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      InícioSociedadeAPOMAC “desgostosa” com decisão de encerrar a clínica

      APOMAC “desgostosa” com decisão de encerrar a clínica

      A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau vai encerrar a sua clínica por motivos de falta de recursos financeiros que, até então, tinham sido encargo da Fundação de Macau durante mais de 15 anos, disse ao PONTO FINAL Jorge Fão, presidente da assembleia geral e um dos fundadores da APOMAC.

       

      “Foi uma decisão difícil, dado que alguns dos pacientes que faziam tratamento fisioterapêutico, semanalmente, tiveram que recorrer a outras clínicas privadas com custos muito mais elevados que os da APOMAC,” lamentou Jorge Fão ao PONTO FINAL. A clínica da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau vai encerrar a partir de 1 de Março.

      Tudo começou no mês de Novembro de 2021, quando o Administrador da Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC) foi informado, telefonicamente, por funcionários da Fundação Macau, que a partir de Janeiro de 2022 não seriam atribuídos os costumados subsídios à clínica em virtude de decisão superior. Dirigentes da APOMAC foram apanhados de surpresa e, em consequência, foi pedida uma reunião urgente para serem informados, in loco, visto que sendo uma clínica médica licenciada pelos Serviços de Saúde de Macau (SSM) deveriam os encargos serem suportados a partir de então por este organismo.

      A nova reunião foi pedida junto dos SSM, que informaram à APOMAC que os subsídios a serem atribuídos passariam a ser de 130 de patacas por paciente e não um valor global para a clínica, como tinha sido até então, e determinou ainda que a clínica seria também aberta ao público e não somente aos seus associados.

      Jorge Fão esclareceu que o novo formato proposto não iria resultar uma vez que, para ser sustentável, teria que assistir, no mínimo, a 40 pacientes diários. Porém, segundo Fão, não iria “inventar” um determinado número de pacientes apenas para poder manter aberta a clínica, pois tal iria contra os seus princípios. Anualmente a clínica atende, aproximadamente, 370 pacientes, todos sócios da APOMAC.

      Sendo uma nova clínica aberta ao público iria levar meses, senão anos, para ganhar reputação e “clientela”, e até lá “estaríamos a apostar no incerto ou atirar no escuro, pois não havendo 40 pacientes diários quem iria pagar os salários dos três profissionais de saúde e outras despesas?”, questionou.

      A APOMAC foi fundada no ano de 2001 por três funcionários aposentados da Administração Pública de Macau, Jorge Manuel Fão, Francisco José Manhão e Herculano Ribeiro, todos macaenses e com largos anos de serviço. Havia na altura mais de 3.500 aposentados que por motivos históricos foram obrigados a transferir o pagamento das suas pensões para a Caixa Geral de Aposentações de Portugal (CGA) uma vez que a Declaração Conjunta subscrita por Portugal e China nada garantia que a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) viesse a pagar as suas pensões. Mais tarde, a Lei Básica viria a confirmar que a RAEM só pagaria as pensões dos funcionários aposentados após 1999 e não antes, embora se tenha verificado posteriormente que cerca de duas centenas de aposentados não fizeram a transferência das suas pensões à CGA, mas que, mesmo assim, o Governo da RAEM viria a assumir tais encargos até hoje, sem nunca ninguém ter conseguido saber a base legal e política para o assumir desta responsabilidade. Contudo, Jorge Fão acha que é “muito louvável” esta política e a coragem de mandar pagar as pensões às referidas pessoas.

      Jorge Fão acrescentou que, embora desgostoso, vai encarar esta decisão e vontade política de quem detém o poder “com toda a calma e serenidade em nome da boa harmonia existente em Macau”. “Não se percebe, todavia, os motivos por que não se copiou a política existente na China Continental em relação aos aposentados da Administração Pública chinesa, que muito tem sido feito e continua a fazer em prol desses seus quadros aposentados que desfrutam de melhores instalações e apoios estatais, enquanto aqui somos marginalizados e esquecidos”, lamentou.

       

      Apelo público

       

      Jorge Fão disse ainda que para manter aberta a clínica é necessário um subsídio de cerca de 1,3 milhões de patacas, apelando a “almas generosas” de toda e qualquer entidade privada, nomeadamente patrões dos casinos e empresas para apoiarem com o este subsidio anual, caso contrário a clínica irá fechar portas a 1 de Março como previsto.

       

      PONTO FINAL