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      Cursos de cultura chinesa abordam Macau em Berlim

      O antropólogo visual de Macau Cheong Kin Man está a ministrar, entre Fevereiro e Maio, cursos em Berlim sobre o cinema de língua chinesa e os caracteres sino-asiáticos. À semelhança de cursos anteriores, Macau voltará a estar em destaque.

       

      Intitulado “Cinema de Língua Chinesa – Perspectivas do Extremo-Oriente”, o curso ministrado por Cheong Kin Man em Berlim, na Alemanha, vai, entre outras coisas, debruçar-se sobre as várias problemáticas sobre a cultura, como o humor cantonense, as cores ou a lógica do ‘storytelling’ no cinema de língua chinesa, e terá novamente uma componente sobre o cinema de Macau, pode ler-se num comunicado do antropólogo visual de Macau.

      O curso propõe igualmente um workshop de prática de produção de vídeos experimentais, procurando analisar a complexidade linguística, política e cultural deste cinema. “Sendo cursos com temas algo afastados das problemáticas académicas, pretendo justamente trazer as pessoas participantes mais perto dos temas menos conhecidos mas que julgo igualmente merecedores do conhecimento”, disse Cheong Kin Man ao PONTO FINAL.

      Através do curso “Caracteres Chineses – Um Workshop sobre os Signos e os Significado”, o antropólogo procurará relacionar as semelhanças entre os ideogramas primitivos chineses com os sinais e símbolos modernos do design no contexto europeu. Os dois cursos serão ministrados no quadro da formação contínua da Universidade Popular de Reinickendorf.

      “O objectivo é, entretanto, equilibrar entre o conhecimento mais geral sobre as matérias, pois são cursos para toda a gente, e o saber já menos convencional que se consegue encontrar em Berlim sobre o cinema de língua chinesa e a escrita sino-asiática. Ao advogar um saber mais democrático também em termos de conteúdo, teremos igualmente os temas raramente abordados, como, por exemplo, o humor cantonense de Hong Kong e Macau, bem como a nostalgia do passado, o cinema fuquinense de Taiwan, as produções da diáspora de língua chinesa ou mesmo as antigas películas do estado fantoche japonês durante a guerra, ‘Manchukuo’”, referiu ao PONTO FINAL.

      O antropólogo visual explicou que procurou neste curso de cinema manter os conteúdos leccionados no último semestre, acrescentando uma nova vertente sobre as técnicas de elaboração de vídeos experimentais. “Em termos históricos e culturais, naturalmente não vou deixar de abordar as questões da história de Macau para comparar com a história colonial alemã na China, uma vez que os temas como a descolonização ou estudos pós-coloniais parecem-me ser matérias no centro de diversas discussões em Berlim mesmo fora do contexto académico”, referiu ainda Cheong Kin Man.

      Questionado sobre que noção têm as pessoas na Alemanha, e Europa em geral, sobre Macau e a sua história, o antropólogo referiu que, graças também à presença portuguesa na Alemanha, as pessoas, em geral, “apoiam iniciativas relacionadas com Macau”, visto que o território “tem algum peso na história de Portugal”. Por outro lado, lamenta que o Serviço Alemão de Intercâmbio Académico em Hong Kong “tenha retirado as palavras ‘e Macau’ da sua designação oficial”, e que “a representação turística de Macau na Alemanha tenha aparentemente sido fechada”. Em relação aos órgãos de comunicação social, e mesmo a sinologia alemã, “muitas vezes ignoram a existência da realidade de Macau”. “Na discussão do tema do chamado encontro entre o Ocidente e o Oriente observo igualmente que a questão de Macau fica frequentemente omitida, pelo que julgo que tal questão suscitará interesse a potenciais pessoas interessadas nos cursos”, concluiu.

       

      PONTO FINAL