liberais, substituindo-as muitas vezes por aliados mais duros ou figuras neutras consideradas meros simpatizantes. Foi assim que favoritos de Ieltsin como os oligarcas Boris Berezovsky e Vladimir Gusinsky acabaram por tornar-se fugitivos que agora vivem exilados no estrangeiro.

      A preocupação da comunidade internacional com o respeito dos direitos humanos na Rússia cresceu ao longo dos anos, após a prisão do oligarca Mikhail Khodorkovski, outrora um dos multimilionários mais ricos do mundo, e das activistas anti-Putin da banda ‘punk’ Pussy Riot.

      Actualmente, enquanto a Rússia invade a Ucrânia e Putin avisa que a resposta de Moscovo será “imediata e nunca vista” se o Ocidente tentar atacar a Rússia, todos os olhos estão postos no Presidente russo, para ver o que fará em seguida.

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau