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Sexta-feira, 14 de Junho, 2024
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      EDITORIAL

       

      Sara Figueiredo Costa

       

      Se quase toda a literatura que conta anda pelos territórios pantanosos do amor e da consciência da morte, o motor das narrativas com que nos andamos a construir há milénios nunca deixou de passar pela viagem. Factual, imaginária, desejada ou inconsciente, é nela que se fundam boa parte das histórias que guardamos como património e é dela que vão nascendo novas histórias, descobertas de caminhos e lugares de pousio, o impulso universal em direcção ao outro, mesmo quando esse outro vive na nossa cabeça. Nem todas as viagens são grandes deslocações e as pequenas travessias podem conter mudanças tão profundas como as de uma qualquer epopeia. No seu novo livro, Luís Mesquita de Melo anda por esses territórios onde o mar como caminho se cruza com veredas mais interiores e menos visíveis. Navegações e Outras Errâncias (Companhia das Ilhas) reúne sete narrativas estruturadas em torno do canal que liga o Faial ao Pico, nos Açores, e que, entre memórias de infância, desejos de horizonte e episódios reais transformados em matéria literária, percorre histórias de muitas personagens. Falámos com o autor, que depois de vários anos a viver em Macau se encontra agora no Vietname, e ficámos a conhecer alguns episódios reais que deram origem a estes contos, bem como os diferentes ventos e correntes marítimas que vão norteando Luís Mesquita de Melo no seu processo de escrita.

      Retomar as leituras sobre a China é uma das propostas da edição deste mês, com o livro História da China – Um Retrato de uma Civilização e do Seu Povo, de Michael Wood, publicado em português pela Temas & Debates. O índice é vasto e as personagens e acontecimentos históricos não caberiam numa frase de síntese, nem sequer nas páginas breves de um jornal, por isso nos focámos num dos temas que fascinou o autor, o das «electrizantes revolucionárias feministas Qiu Jin e He Zhen, no final do império». São histórias de vida que abrem caminhos urgentes no modo tantas vezes redutor com que vamos conhecendo a história chinesa a partir das línguas ocidentais, criando pontes e confirmando influências mútuas onde, erradamente, poderíamos ver apenas incomunicabilidade.

      Como todos os meses, há espaço para as palavras dos nossos cronistas habituais, Yao Feng e José Luís Peixoto, para o conto, desta vez com Yan Ge e um exercício de contornos delirantes sobre pandas, e para a crítica, onde nos debruçamos sobre os livros de Rithy Panh e de Itamar Vieira Júnior, acabados de chegar às livrarias.