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      Início Internacional Putin não representa todos os russos, diz Bessmertny

      Putin não representa todos os russos, diz Bessmertny

      Para Konstantin Bessmertny, artista russo-ucraniano que reside em Macau, muitos russos de facto não concordam com a decisão que foi tomada pelo Kremlin e pediu para não se confundir o acto de Putin com o pensamento colectivo.

       

      Em Macau, há também muitos expatriados russos e ucranianos a trabalhar. O artista Konstantin Bessmertny, que nasceu em 1964 em Blagoveschensk, na ex-União Soviética, é um deles. “A minha mãe é ucraniana e o meu avô também é ucraniano, sinto-me sempre ligado a este país”, disse Bessmertny ao PONTO FINAL para contextualizar a sua preocupação com o conflito militar russo-ucraniano devido à sua raiz biológica.

      Para Bessmertny, esta é uma fase de transição, tal como aconteceu em outros países desenvolvidos que tinham passado por alguma ditadura na sua história. “A ditadura na Rússia já existe há um século, por isso penso que é o momento de seguir em frente. Acho que o meu país e o meu povo merecem ser livres. Diria que há muitas pessoas que estão a mostrar apoio agora, de facto não sabem o que está a acontecer. Também vi alguns vídeos virais nas redes sociais, muitos deles sofreram uma lavagem cerebral e não têm a mínima ideia de tudo isto, para onde vai e porquê”, referiu o artista.

      Sendo metade russo e metade ucraniano, Bessmertny compreende bem o dilema que o povo russo está a encontrar e contextualizou a mudança da mentalidade com o contexto histórico do país liderado por Putin. “Conseguem imaginar quantas guerras houve na Rússia desde que a Rússia foi brutalmente estabelecida no seu poder? Não estavam apenas a retirar todas as propriedades do povo, vinte dos meus familiares também morreram em campos de concentração e foram executados. Ambos os meus avós foram mortos por volta dos seus trinta anos. O povo russo aprendeu numa maneira dura do regime de Estaline, e agora é outro ditador e não há saída”, lamentou.

      “Estou sempre a falar com os meus amigos russos nas redes sociais e eles estavam sempre com medo de serem ouvidos no Facebook, e estão a mudar para o Telegram, tentando encontrar uma forma mais segura para comunicar. No entanto, há cada vez mais jovens a aperceberem-se do problema”, observou o artista de 57 anos.

      Bessmertny sublinha que muitos russos de facto não concordam com a decisão que foi tomada pelo Kremlin. “A autocracia está a tornar-se perigosa, porque o presidente está sentado na sua cadeira, ficando louco para acumular o seu poder sem considerar o povo do país. Isto conduzirá ao desastre. Ele torna-se um monstro, e não representa a ideia de todo o povo russo, por favor não confundam isso. E claro que há muitas pessoas estúpidas na Rússia que acreditam no socialismo, mas precisam de ajudar a compreender melhor o mundo”, criticou Bessmertny.

      Na opinião de Konstantin Bessmertny, agora tudo é “pão pão queijo queijo”. No seu entender, a “monstruosidade” de Putin é agora mundial, está a tentar interferir em todo o lado, tal como se está a tornar no ditador de todos os ditadores. Cada vez mais pessoas russas podem ver e perceber o problema e, no final, a mudança é “apenas uma questão de tempo”.

       

      PONTO FINAL